Por solicitação da deputada estadual Leila Fetter, a Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa, realizará audiência pública, no dia 7 de junho, terça-feira, às 9 horas, na sala Sarmento Leite, 3 º andar, para debater a Lei nº 8.676 e nº 12.050 referentes a demarcação de áreas de surf e pesca no litoral sul do Estado.
A iniciativa surgiu devido ao fato de mais uma morte ter ocorrido, dois fins de semana atrás, na praia de Cidreira, Litoral Norte do Estado. A estudante universitária, Júlia Manfroi Rosito, 21 anos, morreu após ser presa por um cabo de pesca e não conseguir desvencilhar-se. Outros dois surfistas que estavam com ela, entre eles seu namorado Luís Frasca, 22 anos, também ficaram presos ao cabo, mas conseguiram sair. O vento e a correnteza fortes não permitiram que Júlia escapasse. Seus familiares, amigos e população em geral fizeram uma marcha de protesto, na praia de Cidreira, no último final de semana.
Os jovens entraram no mar nas proximidades da guarita 178, última baliza de cor preto-amerelo que delimita a área de surf. Integrantes do Comando do Corpo de Bombeiros do Litoral Norte, garantiram que o cabo estava fixado na área de pesca. Entretanto, a agitação do mar pode ter feito com que o cabo invadisse o local propício ao banho.
Preocupada com o falta de sinalização nas águas do litoral, Leila Fetter decidiu propor um debate sobre o assunto na Assembléia Legislativa. A lei que entrou em vigor em janeiro de 2004, elaborada pelo então deputado Sanchotene Felice (PSDB), obriga as prefeituras a sinalizarem áreas destinadas ao surf, pesca e banho. "Mesmo com a implantação da lei, não há padronização de sinalização necessária para alertar os locais de maior perigo. Precisamos discutir e rever esse problema a fim de evitarmos que mais pessoas percam suas vidas", afirma Leila. "Além disso, não podemos esquecer dos pescadores, que dependem da pesca para sobreviver, chegando muitas vezes a ser o único meio de subsistência para a família".
A deputada progressista pretende ainda analisar a questão do uso dos cabos de pesca, pois considera essa prática extremamente ameaçadora aos banhistas. Leila enfatiza que "o fato de serem levadas pelas correntes, faz com que as redes invadam locais que não são destinados à pesca. Desse modo surfistas são pegos desprevenidos e acabam perdendo suas vidas por meio da imprudência de pescadores".
Disposta a resolver a questão que já causou a morte de mais de 40 surfistas, segundo um dossiê entregue a parlamentar há duas semanas atrás pelo ex-presidente da Federação de Surf no Estado e atual presidente da comissão "Surf Seguro", Virgílio Matos, Leila espera encontrar um solução viável para o problema. "É importante que haja a mobilização de todos para que consigamos findar com esse pesadelo", desabafa.
|