SAÚDE
Comitiva de ALRS é recebida pelo Ministro da Saúde
Luciano Medina Martins - MTE12262 | DEM - 15:31 - 14/02/2020 - Foto: Luciano Medina Martins
Deputados entregam ao Ministro da Saúde minuta de relatório
Deputados entregam ao Ministro da Saúde minuta de relatório
Nesta quinta-feira (13), às 14h, como parte das atividades da Comissão do Câncer Infantil e Adolescente no RS (CECIA), deputados da Assembleia Legislativa tiveram audiência com o Ministro da Saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta. A comitiva de parlamentares apresentou a minuta do relatório das atividades da CECIA, que será prefaciada pelo Ministro Mandetta.
 
Por mais de uma hora a comitiva composta pelo presidente da CECIA, o deputado Dr. Thiago Duarte (DEM), a relatora deputada Franciane Bayer (PSB) e o membro titular deputado Fábio Branco (MDB) conversou com o Ministro Mandetta sobre o contexto do atendimento em câncer infantil no Rio Grande do Sul e no Brasil. O deputado Dr. Thiago Duarte abriu as conversações descrevendo o que foi observado nas visitas técnicas. "O Estado do RS apresenta em torno de 600 casos novos anos, 130 casos novos em dois anos, já se apresenta como a doença que mais mata crianças no RS, fora causas externas e problemas congênitos, esta é a doença que mais mata" explicou Dr. Thiago. "Temos 7 centros de referência, 4 em Porto Alegre e 3 no interior, sendo o Grupo Hospitalar Conceição o que mais atende em oncologia" destacou. "Quando observamos os números vemos que a capacidade de atendimento já implementada nos 7 centros de especialidade pode dar conta de até 2000 novos casos por ano. O problema é que muitas destas crianças ficam retidas em centros oncológicos adultos que acabam atendendo crianças sem onco-pediatra e sem protocolo, que não tem especialidade em atendimento pediátrico, o que aumenta enormemente a morbidade e mortalidade" explicou o deputado.
 
A partir dos números do Instituto Nacional do Câncer (INCA) colhidos entre 2014 e 2017, se pode identificar que dos 1335 casos registrados, 219 atendimentos aconteceram fora dos centros de referência especializados. "Nestes centros onde não há oncologista pediátrico, não são seguidos os protocolos de atendimento e isto impacta absurdamente no aumento da mortalidade, a ponto do Estado ter uma mortalidade em câncer infantil muito mais alta do que o estado de Pernambuco, que vistamos" frisou Duarte. "Isto nos fez levantar algumas questões, como a necessidade da presença do oncologista pediátrico, sabemos que o Dr. Cláudio Galvão, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica já trouxe esta questão ao ministério. Há a necessidade de se fazer de alguma forma que estes centros sem especialidade não recebam estes pacientes, pois estes centros acabam sequestrando estes pacientes, sem ter condições de tratar adequadamente, em função do pagamento" afirmou Dr. Thiago. "Para vetarmos a que estes centros sem oncologista pediátrico recebam pacientes de pediatria precisamos ter a certeza de que os 7 centros de especialidade possam absorver os pacientes" lembrou a deputada Franciane Bayer.  
 
O Ministro da Saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta, que é ortopedista pediatra, contextualizou seus comentários a partir de sua experiência positiva de regulação, tratamento e de apoio do 3º setor na cidade de Campo Grande, onde foi secretário da saúde. "O câncer infantil é uma patologia danosa esquecida, é foram do escopo de raciocínio dos médicos, que não pensam que pode haver câncer na criança. Existe uma entidade chamada AACC (Associação de Apoio à Criança com Câncer), eles começaram como uma casa de apoio, a sociedade abraça muito este tipo de causa, o câncer já tem um apelo, o câncer infantil tem muito mais ainda, não tem um empresário que não apoie uma causa destas em Campo Grande. Brinquedoteca, computadores, contratação de oncologistas pediátricos, eles passaram a complementar. Quando me buscaram na secretaria, inclusive com uma verba do Instituto Ronald McDonald, sugeri que fosse investido no aumento do diagnóstico mais precoce, pois o item mais dramático na infância é o tempo. O metabolismo da criança é muito acelerado, então na criança o câncer é maligno mesmo. Eu sou ortopedista pediatra, se uma criança reclama de dor na perna a noite, que é uma queixa comum, é também comum que se levante que é uma dor do crescimento, só que isto deve ser um diagnóstico de exclusão, depois de se fazer um exame de sangue, pode ser a primeira manifestação de uma leucemia, então só se pode fazer o diagnóstico de dor de crescimento depois de descartadas as outras possibilidades. Já vi sarcoma apresentar como sintoma dor na perna, que já tinham passado por dois colegas que diagnosticaram como dor de crescimento" relatou o Ministro Dr. Mandetta para salientar a necessidade da capacitação para os sintomas precoces do câncer infantil para os médicos se saúde básica e todas as equipes de saúde da família, com conteúdo específico para agentes comunitários, enfermeiros e médicos.
 
