PROCURADORIA ESPECIAL DA MULHER
Painel aborda a educação não sexista para a equidade entre homens e mulheres
Letícia Rodrigues - MTE 9373 | Agência de Notícias - 18:30 - 23/03/2017 - Edição: Celso Bender - MTE 5771 - Foto: Guerreiro
A mediação do painel foi da jornalista Vera Daisy Barcellos
A mediação do painel foi da jornalista Vera Daisy Barcellos

O segundo painel do seminário “Escola de Desprincesamento – formando educadores, educadoras e estudantes para uma educação sem machismo” tratou da educação não sexista como base para a equidade entre homens e mulheres. A atividade, promovida pela Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia gaúcha, foi realizada na tarde desta quinta-feira (23), no Teatro Dante Barone.

No começo do painel, foi apresentado um vídeo da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), procuradora da mulher do Senado Federal, que não pode estar presente no evento. “A educação é fundamental na formação da cidadania e precisamos construir uma sociedade de iguais. Trabalhamos para mudar as leis mas é preciso também mudar a cultura da sociedade”.

A mediação do painel foi da jornalista Vera Daisy Barcellos. Ela sugeriu que a Procuradoria Especial da Mulher também realize um evento em que a pauta das mulheres negras seja incluída.

Ativismo digital
A primeira convidada a falar foi a escritora Clara Averbuck, que abordou o tema “Ativismo digital e combate à cultura do machismo”. Ela contou um pouco de sua trajetória como escritora, lembrando que se tornou feminista após já ser escritora. “Muitas coisas que aconteceram no começo da minha carreira fizeram sentido depois que conheci o feminismo”, lembrou, informando que começou a publicar na internet aos 17 anos e que, na época, não lhe passava pela cabeça que os ataques e críticas que sofria eram pelo fato de ser mulher. Clara tem uma filha de 13 anos e também falou sobre como foi percebendo o machismo dentro da escola, com os papéis pré-definidos de gênero, como o uniforme. “Machismo é uma norma da sociedade e o que acontece na escola é um reflexo disso. Mas essas situações de machismo na escola não podem ser normalizadas”, defendeu.

Ela lamentou que, quando se fala de gênero e machismo, como foi o caso do evento, a maioria de participantes seja de mulheres. “Parece que os homens não estão interessados em discutir esse assunto. Eu gostaria que eles participassem mais dessa discussão”, avaliou.

A escritora ainda falou sobre o site Lugar de Mulher, que criou em 2014, um dos primeiros que abordou o feminismo aplicado. “É um site para mulheres, feito por mulheres feministas que abordam vários assuntos”, definiu. Segundo ela, nos últimos cinco anos, o tema foi ganhando mais espaço com a criação de sites, coletivos e eventos a partir do momento em que as mulheres começaram a conversar entre si e perceber a semelhança de suas demandas. “Precisamos criar as meninas para serem protagonistas de suas vidas”, finalizou.

Gênero
A professora doutora da Faculdade de Educação da UFRGS, Jane Felipe de Souza, destacou alguns conceitos importantes para a discussão de “Gênero e Diversidade na Escola”. Começou pensando no que consiste ser uma princesa, já que o evento fala do desprincesamento. “Elas devem ser bonitas, magras, elegantes, delicadas, meigas e precisam de um príncipe ou um rei que as protejam, as conduzam e as salvem”, explicou, destacando os atributos esperados das princesas de conto de fadas.

E como desprincesar? Para a pesquisadora, é preciso tornar visível todas estratégias perversas que aprisionam as mulheres num determinado jeito de ser, reconhecer suas capacidades (estudos e independência financeira) e investir em instrumentos e estratégias que promovam a equidade de gênero na escola.

Para isso, é preciso, conforme Jane, que haja investimento na formação docente continuada e de forma aprofundada, que se desenvolvam pesquisas sobre o tema para embasar políticas públicas e que se firmem parcerias entre o poder público e entidades.

Escola de Desprincesamento
A educadora e terapeuta sexual Lisiara Rocha, apresentou a Oficina de Desprincesamento. Conforme ela, o princesamento é uma construção baseada no machismo, no patriarcado, na ideia de amor romântico, no estereótipo de beleza. “Precisamos desconstriur esses pré-conceitos e fazer com que as meninas olhem para isso com um olhar reflexivo. Os meninos também precisam ter esse olhar reflexivo, mas a urgência maior é entre as meninas. É preciso fazer com que as meninas se empoderem desde cedo, para poderem dizer não e dizerem o que querem e não querem”, afirmou.

O termo desprincesamento, explicou, significa demonstrar que as meninas e as mulheres podem ser o que quiserem e estar onde quiserem, sem rótulos, sem julgamentos. Informou que o termo surgiu na Espanha, em 2012, em oficinas para mulheres e teve repercussão quando, no Chile, entre 2012 e 2016, desenvolveu atividades para meninas.

Lisiara contou como as oficinas são desenvolvidas. Elas destinam-se a meninas de 9 a 15 anos, com duração de aproximadamente 15 horas. O primeiro conceito trabalhado é o da sororidade e a primeira ação é as meninas descreverem como elas se veem. Depois, é feito um paralelo com a visão que elas têm do universo das princesas. Através disso, as meninas percebem como há uma distinção entre homens e mulheres, a questão da ditadura da beleza, a ideia do amor romântico. Outro aspecto trabalhado na oficina é a prevenção à violência, empoderando as meninas em relação ao seu corpo, ao consentimento e saber dizer não.   

Municípios
A prefeita de Cristal, Fabia Richter, foi a última convidada a falar no evento. Ela abordou o tema “Educação pela igualdade nos Municípios”. A administradora municipal começou falando que no mandato anterior, eram 39 prefeitas no RS e agora são 34.

Explicou que em seu mandato optou pela educação como prioridade e no cuidado da pessoa. “Preferimos cuidar das pessoas muito mais do fazer obras”, definiu.

A prefeita falou sobre a violência que as mulheres enfrentam diariamente, seja ela verbal, física ou moral. Questionou como podem as mulheres ocuparem os espaços antes dominados pelos homens e seguirem o mesmo modelo. “Não podemos ocupar um espaço sem fazer diferença”, defendeu. Também perguntou como pode uma sociedade em que as pessoas são educadas majoritariamente por mães e educadoras criar pessoas tão violentas.

Defendeu que as mulheres precisam se unir para criar espaços onde possam ser acolhidas e discutir suas questões. Lembrou que, em 2016, a Famurs realizou o 1º Congresso das Mulheres, para estimular as mulheres a disputarem as eleições e não serem simplesmente laranjas.

Por fim, disse que as mulheres precisam ter coragem para enfrentar e mudar suas realidades. “Precisamos nos unir, cada uma lutando as suas lutas”, defendeu.

Encerramento
Ao encerrar o evento, a procuradora especial da mulher da ALRS, deputada Manuela d’Ávila (PCdoB), disse que o seminário é resultado da necessidade brutal que ela vem percebendo de criar espaços para que as mulheres falem. "Quando nós falamos, já é um ato de desprincesamento das meninas, pois muitas vezes nos calamos", afirmou. A parlamentar disse ainda que a Procuradoria seguirá na luta para que o lugar da mulher seja onde ela quiser e que seus direitos sejam respeitados.

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Procuradoria da Mulher promove seminário sobre desprincesamento e educação sem machismo

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