ARTIGO
Lar, amargo lar
Miki Breier* | PSB - 14:54 - 07/11/2013

Crescemos ouvindo que o sonho de qualquer pessoa é conseguir sua casa própria e ter um lar, que sempre apresentado como um lugar agradável, prazeroso, "doce" e seguro.

Nem sempre é assim.

Normalmente, as pessoas manifestam preocupação sobre a violência nas ruas, as guerras, os acidentes de trânsito, tráfico de drogas. Ignoram que há crimes que, infelizmente, acontecem exatamente onde todos pensam estar seguros.

O abuso sexual de crianças e adolescentes, por exemplo, acontece, na grande maioria das vezes - cerca de 80% - no silêncio dos lares. É o pai, o avô, o tio, o namorado da mãe, o amigo da família que encanta, seduz e destrói os sonhos e de meninos e meninas.

Da mesma forma, a violência contra a mulher acontece naquele mesmo espaço em que ela esperava encontrar felicidade, ao lado de quem acreditava que a queria bem. Geralmente embalado pelo excesso de bebida alcoólica e por frustrações da vida pessoal e profissional, o marido/companheiro descarrega na esposa, de forma violenta, como se propriedade sua fosse.
Estes atos de violência são frutos do machismo ainda impregnado em nossa cultura, da prepotência, da possessividade, da impunidade.

Há ainda os que querem tirar a própria vida e que fazem isso dentro do seu lar. Chegam a 80% os índices de suicídios nas residências. Além de abreviar a vida de alguém desesperado, é uma tragédia que abala a estrutura familiar e o círculo social que, não por acaso, são chamados de sobreviventes.
Percebe-se, portanto, que necessitamos estar atentos ao que acontece no interior de nossos lares; identificar, entender e, na medida do possível, contrapor a nítida tendência de desestruturação; resgatar um sentido mais radical de convivência solidária.

Cito apenas três situações de violência, revestidas e acompanhadas de muitas outras. Os lugares mais perigosos para a integridade física e emocional das pessoas é, exatamente, o que deveria ser o mais seguro. Amargo lar!

*Deputado Estadual

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