"A saúde básica é a porta de entrada" frisou o Ministro. "As queixas genéricas, como dor na perna, cansaço, urina escura, já devem motivar o hemograma, o VHS, examinar, se for o caso radiografar e encaminhar para o centro de especialidade" sugere o Ministro como estratégia para minorar erros e reduzir o tempo entre a suspeita, o diagnóstico e o início do tratamento. "A maioria das crianças que vem a óbito tem o diagnóstico muito tardio" lembrou o Ministro Mandetta. A revisão de uma política para o câncer infantil "deve acontecer na atenção primária, atenção secundária e atenção terciária" avalia Mandetta, "chama o secretário da saúde, as entidades não governamentais, como maneira de superar as resistências. Existem várias maneiras de enfrentar a situação, mas é importante legitimar esta política, através de uma lei estadual, para que haja continuidade" recomenda o Ministro. "Um diagnóstico precoce bem feito paga o programa inteiro de diagnósticos precoces" calcula Mandetta. "A questão do diagnóstico tardio e da atenção básica foi trazida a tona em várias das visitas que fizemos no RS e no Brasil" recordou a relatora deputada Franciane Bayer. "Fazer os agentes de saúde pensarem que isto pode ser um câncer infantil, pode ser uma leucemia" completou Mandetta sobre a necessidade da capacitação. "Em Pernambuco capacitaram todo o interior de Pernambuco e criaram um Ambulatório de Parecer, e assim reduziram muito a sobrevida, a regulação faz depois nestes casos" afirmou Dr. Thiago Duarte. 
 
Ainda foi discutido com o Ministro da Saúde Dr. Luiz Henrique Mandetta, sobre a necessidade de que a atividade de oncologista pediátrico seja reconhecida como especialidade, o que é um pleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica.
 
Objetivos da Comissão Especial do Câncer Infantil e Adolescente no RS
“Estamos trabalhando para entender cenário do câncer infantil, os gargalos e por que crianças e adolescentes por vezes não tem o acesso a centros de referência” explica o presidente, deputado Dr. Thiago. São 7 os centros de referência em oncologia pediátrica no RS. Quatro em Porto Alegre: Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Hospital Conceição, Hospital Santo Antônio da Santa Casa de Misericórdia e Hospital São Lucas (PUCRS). Três centros de referência em câncer infantil são no interior do RS: Hospital Universitário de Santa Maria, Hospital Geral de Caxias do Sul e Hospital São Vicente de Paulo em Passo Fundo.
 
“Temos por ano, em dados oficiais, mais de 600 casos novos de câncer infantil, pelas tendências estatísticas que temos apreendido este número pode chegar a 1200 novos pacientes por ano. Muitas destas crianças não chegam aos leitos disponíveis em centros de referência o que diminui a sobrevida e aumenta a morbidade” informa Dr. Thiago. Segundo o Instituto do Câncer Infantil as crianças tratadas nos centros de referência têm um resultado positivo no tratamento mais alto, chegando a 70% a sobrevida destes pacientes, para as crianças tratadas fora dos centros de referência a sobrevida cai para 30%. “Precisamos mudar o fluxo dos pacientes, levarmos mais informação ao atendimento básico sobre os primeiros sintomas” concluí o parlamentar.
 
"O que temos visto nas visitas aos centros de referência é que os 7 centros no RS realmente atendem a maioria, mas existe um grande grupo, principalmente entre adolescentes, que acabam ficando represados nestes centros de tratamento de adultos. Que não são apropriados para atender adolescentes, pois o câncer do infantil é completamente diferente do câncer adulto" afirmou o presidente da comissão sobre as visitas anteriores.
 
A comissão pretende a partir da finalização do relatório final fazer encaminhamentos que atendam pacientes e instituições voltadas para a Oncologia Pediátrica. "Não precisamos de bilhões de reais, mas precisamos de vontade política e organização. Muitas crianças com câncer seguem morrendo à toa ou para satisfazer interesses locais. Precisamos mostrar essa realidade e modificá-la" afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica.
 
Audiência Pública vai dar visibilidade as atividades da CECIA
Dia 19 de fevereiro no Espaço de Convergência Adão Pretto (térreo do Palácio Farroupilha – Praça Marechal Deodoro, 101 Porto Alegre/RS - Centro Histórico) a partir das 18h30 acontece a audiência pública da Comissão Especial do Câncer Infantil no RS que pretende prestar contas das atividades da CECIA e debater sobre os possíveis encaminhamentos a constarem no relatório final.
 
Para mais informações sobre a CECIA temos um hotsite dentro do portal da Assembleia Legislativa com informações completas sobre os 22 membros da CECIA e as atividades da comissão. http://www.al.rs.gov.br/legislativo/Comissoes.aspx?IdComissao=443
 
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