| Por
Thiago
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Hora:
09:21
Data:
16/03/2005
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Política Regional - Clésio Boeira da Silva
Criminosos mascarados.
Máscaras são “equipamentos” usados por criminosos “experientes”, de alta periculosidade. Certamente não são trabalhadores à semelhança dos demais presentes. São brutamontes, inimigos das liberdades e da democracia.
Quatro mascarados interceptaram o jornalista Leonel Lacerda e o cinegrafista Roberto Machado, da RBS, que se deslocaram de Parati até Sarandi para fazer cobertura jornalística da manifestação de grupos como a Via Campesina. Os criminosos jogaram álcool dentro do veículo e atearam fogo. Sob a ameaça de uma foice, antes obrigaram Roberto a entregar a câmera e a jogaram nas chamas. Depois sumiram entre os manifestantes. Segundo Leonel Lacerda, a ação demorou cerca de três minutos. Roberto Machado suspeita que tudo foi premeditado. Máscaras são “equipamentos” usados por criminosos “experientes”, de alta periculosidade. Certamente não são trabalhadores à semelhança dos demais presentes. São brutamontes, inimigos das liberdades e da democracia.
Ousadia e violência
Foi um ato de extrema ousadia. Ontem, trancavam rua e estradas. Hoje, tentam calar a imprensa livre, agindo com violência. Amanhã, o que farão, se nada lhes acontecer? O grupo entende que a RBS não lhe dá divulgação adequada (o que não é verdade – e fica evidente com a presença de um jornalista e de um cinegrafista em Sarandi) e opta pelo uso da força, tentando impor o que considera justo. Quais são os limites dessa gente? As lideranças desses movimentos têm de responder à altura, inclusive para resguardar a credibilidade dos organismos. Deixar como está é pôr uma panela de pressão ao fogo – e sair a passear despreocupadamente. Há duas semanas, o MST foi acusado de suposta vinculação com as Farc, grupo terrorista colombiano.
R$ 1 mil por cabeça
A Via Campesina, reforçada pelo MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) foi para frente do Palácio Piratini, em Porto Alegre. Cinco representantes seriam recebidos pelo competente secretário Alberto Oliveira, chefe da Casa Civil. Mas os manifestantes insistiram em falar com o governador, Germano Rigotto. Dono de grande sensibilidade política, Rigotto abriu espaço em sua agenda. Eles pediram R$ 200 milhões. Metade dos cofres do RS e metade da burra nacional. R$ 1 mil para cada um deles.
Dinheiro do inverno
O presidente Lula chega hoje ao interior do RS. Ele anuncia R$ 1,2 milhão para a agricultura. Nada a ver diretamente com o combate aos efeitos da estiagem. Do total, R$ 408 milhões são do seguro da agricultura familiar e R$ 800 milhões são da safra de inverno. Traduzindo: se não fosse o governo Germano Rigotto, a produção, além de estorricada, estaria frita. Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, divulgou números contra a seca também.
RS, um novo Nordeste?
O economista Gustavo Grisa ( www.gustavogrisa.com.br), gaúcho radicado em Brasília, envia este interessante artigo: “Existem razões de sobra para pessoas de bom senso acreditarem que há algo muito errado com o equilíbrio climático e ambiental do Rio Grande. Talvez falte, em nossa opinião pública, um Lutzenberger, com a coragem de debater esse assunto com maior desassombro. É óbvio que a potencialização das estiagens não começou hoje, é resultado de um desequilíbrio que ganha força ano após ano. Mas a conclusão dolorosa é que a sociedade gaúcha mostrou-se incapaz de deter a crônica de mais uma morte anunciada. Parece, às vezes, que esperamos até que as crises cheguem a um estágio agudo e irreversível para que façamos, amanhã, o que já deveríamos ter feito há muito tempo. Há pelo menos duas décadas todos os projetos de desenvolvimento para o Estado envolvem uma ampliação da irrigação, construção de barragens e atenção aos nossos mananciais. E há, pelo menos, esse tempo menos do que é minimamente necessário é feito, uma vez que existem poucos recursos financeiros disponíveis, espera-se toda e qualquer iniciativa do governo do Estado, há dependência do governo federal, enfim, todas aquelas justificativas conhecidas. O fato consumado é que hoje temos que descer de nossa cada vez mais postiça altivez e nos comportar como os prefeitos das cidades do polígono das secas nordestino, entrando na fila atrás de ajuda. Teremos direito à visita do Presidente da República, certamente com discurso diante da terra arrasada. No mínimo, é uma nova cena. Nos resta esperar que surjam recursos e iniciativas concretas dessa visita. Agora.... o que aconteceu para chegarmos a esse tipo de situação, por descaso, insolvência financeira, falta de atenção ao futuro? Quando o jornalista maranhense Franklin de Oliveira escreveu, em 1960, o livro ‘Rio Grande do Sul, um Novo Nordeste’, causou repulsa nos segmentos mais conservadores por alguns exageros no catastrofismo, típico do clima político da época. Mas Franklin estava mais certo do que seus mais ardentes defensores de então imaginavam: estava lá para quem quisesse ter lido a previsão da estiagem crônica, da degradação ambiental, dos conflitos fundiários, da decadência do meio e da cultura agrícola do Estado, da migração em massa da população do interior para outras regiões do Brasil e região metropolitana. E isso há 45 anos. Portanto, é falta de bom senso simplesmente debitar mais esse revés à conta do governador Rigotto, que procura fazer uma gestão séria em meio ao estouro de diversos problemas estruturais do Estado, que, certamente, não foram inventados por ele. Por enfrentá-los de frente, em vez de desdenhá-los, já mereceria aplauso. O ponto é mais crítico e grave, as causas estão ligadas à desarticulação das lideranças do Rio Grande, à falta de compromisso com a construção do futuro do Estado e à ausência de uma visão mais consistente de médio prazo. Daí vem a letargia quanto às reconversões econômicas e investimentos mais seletivos em infra-estrutura, inclusive pela iniciativa privada. As saídas têm que ser encontradas, principalmente por nós mesmos, como sempre fizemos, buscando, obviamente, colaboração qualificada em torno de projetos consistentes e que não sejam meras ‘soluções-tampão’. A entrada gradativa na indústria da seca é mais um triste sintoma do deserto de novas idéias e iniciativas em que, gradualmente, vem se transformando, salvo raríssimos e honrosos esforços, o nosso Rio Grande”. (Gustavo Grisa)
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