COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA E COOPERATIVISMO
Deputados e setor agropecuário debatem retirada da vacina contra febre aftosa no RS
Vicente Romano - MTE 4932 | Agência de Notícias - 17:33 - 11/07/2019 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Vinicius Reis

A Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo debateu a possibilidade de retirada da vacina contra febre aftosa nos rebanhos gaúchos em audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (11). O tema foi proposto pelo deputado Rodrigo Lorenzoni (DEM), veterinário, ex-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária Gaúcha. A audiência contou com a presença de autoridades sanitárias, veterinários, fiscais agropecuários e produtores rurais. Se por um lado, representantes do Ministério, Secretaria Estadual da Agricultura e Funasa asseguram que o RS vive um momento de grande oportunidade e expectativa com a evolução de status sanitário para zona livre febre aftosa sem vacinação, produtores rurais se mostraram cautelosos e inquietos com a suspensão da vacina.

“O debate técnico buscando a segurança na tomada de decisão sobre a retirada da vacina é o caminho a ser trilhado”, observou Lorenzoni após mais de três horas de debate. Para ele, a cautela é consenso entre autoridades sanitárias e entidades representativas do setor, apesar da necessidade de avanço do status sanitário gaúcho. Atualmente, o estado é reconhecido como zona livre de febre aftosa com vacinação. O parlamentar informou que a Assembleia vai esperar o resultado da inspeção que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) procederá no próximo semestre para propor nova rodada de discussão sobre o assunto. “Precisamos superar gargalos, como o banco de vacinas/antígenos e a continuidade de recursos orçamentários para a defesa sanitária. Só então, com segurança, poderemos tomar uma decisão que é um importante passo na consolidação da cadeia produtiva da carne e na busca de novos e melhores mercados internacionais”, destacou.

Passos necessários para a transição
O superintendente do Mapa no RS, Bernardo Todeschini, expôs um panorama com a evolução histórica do controle da doença na América Latina e o Plano Estratégico para Erradicação da Febre Aftosa no país. Ele descreveu os objetivos e a estrutura do Plano e explicou os critérios e o cronograma a serem adotados no estado para retirada da vacinação, além dos riscos e vigilância após a tomada da decisão. O médico veterinário mostrou os caminhos para o reconhecimento internacional de zona livre da doença sem vacinação.

Também a representante da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Rosane Colares, apresentou um cronograma para transição de status sanitário. Rosane narrou minuciosamente as atividades oficiais de vacinação da Secretaria, salientando que a decisão pela suspensão da vacinação depende do trabalho técnico do Departamento de Defesa Agropecuária para implementação e manutenção de controle da enfermidade, e também do interesse e comprometimento dos setores produtivos com a sustentabilidade do programa. Ela ainda comparou a segurança do status sanitário atual com as vantagens da retirada da vacina em termos de credibilidade da cadeia produtiva. Ela também elencou projetos da Secretaria sobre o tema, que tratam desde a educação sanitária até a vigilância ativa e a defesa junto às áreas de fronteira do RS.

Já o presidente da Fundação de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Rogério Kerber, registrou os investimentos feitos em informatização e em reformas de inspetorias veterinárias no estado. Kerber defendeu que a decisão seja tomada com segurança e levando em conta a opinião técnica.

No mesmo sentido se manifestaram o presidente do Sindicato Nacional das Indústria de Produtos para Saúde Animal, Emílio Salani; o representante da Farsul, Luiz Alberto Pila Pinheiro; o presidente da Federação Brasileira de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Leonardo Lamarchia. Todos afirmaram serem a favor da suspensão da vacinação, desde que realizada com cautela e tendo como base as avaliações técnicas.

CRMV: RS ainda é vulnerável à doença
A presidente do Conselho de Medicina Veterinária do RS, Lizandra Dornelles, disse não acreditar que este seja o melhor momento para interrupção da vacina. Para ela, as condições financeiras do estado não dão garantia de investimentos no setor. Ela considerou, ainda, que o RS está vulnerável para os riscos da doença através de javalis. Já o presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários, Antônio Augusto Medeiros, falou sobre a valorização dos profissionais ligados ao setor, com mais recursos para evolução do trabalho técnico de acompanhamento e segurança sanitária.

Produtores apontam fragilidade
Três produtores rurais também se pronunciaram no evento. Rafael Peixoto, da Coopatrigo, relatou que na região fronteiriça entre Missões e a Argentina não há vigilância do trânsito de animais. Francisco Berta Canibal, representando o jornal Minuano, de Alegrete e o Rotary Club de São Jerônimo, fez questionamentos sobre bioterrorismo, insegurança e banco genético. A produtora rural Cristina Maurente, de Bagé, defendeu a manutenção da vacina e apontou os riscos e prejuízos dos produtores com uma possível retomada da enfermidade. Além disso ela afirmou que o RS não precisa procurar outros mercados internacionais, se consolidar e ampliar o as exportações para os atuais parceiros.

Parlamentares
O deputado Elton Weber (PSB) disse que é favorável à mudança de status sanitário, desde que se tenham todas as condições de segurança antes da decisão. O deputado Sérgio Turra (PP) defendeu a suspensão da vacinação. A repeito do pedido do estado do Paraná para que seu território seja considerado livre de aftosa sem vacinação, e o provável isolamento gaúcho, o deputado citou que “boi lerdo bebe água suja”. Adolfo Brito (PP), presidente da Comissão de Agricultura, falou sobre a importância da retirada da vacinação para o setor de carnes do RS. O deputado Ernani Polo (PP), ex-secretário da Agricultura, reconheceu o trabalho técnico do Mapa, Secretaria da Agricultura e Fundesa para a evolução do status sanitário. Também para ele, a decisão política deve estar baseada no que diz a área técnica sanitária. O deputado Carlos Búrigo (MDB) sugeriu que a Assembleia trabalhe com o compromisso de conservar e ampliar investimentos para a defesa sanitária.

© Agência de Notícias
Reprodução autorizada mediante citação da Agência de Notícias ALRS.
© Agência de Notícias
As matérias assinadas pelos partidos políticos são de inteira responsabilidade dos coordenadores de imprensa das bancadas da Assembleia Legislativa. A Agência de Notícias não responde pelo conteúdo das mesmas.
Versão de Impressão
Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo-Audiência Pública

PESQUISA DE NOTÍCIAS
Termo
Período
   


TV Assembleia
Rádio Assembleia
CONSCIÊNCIA NEGRA
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA
COMISSÕES DE ECONOMIA E DE FINANÇAS
COMISSÃO DE SAÚDE E MEIO AMBIENTE
» Veja mais

Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul - Praça Marechal Deodoro, 101 - Porto Alegre/RS - Cep 90010-300 - PABX (51) 3210.2000
Horário de atendimento: das 08:30 às 18:30