ARTIGO
Fica Érico!
(*) Mano Changes | PP - 16:13 - 22/05/2009
Parece ficção, mas não é. Se a família Veríssimo não mudar de opinião, em breve os conterrâneos de Érico Veríssimo terão que ir ao Rio de Janeiro para ver de perto as relíquias literárias do grande escritor gaúcho. Os motivos da transferência ainda não são conhecidos. Alguns jornais informam que a decisão dos herdeiros deve-se a saída da responsável pela organização do acervo Érico Veríssimo na PUCRS, uma qualificada professora de Literatura, amiga da família.
 
Mas será este o motivo para tão relevante decisão? Será que não existe alguém no Rio Grande do Sul que tenha condições de continuar com o trabalho que vinha sendo desenvolvido? Não podemos esquecer que a escolha da PUC, como fiel depositária do acervo, se deu pela excelência do trabalho de preservação de obras literárias, implantado anteriormente pela universidade.
 
Ou quem sabe a família deseje instalações mais apropriadas? Se for isso, os gaúchos já demonstraram ser capazes de produzir espaços culturais privilegiados, como a recuperação do Teatro São Pedro, da Casa de Cultura Mário Quintana e do Memorial do Rio Grande do Sul. Mais recentemente, a construção do Museu Iberê Camargo e em breve do Multipalco, obra que transformará o Teatro São Pedro no maior complexo cultural da América Latina.
 
Não creio que esta seja a causa. Ela contraria a vida simples com que Érico viveu seus quase 70 anos, a ponto de, no ápice de sua hierarquia literária, proclamar-se apenas como o melhor escritor da Rua Felipe de Oliveira, seu endereço residencial em Porto Alegre. Independente do motivo, considero indispensável a criação de um espaço específico para acolher o patrimônio literário do brilhante escritor gaúcho.
 
Mas se o problema não é o local e nem a falta de profissionais competentes, talvez seja a contrariedade da família com a política pública vigente para a área da cultura. Se é isto, o Governo do Estado, em parceria com as forças vivas da sociedade, tem condições de aprimorá-la. O Rio Grande já demonstrou que quando se une tudo é possível. Até porque, para se transformar num importante pólo cultural, será preciso manter aqui as obras dos nossos principais escritores.
 
Fica então um apelo a família Veríssimo: confiem nos gaúchos. Ninguém mais do que nós saberá dar o devido valor ao legado de Érico Veríssimo. Se o acervo de nosso grande escritor pode encontrar guarida em outro estado, o Rio Grande não saberá viver longe dele. O mesmo vale para as relíquias literárias de Mário Quintana, nosso maior poeta, também na iminência de serem transferidas para o Rio de Janeiro.
 
Mano Changes
Presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto,
Ciência e Tecnologia, da Assembléia Legislativa.
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