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O Passado do Solar
 
O Solar dos Câmara foi construído entre 1818 e 1824. A casa, além de tornar-se um marco da paisagem porto-alegrense, foi também cenário para reuniões e encontros políticos, como testemunho de importantes decisões.
O Solar dos Câmara foi construído pelo então chefe da Alfândega do Rio Grande do Sul e
Santa Catarina, José Feliciano Fernandes Pinheiro, para servir-lhe de residência.
Em 1824, José Feliciano foi nomeado pelo Imperador Dom Pedro I o primeiro Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Em 1826 recebeu o título de Visconde de São Leopoldo, por ter recebido os primeiros imigrantes alemães no Estado, os mesmos que mais tarde fundaram a Colônia de São Leopoldo. Morreu em 1847, tendo morado no Solar durante 29 anos. É considerado o primeiro historiador do nosso Estado, por sua obra "Anais da Província de São Pedro".
Em 1851, José Antônio Corrêa da Câmara, o Visconde de Pelotas, casou-se
com a filha mais nova do Visconde de São Leopoldo. Ambos fixaram residência no Solar dos Câmara. Em 1889, após a Proclamação da República, o Visconde de Pelotas é empossado como primeiro Presidente do Estado do Rio Grande do Sul e condecorado no ano seguinte como Marechal Câmara. O Solar dos Câmara tornou-se mais uma vez o centro do poder do Rio Grande do Sul.
As gerações se sucederam no interior do casarão. Seu terceiro morador foi o professor Armando Câmara, neto do Visconde de Pelotas e bisneto do Visconde de São Leopoldo. De formação cristã, foi importante líder político-católico, Senador, Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e primeiro Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Estado (PUCRS).

Concebida inicialmente em estilo colonial português, a casa passou por uma grande reforma em 1874, atendendo ao estilo neoclássico. O prédio foi ampliado e os ambientes internos receberam requintes como veludos, lustres, tapetes e cristais.


Sala de Jantar (antes)

Sala de Jantar (depois)


Interior da Casa (antes)

Interior da Casa (depois)

 


Em 1963, o prédio foi tombado como Patrimônio Histórico Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, pois além de seu valor histórico, passou a ser o remanescente mais antigo de arquitetura residencial do século XVIII em Porto Alegre.
Após a morte do professor Armando Câmara em 1975, foram iniciadas as tratativas da Assembléia Legislativa com a família Câmara para aquisição do prédio. Em 1981, ao adquirir o Solar, a Assembléia Legislativa passou a administrá-lo, instalando inicialmente o Serviço de Pesquisa, Documentação Histórica e Museu.
Em 1988, a Assembléia iniciou as obras de restauração do Solar, em parceria com o IPHAN, adotando técnicas internacionais de salvaguarda de bens culturais, os quais buscam a manutenção das características originais. Em 1993, totalmente restaurado, o Solar é devolvido à comunidade sob a forma de um completo espaço cultural, promovendo a cultura e valorizando a nossa história.

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