| Assessoria de Imprensa Deputada Leila Fetter |  | | Leila esteve reunida com entidades ligadas à doação e transplantes no RS |
Leila Fetter destaca a necessidade de uma maior divulgação da importância da doação de órgãos
Reunindo as principais entidades ligadas à doação e transplantes de órgãos no Estado, a deputada estadual Leila Fetter realizou reunião, representando a Comissão de Representação Externa Para Campanha de Doação de Órgãos da Assembléia, ontem, na 13ª Fenadoce, em Pelotas. Os palestrantes abordaram o atual panorama de transplantes e doação de órgãos no Rio Grande do Sul e no Brasil. "O objetivo deste encontro foi reunir pessoas experientes na área para debater a atual situação do processo de doação e transplantes de órgãos no Estado, os maiores problemas enfrentados pelas entidades, analisar as estatísticas e verificar a melhor forma de aumentarmos o número de doadores", justificou a parlamentar.
Segundo a Coordenadora da Central dos Transplantes no Estado, Dra. Denise Maria Sarti de Oliveira, existem 3312 receptores no Estado distribuídos em um total de 1528 homens, 1052 mulheres, 100 crianças e 2462 adultos. " O Rio Grande do Sul se compara a países onde a doação é uma cultura", afirmou ela.
Um dos principais problemas que dificultam o processo de doações de órgãos, segundo os painelistas, é o comportamento e atitude dos profissionais de saúde no processo de doação e transplantes. Segundo uma pesquisa realizada nos principais hospitais do Estado 98% dos residentes tinham ouvido falar no termo "morte encefálica", 33,7% entendiam a morte encefálica como "legalmente morto", 35% dos 195 médicos e enfermeiros entrevistados, identificou corretamente os critérios médicos e legais na determinação de morte encefálica, 58% não utilizaram um conceito coerente de morte e há confusão ao descrever os critérios corretos para determinara morte e diferenças em conceitos de morte com implicações no processo de transplantes.
A deputada progressista ficou impressionada com esta pesquisa: "verificamos que dentro da própria área médica, há uma desinformação e desinteresse pelo assunto que acreditávamos ser impossível".
Para Leila o comportamento e atitude da população em geral referente ao processo deve ser melhor divulgado através de campanhas: "A população é francamente favorável ao procedimento do transplante como terapêutica de eleição, porém não é tão entusiasta sobre a doação de órgãos. Esta atitude paradoxal deve ser melhor esclarecida por campanhas informativas".
Outro problema que ocorre neste processo é a falta de doadores de córneas no Estado e Brasil. Este tema foi abordado pelo Dr. Valter Duro Gracia, primeiro coordenador da Central de Transplantes no Estado e atual coordenador do Banco de Transplantes e Órgãos da FIERGS. Segundo estatística, no RS existe uma população de 10.310.021 habitantes, 80 hospitais sendo 50 autorizados a realizarem transplantes; 980 leitos de UTI com um total de 68 mil óbitos ao ano, distribuídos em 6500 por causas externas e 21000 óbitos por doenças aparelho circulatório. Entre 600 notificações mensais estimadas, saem 300 doações efetivas. "O ideal seria que destes óbitos, houvesse uma grande parcela de doadores de córneas". Para o coordenador, falta uma maior divulgação e uma maior aceitação por parte dos familiares para doação.
Para Valter Duro Garcia, desde o primeiro transplante renal no Estado ocorrido em 1970, o conceito de "ser doador" teve uma maior divulgação, bem como a tecnologia na medicina proporcionou uma maior qualidade de vida ou até mesmo "uma nova vida" à pessoa transplantada. "Atualmente, através da lista de espera, que é coordenada pela Secretaria de Saúde, através da Central de Transplantes, não importa se o receptor de órgão é muito rico ou muito pobre, se tem padrinhos políticos ou não. Aqui a lista funciona de acordo com as reais necessidades de cada receptor", garantiu Dr. Valter.
Ao analisar o processo num âmbito mais local, o presidente da ADOTE, Francisco de Assis, acredita que esta falta de conhecimento constatada em hospitais de Porto Alegre também reflete em Pelotas. "Temos quatro hospitais em Pelotas que atendem 22 municípios na região sul, 3 hospitais tem comissões intra-hospitalares (responsáveis pela doação e transplantes de órgãos) e somente dois tem condições efetivas de atender a demanda da região.
Também participaram do evento a presidente da ONG VIA VIDA, Lúcia Elbern, que falou sobre sua experiência como coordenadora da entidade; a Associação dos Transplantados de Fígado do RS, hoje coordenado por Jorge Luiz Kramer Borges e representado na ocasião por um transplantado de rim, coração e fígado, Sr. Euclides Sartori, que abordou sua experiência como transplantado (3 vezes). Além disso, participaram Paulo Renê Bernhard representando o Conselho de Cidadania da FIERGS e atual coordenador dos Bancos Sociais da entidade; o vice-prefeito de Pelotas, Adolfo Fetter Júnior; a secretária de Saúde de Pelotas, Dra. Maria Renata Freitas Carriconde; o secretário Municipal de Serviços Urbanos, Luiz Carlos Villar Neto; representante da Secretaria Municipal de Educação, Elaine Schmidt; a vereadora Diosma Nunes; o vereador José Sizenando e o representante do vereador Mansur Macluf, Rafael Amaral; o coordenador da ONG Mama Vida, Dr. Sérgio Tessaro; secretários de Saúde e vereadores de municípios da zona sul, estudantes do ensino médio da Escola Pelotense e Escola Osmar da Rocha Grafuler e UCPEL.
Na próxima segunda-feira (6), a Assembléia Legislativa, através da Comissão Externa para promover a Doação de Órgãos lançará o Projeto "Mutirão de Doação de Órgãos", no auditório Dante Barone, das 9h às 12hs. No encontro a Comissão Externa irá firmar um protocolo de mútua colaboração com as Câmaras de Vereadores, os CDLs- Clube de Diretores Lojistas e as Associações Comerciais e Industriais dos municípios gaúchos.
Para a deputada Leila Fetter, que é doadora e membro da Comissão desde a sua instalação pelo deputado Sanchotene Felice e hoje coordenada pelo deputado Adilson Troca, "esta é aforma que o Legislativo gaúcho encontrou para colaborar na divulgação da importância da doação e transplante de órgãos no Estado. Através de iniciativas como estas, onde as entidades tornam-se parceiros, há uma melhora na qualidade de vida da população, bem como uma maior conscientização da importância de doar vida".
Histórico:
1970 - 1º Transplante renal no Estado
1988 - Lei Estadual "do Selinho" - 147 mil gaúchos cadastrados
1995 - Programa de Doação de Órgãos e Transplantes da SES
1997 - Lei Federal 9434 - Lei dos Transplantes
2000 - Portaria MS 905 - Comissão Intra-hospitalar
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