ESCOLA DE DESPRINCESAMENTO
Procuradoria da Mulher reúne experiências de desconstrução do machismo em ambiente escolar
Francis Maia -MTE 5130 | Agência de Notícias - 18:25 - 23/03/2017 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Guerreiro

O  Seminário Escola de Desprincesamento - Formando Educadores, Educadoras e Estudantes para uma Educação sem Machismo, ouviu na tarde desta quinta-feira (23) profissionais e entidades que estão desenvolvendo módulos voltados para a desconstrução dos conceitos que historicamente limitam a condição feminina e empoderam os homens.

A iniciativa da deputada Manuela d’Ávila (PCdoB), responsável pela Procuradoria Especial da Mulher na Assembleia, reuniu no primeiro painel o projeto Escola Sem Machismo, da ONU Mulheres; O Desafio da Igualdade, da ONG Plan Brasil; e Meninas na Ciência, da UFRGS, oferecendo um panorama de ações estratégicas de enfrentamento do machismo aos mais de 600 profissionais da educação e estudantes que lotaram o Teatro Dante Barone. O presidente do Legislativo, deputado Edegar Pretto (PT), na abertura, destacou seu vínculo com o movimento da ONU, ElesPorElas, que incentiva o diálogo sobre o machismo entre os homens, reafirmando o compromisso com a construção de espaços para o empoderamento das mulheres na política.

Procuradora Especial da Mulher, a deputada Manuela d’Ávila explicou a ideia da discussão do ponto de vista do “desprincesamento” como possibilidade de desconstrução de preconceitos a partir do ambiente escolar, “para ajudar a transformar a realidade de opressão que as meninas e mulheres ainda sofrem em nosso país”. Adiantou que o seminário deverá se repetir em diversas cidades do interior do Estado.

Escola Sem Machismo
Pela ONU Mulheres, Amanda Lemos apresentou a campanha Escola Sem Machismo, estratégia do organismo internacional para acelerar a prevenção da violência contra meninas e mulheres. O Brasil está comprometido com as ações da ONU desde 1979, quando assinou o tratado da convenção sobre a eliminação da discriminação contra as mulheres e em 2015 concordou com a Agenda 2030, que prioriza a educação de qualidade e a garantia da igualdade de gênero. A Lei Maria da Penha, o marco nacional no enfrentamento da violência contra a mulher, define a promoção de ações educativas que, conforme observou Amanda, “a escola é o local privilegiado de discussão da igualdade de gênero porque possibilita a transformação”. Ela mostrou relatório da UNESCO deste ano que aponta o ambiente de violência de meninos e meninas em ambiente escolar. “Os fatores que mais aparecem são raça e gênero”, observou, evidenciando a precocidade da discriminação. A partir do encontro de especialistas e educandos em educação surgiu o currículo de gênero e raça focado no Ensino Médio, projeto que está em execução no Espírito Santo e em fase inicial na Bahia, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

O currículo surgiu a partir do mapeamento do machismo e comportamentos dentro da escola, valorizando percepções nacionais como os julgamentos morais das meninas ou avaliações de que 30% da população entende que “mulheres que não se dão ao respeito merecem ser estupradas”. Como mais de 70% das pessoas entendem que é possível mudar essa postura pela educação, o currículo tem seis planos de aula com temas como sexo, gênero e poder; violências e suas interfaces; estereótipos de gênero e esportes; estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia; estereótipos de gênero, carreiras e profissões; diferenças e desigualdades; e vulnerabilidades e prevenção. Amanda Lemos disse que a intenção é trazer o projeto para o Rio Grande do Sul. Ela mostrou outras iniciativas paralelas, como vídeo de um minuto produzido por escolas regionais que resultou no documentário Precisamos falar com os homens? A experiência da ONU está disponível no site www.onu.mulheres.org.br.

Por ser menina 
Polyanna Magalhães fez a exposição do projeto da Plan Brasil, ONG internacional que há 20 anos atua no Brasil focada na formação de crianças, jovens e adolescentes. A campanha mundial Por ser menina, que enfatiza o direito das meninas e suas dificuldades em exercê-lo, conduz as ações da instituição. “O desafio é a escola sem machismo mas olhando o desafio da igualdade”, disse Pollyanna, porque “a educação desigual parte da concepção de que os meninos são estimulados para o poder e as meninas voltadas para o casamento, a maternidade e o cuidado com a casa como objetivo de vida”. A campanha procura descontruir esse estereótipo das meninas desde a infância.

