CPI DOS COMBUSTÍVEIS
Envolvidos em denúncia de lobby serão acareados
Mirella Poyastro | Agência de Notícias - 09:16 - 26/01/2006
Pita (E) nega envolvimento no esquema à CPI
Pita (E) nega envolvimento no esquema à CPI

Pelotas sediará primeira audiência pública da CPI no Interior dia 7 de fevereiro

O técnico do Tesouro do Estado, José Vitor Pita dos Santos, negou ter participado de qualquer conversa ou ter agido para facilitar a inscrição da empresa paranaense Sercon na Secretaria da Fazenda (Sefaz). A declaração foi repetida várias vezes e dita de diferentes formas durante depoimento na tarde desta quarta-feira (25) à CPI dos Combustíveis, no plenarinho da Assembléia. Pita negou também conhecer a denúncia de que o ex-secretário substituto da Secretaria da Habitação Humberto Della Pasqua teria recebido R$ 175 mil da empresa Roglio para acompanhar o processo e liberação da inscrição estadual da Sercon. O presidente da CPI, deputado Kanan Buz (PMDB), classificou o depoimento como evasivo e contraditório. Segundo ele, a comissão deverá realizar uma acareação entre Pita, Della Pasqua, o dono da empresa Roglio, Luis Roglio, e os dois encapuzados que denunciaram o esquema. "Vamos confirmar a data, mas deverá ser entre os dias 15 e 22 de fevereiro", adiantou Buz.

Durante as quase duas horas de depoimento, Pita se contradisse algumas vezes. Ao responder o questionamento da relatora da comissão, deputada Leila Fetter (PP), ele afirmou nunca ter tido contatos telefônicos com o dono da empresa Roglio, Luis Roglio, ou ter participado de reuniões com os empresários desta empresa e o secretário da Habitação, Alceu Moreira, e Humberto Della Pasqua. No entanto, momentos depois, respondendo às indagações do vice-presidente da CPI, deputado Fabiano Pereira (PT), disse ter ido almoçar na casa de Roglio em Tramandaí e ter visitado a empresa em Canoas, onde trocou dois cheques de R$ 3 mil cada para a irmã Marilene Santos Lobo, quando esta ficou viuva, em abril de 2005.

Segundo Pita, a visita a sede da Roglio em Canoas ocorreu pois o representante da Sercon e amigo Álvaro Mesquita tinha escritório lá. "Somente uma acareação entre Pita e os envolvidos na denúncia de lobby para facilitar a inscrição da Sercon no Estado poderá dirimir todas as dúvidas criadas pelo depoimento", afirmou Fabiano Pereira.

Quebra de sigilo
Pita autorizou a CPI a quebrar seu sigilo bancário e os deputados aprovaram requerimento neste sentido, de autoria do deputado Edson Portilho (PT). "Sou funcionário de carreira do Estado há 33 anos e sempre pautei minha vida pela ética e a honra, legada pelos meus pais", desabafou. Ele disse estar indignado com as notícias envolvendo seu nome que estão sendo veiculadas na imprensa. O servidor público entregou a Buz sua ficha funcional.

O depoente disse ainda que sua cedência à Secretaria da Habitação não foi renovada. "Estou de férias e quando voltar vou me apresentar à Secretaria da Fazenda", informou, ao frisar que é um procedimento de praxe, pois todo o servidor que está sendo alvo de investigação volta a atuar no órgão de origem.

Desinteresse
Ao encerrar o depoimento mais esperado da tarde, foi a vez do procurador da Sercon, Marcelo Povoa Sposito, ser ouvido na CPI. Ele negou saber das denúncias, embora afirmasse ser amigo de Mesquita, com quem negocia álcool hidratado no RS e delegou a função de encaminhar os papeis da incrição estadual da Sercon no Estado. Sposito disse ter sido apresentado a Pita, mas negou conhecer os outros envolvidos na denúncia.

A deputada relatora, Leila Fetter, lamentou o desinteresse do depoente, que disse não ter acompanhado o andamento do processo da empresa na Secretaria da Fazenda. "No mínimo é estranho", afirmou a parlamentar. A indignação com as negativas de Sposito também foi compartilhada pelo deputado Edson Portilho, que encaminhará formalmente o requerimento solicitando a acareação.

Adulteração
O terceiro depoimento foi do representante da Sercon em Novo Hamburgo, Márcio Araújo Noronha, suspeito de comercialização de combustível adulterado. Ele negou a denúncia e se colocou a disposição da CPI para participar da acareação. "Não tenho conhecimento de que o solvente vendido pela minha empresa era para esta finalidade", afirmou Noronha.O quarto depoente da tarde, Leandro de Souza Castro, também negou as acusações de que sua empresa, a Distribuidora LDR, estivesse comercializando combustível adulterado. O último a depor foi o gerente dos dos postos Fagundes, em Canoas, Jorge Felipe Goszczynski, que afirmou que adquiriu álcool da Transportadora Roglio em agosto sem emitir notas. Os pagamentos foram feitos em cheque e os contatos foram feitos com Mesquita e o ex-gerente da Roglio Luiz Giani. 

Também participaram da reunião os deputados Marco Lang (PFL), Aloísio Classmann (PTB), Ciro Simoni (PDT) e Vilson Covatti (PP).

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