Empresas já cogitam a possibilidade de importar produtos da China ao invés de produzir no Brasil
"O Brasil não pode esperar mais nenhum dia para frear a entrada de mercadorias da China". A afirmação é do deputado João Fischer - Fixinha (PP), que esteve representando a Assembléia Legislativa na Francal, maior feira do setor coureiro calçadista da América Latina. De acordo com o parlamentar, além de dificultar a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, a atual situação do câmbio, com o real valorizado frente ao dólar, é um estímulo a importação de mercadorias, principalmente produtos chineses.
Segundo o deputado, a legislação cambial e tributária, que já resultou na demissão de mais de 20 mil trabalhadores do setor coureiro calçadista, neste ano, pode obrigar muitas empresas a terem que importar produtos chineses, ao invés de produzir no Brasil, como forma de sobrevivência, fato que foi confirmado por expositores na feira.
Fixinha critica a manutenção anunciada esta semana da taxa de juros em 19,75% ao ano. Esta taxa é o principal causador da desvalorização do dólar. " O governo apenas estimula o capital especulativo e não o investimento em produção", afirma. O deputado condena, também, a demora do governo em adotar medidas. "O que se percebe é uma grande indefinição, pois o governo parece não saber ao certo o que vai fazer diante da situação, pois nada faz para resolver o problema. Ao contrário, ainda reconhece a China como economia de mercado", enfatiza.
"Se o governo seguir estudando e demorar para implantar medidas, vai ampliar as conseqüências desastrosas à economia nacional", observa o deputado. Além dos setores coureiro calçadista e têxtil, setores como petroquímico, moveleiro, metal mecânico, brinquedos, automotivo e outros, já começam a sentir o crescimento das importações de produtos asiáticos. As indústrias estão reclamando do livre ingresso, subfaturamento, contrabando e da importação de produtos fora dos padrões.
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