EDUCAÇÃO
Professores criticam ações do governo estadual em reunião da Comissão de Educação
Sheyla Scardoelli* - MTE 6727 | Agência de Notícias - 14:20 - 03/03/2020 - Foto: Guerreiro

Professores e diretores de 28 escolas estaduais do Rio Grande do Sul foram ouvidos na manhã desta terça-feira (3) pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia no período de assuntos gerais. As manifestações se dividiram em dois assuntos: fechamentos de turnos e turmas nas escolas estaduais e a demissão de vigilantes. A mediação das falas foi feita pela presidente da Comissão, deputada Sofia Cavedon (PT).

As políticas de educação do governo estadual foram questionadas e criticadas por todos que se manifestaram. Sobre o fechamento de turnos, a professora da Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Nossa Senhora do Rosário, Mirian Torres, afirmou que o impacto será enorme para os jovens de Rosário do Sul. “A nossa escola também é um espaço que mantém os alunos longe da violência e das drogas. Em um único turno, é impossível fazer o atendimento e ter a estrutura física para atender 300 jovens. O fechamento é um crime contra a educação”.

A merenda escolar foi outro ponto ressaltado na fala dos educadores. Shirley Rejane da Silva, diretora da EEEF Padre José Anchieta de Rosário do Sul, reforçou a perda da qualidade do serviço oferecido às crianças. “A precarização vai retirar os direitos de crianças carentes, que não terão merenda de qualidade, nem educação. Muitas crianças vão para a escola para comer a merenda, pois não tem alimentação em casa. Tudo isso só vai aumentar a evasão escolar e a criminalidade”.

Não só do interior do estado ocorreram manifestações. Segundo Rosane Lattuada, diretora da EEEF Professor Carlos Rodrigues, de Porto Alegre, a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) sequer comunicou o fechamento de turno na escola. “Não houve o comunicado de fechamento de turno, mas sim o bloqueio no sistema de matrículas para o turno da tarde. Então, o governo estadual sequer dialoga conosco”. A diretora citou as melhorias realizadas no local nos últimos quatro anos. “Tivemos reformas para melhorar a acessibilidade na escola e isso para quê? Para fecharem o turno agora? É um desperdício do dinheiro público”, lamentou.

Segurança
A demissão de vigilantes em algumas escolas estaduais também foi alvo de críticas de profissionais da educação. A professora Cristina Paiva, da EEEF Dom Pedro I, salientou a necessidade da presença do vigilante: “Com a retirada da vigilância nossa escola irá retornar ao ciclo de roubos e invasões”.

Para o Sindivigilantes do Sul, sindicato da classe, o trabalho do vigilante é, muitas vezes, desrespeitado e negligenciado. “Além de assegurar a segurança da escola, o vigilante também tem preparo para combater incêndios e prestar os primeiros socorros”, afirmou o secretário de Finanças do órgão, Luiz Henrique da Silva. O conselheiro do Sindicato, Marcos Barreto, foi um dos demitidos e reforça o trabalho de prevenção do profissional de segurança. “Onde os vigilantes estão presentes não há problema de violência nas escolas”.

A deputada Luciana Genro (PSol), que acompanhou as manifestações, defendeu a mobilização municipal como uma forma de pressionar as lideranças estaduais. “O drama que vocês nos trazem hoje é recorrente. Toda terça-feira recebemos escolas com problemas semelhantes ou piores. Isso só mostra o desmonte da escola pública no RS. É necessário que esta luta seja levada aos municípios, porque eles precisam pressionar o governo estadual”. A presidente do Sindicato dos Professores (CPERS), Helenir Aguiar Schürer, reiterou as posições da deputada. “Todos precisam estar unidos na defesa e proteção das crianças que querem estudar e merecem que a educação seja de qualidade”.

Em meio à reunião, a presidente do colegiado, Sofia Cavedon (PT), articulou junto à Seduc uma reunião nesta terça-feira à tarde, para apresentar as demandas das 28 escolas e tentar reverter a situação de fechamento e demissão nas escolas.

* Com informações de Andrè Lisbôa, estagiário de Jornalismo

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