ARTIGO
A verdadeira independência
Miki Breier* | PSB - 08:48 - 08/09/2009

O 7 de setembro é um momento de reflexão e inspiração sobre o país que estamos construindo. O que levou homens e mulheres à busca da soberania da então colônia, em 1822, foi a exploração ultrajante do povo brasileiro por Portugal. A Coroa Portuguesa se apropriava de tudo o que produzíamos. Não tínhamos liberdade para oferecer melhores condições de vida à nossa sociedade.

Passados 187 anos da Proclamação da Independência, ainda precisamos vencer muitas barreiras de exploração, de humilhação. Precisamos romper os grilhões que ainda prendem o nosso povo à miséria e alcançar a verdadeira libertação, a nossa nova independência, por meio de políticas públicas que atendam os direitos sociais básicos e essenciais à dignidade humana.  

Um país só é verdadeiramente independente quando a educação, a saúde, a moradia, o trabalho e a alimentação são atingidos como valores universais. O verdadeiro fator de independência é o acesso pleno à educação. Apesar de muitos avanços que já tivemos em programas como o das quotas e o ProUni, raros cidadãos e cidadãs do nosso País têm acesso à universidade. Mesmo após termos adentrado no século XXI, mais de 11% de brasileiros e brasileiras continuam analfabetos. Seremos eternamente dependentes se formos conhecidos somente como o país do futebol, o país do carnaval ou o país do futuro. Com apenas estes títulos, não poderemos ter perspectivas de libertação. Como já dizia o presidente Tancredo Neves, enquanto houver neste país um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda prosperidade será falsa.  

No último dia 31 de agosto o marco regulatório da exploração do petróleo descoberto na camada pré-sal foi anunciado pelo presidente Lula como uma espécie de nova independência. Sem esquecer de aprendermos com os erros históricos, em que outros ciclos econômicos foram anunciados como redenção nacional, podemos, verdadeiramente, usar este momento para implementar a plenitude das políticas sociais que necessitamos. 

O patriotismo não pode ser confundido com xenofobia. Querer a independência e a autonomia dos países significa também querer articular, negociar, dialogar com todos os povos do planeta. A exaltação exagerada da pátria já provocou muitas guerras na história da humanidade e já levou, inclusive, ao nazismo e ao fascismo. Não queremos isso.  

A principal forma de comemorar a independência é salientar a importância da solidariedade universal e de todo e qualquer ser humano, de toda e qualquer pátria. Para isso, precisamos, sim, reconhecermo-nos como país independente, com autoestima e com capacidade de construir políticas que acabem com as desigualdades, com o analfabetismo, com a miséria, com a exclusão social.  

É esse o Brasil que nós queremos, é por esse Brasil que lutamos, é este o País que nós amamos.

* Deputado estadual, líder da bancada do PSB

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