COMISSÃO ESPECIAL
O GHC tem o maior número de pacientes em oncologia pediátrica no RS
Luciano Medina Martins - MTE12262 | DEM - 17:41 - 02/12/2019 - Foto: Victor Silveira

Nesta segunda ( 2), às 9h30, como parte das atividades da Comissão do Câncer Infantil e Adolescente no RS, deputados do ALRS realizaram visita técnica ao Grupo Hospitalar Conceição. Foram recebidos pelos membros da equipe de oncologia, hematologia e oncologia pediátrica; Dr. Marcelo Capra (hematologia e oncologia adulta), Dra. Daniela E. Roth Benincasa (oncologia pediátrica), Dr. Pedro Paulo Albino dos Santos (oncologia pediátrica). A comitiva da Comissão Especial do Câncer Infantil e Adolescente no RS foi formada pelo presidente da comissão, deputado Dr. Thiago Duarte (DEM) e pela relatora, deputada Franciane Bayer (PSB), mais assessores dos deputados Fabio Branco (MDB) e Capitão Macedo (PSL). Os deputados foram recepcionados pelo diretor administrativo do GHC, Dr. Francisco Paz, e pelo superintendente do GHC, Dr. André Cechinni.

A visita técnica, que durou perto de 3 horas, começando com uma apresentação do Dr. Marcelo Capra sobre os número da oncologia no GHC. “Atendemos metade dos casos de câncer em Porto Alegre. Sendo que 60% deles tem diagnóstico em fase avançada e se constituiu na 2ª causa de morte no RS e os pacientes tem que ser tratados em centros com capacidade para tratamentos de alta complexidade” alertou Dr. Capra. “O diagnóstico tardio tem altos custos sócio econômicos, dobra os custos e reduz a chances de cura, ou seja, gastamos mais e curamos menos. Por isso devemos fazer todos os esforços para diagnosticar e tratar precocemente o câncer”. Outra situação abordada por Capra foi a judicialização e o custo de tratamentos de saúde, o que é quando os pacientes recorrem à justiça para obterem tratamentos e medicamentos. “Existe uma escalada de preços para tratamentos, o que os torna impagáveis, nenhum país está confortável com isso” enfatizou.

O oncologista ainda alertou para a “gigantesca dificuldade” com o transplante de medula, “mandamos pacientes para Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo, por que não há leito, o paciente acha um doador e demora até 6 meses para conseguir um leito, neste meio tempo e ele morre” concluiu Capra. “Por isso estamos trabalhando na expansão da área para atender o transplante de medula. A gente recebe pacientes de todo o RS, a maioria do região metropolitana e litoral. Os pacientes de áreas mais afastadas que vem para o GHC são os mais complexos, é o que se espera de centros de tratamento menores, que encaminhem as situações mais complexas”, informou Capra. “40% das sessões de quimioterapia são feitas aqui no Conceição” completou. 

