O presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos – CCDH, deputado Dionilso Marcon (PT) recebeu hoje (08/05), denúncia de tortura sofrida pelo jovem César Augusto do Canto Córdova, 18 anos, estudante Técnico em Telecomunicações. No dia 06/05, por volta das 8h, César se deslocava com sua motocicleta em direção a Porto Alegre para à sede da Trensurb, onde exerce a função de estagiário. Ainda em Canoas, errou uma das conversões que deveria fazer para deslocar pela Av. Guilherme Schell e acabou deslocando-se pela BR 116, nas imediações da divisa Porto Alegre - Canoas, junto à indústria de Adubos Trevo. César executou manobra de trânsito proibida – e reconhece ter cometido infração de trânsito - para abreviar o deslocamento até seu local de trabalho.
Neste momento, César foi flagrado por policiais militares do 11º BPM – Humaitá, que tripulavam uma viatura Fiat Pálio. Segundo denunciou, estes o alcançaram e, apontando arma ainda de dentro da viatura, gritavam: “... mãos na cabeça, vagabundo...”. Ao receber a abordagem policial, tinha consciência de que poderia receber eventuais penalidades por aquilo que transgredira das normas legais. Entretanto, o que aconteceu excedeu a tudo o que imaginava. Afirma que, rendido e sem ter esboçado nenhuma reação, um PM chamado Mazuco, já ao desembarcar lhe desferiu violento tapa no rosto e perguntou: “... onde tu jogou o cano (arma) ??...” . Mesmo que tenha mostrado atestado de freqüência em Curso Técnico de Eletrônica, o crachá de estagiário da TRENSURB, o contracheque e ponderado que não era bandido, continuou sendo tratado a pancadas e gritos.
A ação policial foi presenciada por dezenas de motoristas que transitavam na rodovia. Segundo relato do agredido, insatisfeitos por não o terem enquadrado em ilícito grave, os policiais militares ameaçaram guinchar a motocicleta, porém, comprovaram que os documentos estavam em dia e que não haveria motivo para tal. Mesmo assim, César afirma que foi algemado, jogado dentro da viatura e conduzido até o posto da Brigada existente no Bairro Humaitá. Esclarece que o PM Mazuco conduziu sua motocicleta.
César Córdova reconhece, também, que há muito tempo guardava na mochila quatro cartuchos de revólver, os quais existiam na sua residência. Justifica que andava com tal munição consigo para que o irmão de 9 anos de idade não a apanhasse. Afirma que desconhecia a gravidade de portá-las, entretanto, declarou que nunca teve qualquer arma. O presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos – CCDH, deputado Dionilso Marcon (PT), lamenta que agressões de todo o tipo em abordagens policiais já estão virando rotina no RS e que se a forma da “inteligência policial” buscar informações e essa, além do medo do aumento da criminalidade a sociedade também tem medo das ações de policia. “Será que os recentes casos de abordagens erradas não são suficientes para que se tome uma atitude no governo do Estado?”, questiona Marcon.
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