| Feira na Redenção mostra o peso dos impostos Apesar do tempo instável, o final de semana no Parque da Redenção, em Porto Alegre, foi de conscientização contra a alta carga tributária do Brasil. Entidades promoveram o Feirão do Imposto, iniciativa que ocorreu também em outros estados brasileiros, promovida pela Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje).
Na Redenção, o contribuinte ficou sabendo, por exemplo, que ao comprar uma lata de refrigerante, 47% do valor pago é levado pelo governo em forma de tributos. "Temos que criar uma massa crítica e acordar as pessoas para o problema. Estamos planejando um projeto mensal, um trabalho de conscientização em universidades e escolas", afirmou a presidente da Federação das Associações de Jovens Empresários do Rio Grande do Sul (Fajers), Fernanda Campagnolo. A Fajers e a Associação de Jovens Empresários de Porto Alegre (Ajepoa) coordenaram o evento no Rio Grande do Sul, com o apoio de outras entidades.
O Feirão mostrou também que em uma conta de luz de R$ 170,00, os 30% referentes ao ICMS (R$ 50,00) poderiam comprar 250 pãezinhos. O aposentado Jorge Silveira afirmou que não é contra imposto, mas sim contra o excesso e que o dinheiro não é gasto como deveria. "O governo não consegue resolver os problemas e precisa dos impostos, a gente sabe. Só que a corrupção também leva uma parte", disse. Ele salientou que seria necessária uma revolução cultural, para conscientizar a população. "Tem muita coisa errada nesse País. Os deputados negaram reajuste para os aposentados e tentam agora aumentar os próprios salários em 90%", completou Silveira.
Na década de 1970, o trabalhador precisava destinar dois meses e 16 dias de trabalho para o pagamento de impostos, um dia a menos do que era necessário na década seguinte. Já na década de 1990, passaram a ser necessários três meses e 12 dias de trabalho para pagar os tributos do governo e, no início dos anos 2000, esse tempo chegou a quatro meses e um dia. No ano passado, os tributos pagos pela população exigiram quatro meses e 20 dias de trabalho.
A carga tributária do Brasil bateu um recorde histórico no primeiro semestre de 2006, atingindo 39,79% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Com a arrecadação de R$ 392,78 bilhões, a receita teve um crescimento real de R$ 18,85 bilhões em relação ao mesmo período de 2005, quando, em todo o ano, foram arrecadados R$ 731,6 bilhões. De acordo com a projeção do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), cada brasileiro vai pagar cerca de R$ 4.380,00 em tributos até o final de 2006.
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