Na sequência a Dra. Daniela E. Roth Benincasa (oncologia pediátrica), fez a apresentação específica do câncer infantil, “o tratamento de oncologias pediátricas e adultas é diferente, é importante que se entenda que são doenças com origens diferentes” explica Dra. Daniela, “o nosso serviço é um serviço misto, oncologia e hematologia pediátricas na mesma área” completou Dr. Pedro dos Santos. “As crianças fazem tumores de origem embrionária, temos pacientes acima de 14 anos que desenvolvem estes tumores. (...) O nosso hospital de pediatria é um hospital geral, trabalhamos muito com a multidisciplinaridade não só nas especialidades médicas mas também com assistentes sociais, psicólogos, educadores e nutricionistas. (...) nosso serviço de oncologia é de média e alta complexidade” explica Dra. Daniela. “A nossa área física foi reformada com uma parceria com o Instituto do Câncer Infantil, com áreas mais humanizadas” frisou a oncologista pediátrica. “Temos uma média mensal de 25 procedimentos por mês, a maioria apresentam leucemias e linfomas que precisam estar no bloco cirúrgico para fazer estes procedimentos“ completou a Dra. Daniela. “Nosso hospital dia também tem um funcionamento importante, para as intercorrências (...) atendemos cerca de 2650 consultas em hematologia pediátrica e 2403 consultas de oncologia pediátrica ano” informou Dra. Daniela com dados de 2019. “Os atendimentos vem aumentando, são doenças raras mas prevalentes, dependemos muito do diagnóstico precoce, feita por outros médicos e via emergência pediátrica, são cerca de 32 novos casos por ano atendidos aqui” destacou Dra. Daniela sobre ao números do GHC. “Na medida em que temos aumentado a sobrevida dos pacientes também surgem mais acompanhamentos dos efeitos tardios da quimioterapia, até a fase adulta (...) na oncologia pediátrica temos conseguido em 24h diagnosticar e iniciar o tratamento, o que é um tempo bom” comenta a oncologista. “Uma das particularidades é que as crianças precisam de cateter implantado para fazer a quimioterapias, diferente dos adultos que podem fazer a quimioterapia periférica” destaca Dra. Daniela. “É importante formarmos pediatras, médicos para os sintomas da doença, pois podem identificar as leucemias mais rapidamente, por isso recebemos também residentes de oncologia adulta, a formação do médico na residência é importante (...) também precisamos alertar a população sobre sinais e sintomas” concluiu a Dra. Daniela.

Objetivos das Vistas Técnicas

A intenção é coletar elementos para que se entenda melhor o contexto do atendimento em oncologia pediátrica no RS e assim aprimorar o modelo de atendimento. Foram visitados o HGCXS (Hospital Geral de Caxias do Sul), o HUSM (Hospital Universitário de Santa Maria), o HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre). O plano de trabalho prevê a vista a todos os 7 centros de referência em oncologia pediátrica do RS. Já foram feitas quatro destas visitas a hospitais que são referência em oncologia pediátrica.  Ainda será visitado o HSL (Hospital São Lucas). Todos os 22 deputados membros da Comissão Especial do Câncer Infantil e Adolescente no RS estão convidados para compor esta comitiva. 

“Estamos trabalhando para entender cenário do câncer infantil, os gargalos e por que crianças e adolescentes por vezes não tem o acesso a centros de referência” explica o presidente, deputado Dr. Thiago. São 7 os centros de referência em oncologia pediátrica no RS. Quatro em Porto Alegre: Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Hospital Conceição, Hospital Santo Antônio da Santa Casa de Misericórdia e Hospital São Lucas (PUCRS). Três centros de referência em câncer infantil são no interior do RS: Hospital Universitário de Santa Maria, Hospital Geral de Caxias do Sul e Hospital São Vicente de Paulo em Passo Fundo.

“Temos por ano, em dados oficiais, mais de 600 casos novos de câncer infantil. Muitas destas crianças não chegam aos leitos disponíveis em centros de referência o que diminui a sobrevida e aumenta a morbidade” informa Dr. Thiago. Segundo o Instituto do Câncer Infantil as crianças tratadas nos centros de referência tem um resultado positivo no tratamento mais alto, chegando a 70% a sobrevida destes pacientes, para as crianças tratadas fora dos centro de referência a sobrevida cai para 30%. “Precisamos mudar o fluxo dos pacientes, levarmos mais informação ao atendimento básico sobre os primeiros sintomas” concluí Dr. Thiago Duarte.

"O que temos visto, infelizmente, nas visitas aos centros de referência, é que os 7 centros no RS realmente atendem a maioria, mas existe uma grande grupo, principalmente entre adolescentes, que acabam ficando represados nestes centros de tratamento de adultos. Que não são apropriados para atender adolescentes, pois o câncer do infantil é completamente diferente do câncer adulto" afirmou o presidente da comissão, deputado Dr. Thiago, sobre as visitas anteriores.

 Para ver as apresentações feitas durante a visita técnica acesse a área do Comissão Especial do Câncer Infantil no site do ALRS neste link http://www.al.rs.gov.br/legislativo/Comissoes.aspx?IdComissao=443

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