| Ana Paula Aprato |  | | Deputado ocupou a tribuna nesta terça-feira |
O crescimento das exportações chinesas foi o assunto abordado pelo deputado João Fischer (PP) na tarde desta terça-feira (26), durante o período do Grande Expediente. Da tribuna, o parlamentar manifestou sua preocupação em relação à economia do Brasil, que foi o primeiro país de grande porte a reconhecer a China como economia de mercado. Fischer informou que o Brasil possui atualmente mais de 7.500 indústrias calçadistas, espalhadas por 14 Estados. Destas, mais de 3 mil estão localizadas no Rio Grande do Sul, principal pólo produtor de calçados do país.
João Fischer detalhou números do crescimento das exportações da China e criticou a atitude do governo Federal de reconhecer a China como economia de mercado. "Não podemos concordar com situações nas quais os produtos chineses chegam a ser exportados a preços menores que a matéria prima da qual são feitos", declarou. Para o parlamentar, reconhecer a China como economia de mercado é o mesmo que estimular a prática da concorrência desleal. "Não se trata simplesmente de competitividade, mas de condições completamente desiguais de produção", afirmou o deputado.
Os produtos brasileiros sofrem internamente com uma das mais elevadas cargas tributárias do mundo, segundo Fischer. O deputado destacou que a taxa de juros é também a maior do mundo, o que atrai o capital especulativo e contribui para a queda do dólar. "A queda da moeda norte-americana tira a competitividade dos nossos produtos no mercado externo e estimula as importações", ressaltou.
De acordo com o deputado, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou que pretende promover ações antidumping contra a importação de diversos produtos chineses. A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), por meio do presidente Renan Proença, também já manifestou sua preocupação em relação ao assunto.
Para Fischer, não havia necessidade de o Brasil reconhecer a China como economia de mercado pois o país pode ser um bom mercado para o futuro, mas antes de tudo é um terrível rival das exportações brasileiras. "Cada vez está mais difícil para as empresas produzirem em nosso país. A reforma tributária está muito distante de se tornar realidade. Precisamos remover os obstáculos que impedem o nosso crescimento", criticou.
Apartes Os deputados Berfran Rosado (PPS) e Leila Fetter (PP) destacaram a importância da abordagem do assunto, concordando com a existência de uma competitividade desleal nas exportações. O deputado Estilac Xavier (PT) disse que antes de se criticar o reconhecimento da China como economia de mercado, deve-se considerar que o país mantém relações diplomáticas e comerciais com o Brasil. "Além disso, a China foi considerada parceira pela missão dos deputados estaduais que visitaram o país no ano passado".
João Fischer finalizou afirmando que a preocupação em relação ao acordo que considera a China como economia de mercado deve ser de todo o país, e não somente dos gaúchos. O parlamentar propôs a criação de uma Frente Parlamentar Nacional, envolvendo deputados federais e estaduais de todos os Estados. "Temos que nos unir para chegarmos até a União Européia e discutirmos a respeito desse acordo", concluiu.
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