ARTIGO
Mandelas, Madibas! (de 1918 até a eternidade)
Miki Breier | PSB - 16:18 - 17/12/2013
Qual, realmente, é o poder de um ser humano? Descartando os discursos e citações intempestivas e, por vezes oportunistas, a partir da morte de Mandela, não lhes ficou uma sensação boníssima de que aquele homem foi e é, seguramente, maior que todo o poder do regime do Apartheid que vigorou na África do Sul? Dentre as explicações, está a de que Mandela, como outros líderes, não se reduzem a um ser humano.
 
Podemos encarar Mandela, também, como um sentimento coletivo materializado numa pessoa e, igualmente, num discurso, num caminhar, numa forma de resistir, numa prática. Sua legitimidade parte da crença e das práticas, não ingênuas e desprovidas de idolatria cega, de vários Mandelas, Mandibas, Bikos, Ellens Johnsons, Tutus, Leymahs Gbowees, Malcons e, ainda, de milhares de anônimos e anônimas. É assim que se explica a força circular e sempre renovada dos líderes. Assim se compreende, em alguma proporção, o princípio da ancestralidade.
 
Daqueles que deixam marcas tão fortes nas coisas, nas instituições e nas pessoas que sua existência se capilariza, multiplicando-se nas palavras, no andar, no suportar, no não desistir, no levantar sempre a cabeça, no acreditar que a justiça é possível, no caso, para cada um sul-africano(a), africano(a), cidadão e cidadã do mundo que crer na mudança. Mandelas e Madibas em África, Joãos e Marias no Brasil. Gente que não tem medo de brigar, apanhar, sofrer, aprender, cantar, chorar, sorrir e sair pra sonhar o seu país. Gente que combate, aqui no Rio Grande, índices estarrecedores como: a morte, em 2010, de 48% mais mulheres negras do que brancas vítimas de homicídios; em 2008, morriam, 127,6% mais jovens negros que brancos.
 
Precisamos de Consciência Negra, de Consciência Mandela, para combater a invisibilidade em relação à nação Negra, o Racismo institucional, a guetização política e filosófica do povo negro, o Branqueamento ideológico, a Ignorância que gera preconceito, a Intolerância Religiosa, a Educação que não “des-vela” a diversidade étnico cultural. Em se tratando de Mandela, seguindo a sua metodologia, cabe lembrar aos não negros de boa vontade a necessidade da honrosa postura de calar-se para melhor ouvir e deixar que o negro/negra explane a sua visão, a sua lógica, negra, de mundo. Façamos assim com todos os segmentos humanos discriminados. Calar como Madiba para ouvir o seu coração e mente, calar para entender o opressor e ensiná-lo a ser melhor, ensinar opressor e oprimido a libertarem-se.
 
Deputado Estadual - PSB*
© Agência de Notícias
Reprodução autorizada mediante citação da Agência de Notícias ALRS.
© Agência de Notícias
As matérias assinadas pelos partidos políticos são de inteira responsabilidade dos coordenadores de imprensa das bancadas da Assembleia Legislativa. A Agência de Notícias não responde pelo conteúdo das mesmas.
Versão de Impressão
PESQUISA DE NOTÍCIAS
Termo
Período
   


TV Assembleia

Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
Praça Marechal Deodoro, 101 - Porto Alegre/RS - Cep 90010-300 - PABX (51) 3210.2000

Horário de atendimento: das 08:30 às 18:30