PARLAMENTO 2020
Primeiro seminário virtual da AL discute alternativas para RS superar cenário da pandemia
Sheyla Scardoelli* - MTE 6727 | Agência de Notícias - 14:00 - 27/06/2020 - Foto: Reprodução / ALRS

A Assembleia Legislativa realizou na manhã deste sábado (27) o primeiro seminário virtual da sua história, obedecendo às recomendações de distanciamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus. Durante uma hora e meia os economistas Gustavo Grisa e Aod Cunha, diretamente de São Paulo, avaliaram cenários, responderam perguntas e sugeriram ações a serem implementadas pelo RS para retomada da atividade econômica e recuperação da produtividade. O painel foi transmitido pela TV AL, Facebook e YouTube, e teve mediação do superintendente de Comunicação e Cultura da AL, jornalista André Machado, e participação do presidente do Parlamento, deputado Ernani Polo (PP).

Na abertura, o presidente Ernani Polo agradeceu a participação dos economistas, destacando suas formações acadêmicas e trajetórias profissionais, com atuações e estudos que ligam a área governamental e o setor privado. Polo registrou que a atividade é um desdobramento do Fórum contra o Colapso Econômico e Social do RS, que iniciou reuniões com diversos setores da sociedade gaúcha ainda no mês de março. “O seminário é uma contribuição do Parlamento na busca de soluções e troca de conhecimentos que se faz imprescindível neste momento em que tentamos preservar vidas e a economia do estado”.

O mestre em relações internacionais e analista de risco político Gustavo Grisa descreveu o momento atual como uma sobreposição de três crises para o Brasil: uma global, representada pela ameaça à saúde da população com o coronavírus; uma econômica, que o país já vinha enfrentando e foi agravada; e finalmente, uma institucional e de governança, principalmente em nível federal. “Infelizmente o Brasil está aparecendo como um case internacional de má gestão da pandemia, e isso nos traz problemas na seara externa. E vai continuar a nos trazer problemas no pós-pandemia, quando países isolados ou fracionados politicamente terão mais dificuldades de reinserção na comunidade internacional”. Grisa considera que a pandemia está provocando um fim da era de conflito e divisão, e a necessidade urgente de soluções intersetoriais pactuadas e convergentes sobre temas como ativação de crédito, redução de salários, reformas tributárias, que vê como único caminho para o crescimento econômico. Também alertou para a urgência de se tomar medidas ainda em 2020, entre setembro e dezembro, para se chegar ao final deste ano com um grau de solvência adequado. “Tenho otimismo de termos uma pequena recuperação nesse período, se governo e sociedade se unirem.”

O pós-doutor em Economia e ex-secretário da Fazenda do RS, Aod Cunha, ressaltou a importância da boa condução política e lembrou que nenhuma crise dura para sempre. “Houve pelos menos 17 crises nos últimos 100 anos, e o mundo sempre saiu mais próspero de todas elas”, afiançou. Após elencar as medidas adotadas globalmente pelos países neste momento, como estímulos fiscais, econômicos e programas assistenciais, Aod considerou que o Brasil e o RS enfrentam desafios adicionais além desta crise transitória. “A união e o foco que as crises trazem consigo devem ser aproveitados para se olhar mais à frente, e tentar resolver problemas históricos”. O economista relatou que desde a década de 80 o Brasil vem perdendo capacidade de produtividade, e com o envelhecimento da população perdeu também o chamado “bônus demográfico”, que permite o crescimento econômico pelo simples crescimento populacional. “E o RS ainda se antecipou nesse envelhecimento. Apenas uma melhoria da competitividade, com um estado mais eficiente e melhores serviços, pode alavancar nossa produtividade”. Aod argumentou que existem medidas que o RS pode tomar por conta própria, sem depender do governo federal, como reforma tributária e investir na educação. Sobre este último tema, ele foi enfático na necessidade urgente de se recuperar a qualidade do ensino no RS. “Ainda temos estoque de capital humano devido à boa qualidade do ensino público em décadas passadas, mas essa é uma reserva que está se esgotando”, alertou.

Ao final os dois economistas responderam perguntas encaminhadas pelas redes sociais. Sobre a atual matriz produtiva do RS, baseada no agronegócio, consideraram ser um setor que tem muitas lições a ensinar, pois conseguiu se modernizar e aumentar exponencialmente sua produtividade. Mas foram unânimes em apontar como caminho para o crescimento sustentável do RS a renovação da matriz produtiva, com foco em uma economia da inovação. “Temos que usar nossas universidades e criar polos de tecnologia e excelência. E investir na educação básica para desenvolver nossos talentos e termos um capital humano diferenciado”, concluiu Aod.  

A íntegra do seminário pode ser assistida na página do Facebook e no canal da AL no YouTube.

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