ARTIGO
Vandalismo nas manifestações. Até quando?
Jorge Pozzobom* | PSDB - 11:16 - 16/10/2013

Propus na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Assembleia Legislativa, da qual sou membro titular, a realização de audiência pública, que se realizou no dia 23 de setembro, e que debateu a situação das vítimas dos atos de vandalismo ocorridos durante as manifestações de junho, em Porto Alegre. Entretanto, atos de vandalismo, violência e depredação de prédios públicos e privados foram registrados novamente na quinta-feira subsequente à audiência pública, mais especificamente no dia 26 de setembro, durante mais uma manifestação em Porto Alegre.

Nesta noite, às 22h, chegando de Santa Maria em Porto Alegre, eu presenciei as consequências do vandalismo na Avenida João Pessoa, onde vi containers incendiados e lojas destruídas. Durante esta manifestação, pelo menos duas agências bancárias foram depredadas por manifestantes com os rostos coberto e vestidos de preto durante o trajeto. Portas de vidro de um prédio da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) também foram quebradas. Os atos de vandalismo continuaram na rua Duque de Caxias, próximo ao Palácio Piratini. Manifestantes escalaram a fachada do casarão do Museu Júlio de Castilhos, construído em 1887, patrimônio histórico e cultural de todos nós gaúchos, e roubaram as bandeiras do Rio Grande do Sul e do Brasil hasteadas no local. Pedras também foram atiradas contra a Catedral Metropolitana, que teve vidros quebrados.

Na audiência pública da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos ouvimos relatos como do vice-presidente do Sindilojas, Paulo Kruse, que revelou que os danos dos associados à entidade somaram mais de R$ 3 milhões, além de redução média de 25% do movimento e, em alguns casos, chegando a entre 40% e 50% em estabelecimentos do Centro. O presidente do Sindpoa, José de Jesus Santos, afirmou que, mesmo passado mais de três meses dos protestos de junho, os prejuízos ainda não foram recuperados e que os comerciantes sentem reflexos ainda hoje, pois qualquer notícia de manifestação afasta os clientes dos estabelecimentos comerciais de vários bairros da capital. O empresário Manoel Pimentel teve duas lojas depredadas e questionou o impacto que as manifestações causaram não apenas para os empresários, mas também para os trabalhadores, pois muitas empresas tiveram que demitir funcionários por causa dos prejuízos. O vice-presidente do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior de Porto Alegre (Adufrgs), Lúcio Olímpio de Carvalho, relatou que teve o carro destruído durante as manifestações, assim como cerca de outros 20 proprietários de veículos que estavam estacionados na rua Otávio Correa.

Diante da realidade exposta propus, na Comissão, a formatação de um documento com os relatos dos presentes para ser entregue às autoridades estaduais visando preservar os direitos das vítimas e melhorar a segurança na cidade. Sem dúvida alguma eu reconheço a importância das manifestações, assim todos presentes na audiência, ninguém questionou a legitimidade dos movimentos sociais, a manifestação de pessoas, mas nós - e aqui incluo o Governo do Estado que é o responsável legal pela segurança pública de todos os gaúchos - temos que saber quem são os verdadeiros autores e praticantes destes atos de vandalismo, que são atos criminosos. Nós sabemos que a Constituição Federal garante, de maneira inequívoca, a livre manifestação, mas ao mesmo tempo ela proíbe de maneira clara e objetiva o anonimato. Por que os empresários e nós contribuintes que pagamos nossos impostos para obtermos investimentos por parte do Governo em saúde, educação, segurança, temos que pagar a restauração de prédios públicos. Quem pagará a conta do que foi depredado dos empresários e comerciantes?

Por isso, com a responsabilidade que me cabe como deputado e representante de todo o povo gaúcho na Assembleia Legislativa, vamos montar este documento em conjunto, pois no ano que vem teremos a realização da Copa do Mundo e não podemos mais dizer que não estávamos preparados para lidar com manifestações, nem mostrar esse tipo de atitude aos nossos visitantes de todo o mundo.

 

*Deputado estadual

Artigo publicado no jornal A Razão de 10 de outubro de 2013

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