Artigo
Não vamos acabar com a esperança da juventude
Marisa Formolo* | PT - 18:34 - 12/08/2009
Nesta semana que o calendário marca o dia da juventude e o dia do estudante, e que marca a nossa história com um episódio dos mais lamentáveis da política gaúcha, uma profunda reflexão se impõe.

Como se sentem os jovens, estudantes ou não, que são herdeiros não apenas do nosso planeta, mas herdeiros de um passivo político construído por nós? O que argumentar com este jovem que canta o hino que afirma servirem as nossas façanhas de modelo a toda terra? Que façanhas? A façanha de roubar R$ 44 milhões do Detran, a façanha ainda não detalhada publicamente de que há um roubo de 300 milhões de reais sendo investigados pela Operação Solidária? A façanha dos R$16 milhões da Atento em conluio com o Detran, tudo subtraído do bolso dos gaúchos?  

E tem gente dizendo que está tudo esclarecido, que não precisa de CPI, que não tem de ter CPI porque não há fato determinado.Essa cegueira, essa surdez que se está instalando na conduta política de alguns deputados da Assembleia gaúcha, faz com que aumente a desesperança na juventude que espera um exemplo positivo, animador e capaz de gerar o espírito da indignação, necessário para quem quer um mundo diferente.

Num texto que fala sobre a juventude, escrito pelo jovem estudante Rafael de Souza que me chegou as mãos hoje, está a afirmação: “somos aqueles que reivindicam uma urgente reforma política que combata a corrupção e os vícios de nosso sistema político, como clientelismo e as oligarquias. Somos a geração da Internet e queremos a democratização dos meios de comunicação para valorizar nossa cultura e expurgar os manipuladores dos grandes meios de comunicação”.

A juventude ainda acredita que é possível ter uma política diferenciada. A juventude que quer um mundo novo ainda tem esperança de que possamos fazer algum gesto concreto que não mate esse pingo de esperança que ainda há dentro deles.

É criminoso matar o corpo de alguém. Mas também há um crime por demais vil, quando a política mata a esperança das pessoas. Isto porque destrói aquilo que é próprio do humano: a capacidade e a crença de poder transformar o mundo, de fazer uma cultura da igualdade, da justiça e da construção da paz.

O fato que estamos aqui discutindo pode parecer banal para alguns, mas tem um significado histórico. Que a juventude hoje não se sinta homenageada só porque é o dia da juventude. Que os estudantes que ontem comemoraram o seu dia, não se sintam jovens só por que são estudantes; mas por que ainda não morreram.

Eles conservam a esperança de que serão herdeiros de uma natureza que lhes permitirá ter água e vida ainda plena. Agora, também são herdeiros de uma ética na política, que vai além da ética do neoliberalismo, do individualismo e da competição, mas uma ética da solidariedade, de justiça e que constrói a possibilidade de, em cada cidade e grupo social, ainda se organizar, lutar, reconstruir e fazer do mundo um lugar bom para se viver.

Mas não é com a conduta que vemos no parlamento gaúcho que conseguiremos isso. Deputados assinaram o pedido de CPI só para constar na lista e só assinaram depois de conseguido o mínimo necessário de assinaturas no requerimento. Então, terem assinado não é um fato relevante. Quero ver – e todos os gaúchos querem ver – se os que assinaram aprovarão os requerimentos necessários para buscar a mais ampla informação e contribuir com a verdade para que os jovens ainda digam: É possível acreditar na política.

* Deputada Estadual

 

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