Os dados da Plan Brasil, de 2013, com mais de 1.700 meninas em cinco regionais, inclusive Porto Alegre, são claros: 76% delas lavam a louça e os irmãos, 12,5%; 65% delas limpam a casa e os irmãos, 11,4%; 3,7% das meninas contaram que trabalham fora de casa, submetidas ao trabalho infantil; de cada cinco meninas pesquisadas, uma conhece outra que foi vítima de violência. O desafio da igualdade proposto pela Plan Brasil foi reunindo em Oito coisas que as crianças precisam saber sobre gênero: respeito e não discriminar; meninos têm direito a expressar suas emoções; não existem brinquedos de meninos e meninas; cuidados da casa são responsabilidade de pessoas e não só de meninas; elas têm direito a espaço público; ninguém tem direito de tocar numa criança sem sua autorização; o machismo é ruim para meninos e meninas; e meninos e meninas têm a mesma capacidade de entender. As ideias da Plan Brasil podem ser acessadas no endereço https://plan.org.br/

 Meninas na Ciência
A astrofísica Daniela Pavani, professora de Física da UFRGS, relatou a experiência com as escolas na discussão de gênero e a pouca presença feminina em espaços como as ciências exatas. Meninas na Ciência é um programa de extensão do Instituto de Física da Universidade, em funcionamento desde 2013, e surgiu do programa Observatório Educativo Itinerante.

Daniela começou como estudante dentro do conceito de aproximação do mundo acadêmico da comunidade, onde percebeu a grande curiosidade das crianças com o mundo da astronomia e o acanhamento, especialmente das meninas, ao longo da trajetória escolar. Em 2013 o CNPq, por ação de mulheres pesquisadoras, liberou recursos para projetos em ciência e engenharia e o edital foi direcionado para a área de ciências da computação, “área que a cada ano diminui a presença das mulheres”, lamentou.

 Do Ensino Médio o projeto foi para as séries iniciais, “para pensar o quanto os estereótipos de gênero influenciam as escolhas das mulheres na profissão”. Mostrou vídeo de escola inglesa em que os alunos identificam profissões como bombeiro, piloto de caça ou policial, dando-lhes nomes e características e, convidados para a sala de aula, as meninas foram surpreendidas quando viram que mulheres exerciam essas atividades. Pavani mostrou outro dado, também de pesquisadores, em que “meninas de seis anos já não se consideram inteligentes e redirecionam seus interesses baseadas nesse sentimento”. Ainda mais surpreendente, disse Daniela, foi a constatação da forma como aquelas que resistem e seguem as carreiras desafiadoras são avaliadas. Pesquisa nos EUA reuniu 127 currículos iguais, divididos metade masculinos e metade femininos.  Os nomes foram trocados, e enviados para 63 pesquisadores. Na avaliação para trabalhar em laboratório de pesquisa, obtiveram o seguinte resultado: os currículos masculinos foram avaliados como mais competentes, melhor capacidade de empregabilidade e mais capazes de serem orientados no laboratório, além de oferecimento de salário 20% superior; aos nomes femininos foi atribuído que eram simpáticos. Ela apontou ainda a realidade das mulheres nesse meio: de100 pessoas que concluem a graduação, apenas 15 se formam em cursos relacionados com a ciência e tecnologia; destes 15, apenas cinco são mulheres.

Meninas na Ciência, portanto, “busca atrair meninas para as carreiras de ciência e tecnologia e estimular para que persistam e se tornem agentes de desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil”, finalizou, apreensiva porque as restrições de verba do MEC ameaçam a iniciativa. Gurias, partiu UFRGS e Lugar de mulher, parcerias com a UFRGS TV, formam a ofensiva de programas da universidade para estimular a presença das mulheres nessa área. Daniela mostrou, ainda, a contribuição das mulheres cientistas no cotidiano através de objetos por elas inventados, como o filtro de café, vidro antirreflexo, impermeabilizante de tecidos, lava-louças, e o limpador de para-brisas. No endereço https://www.ufrgs.br/meninasnaciencia/ é possível acessar mais informações.

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Procuradoria da Mulher promove seminário sobre desprincesamento e educação sem machismo

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