ARTIGO
Transporte público: nos escondemos para não enfrentá-lo
Vinicius Ribeiro* | PDT - 10:59 - 06/02/2014
O foco está na Capital, mas o problema não ocorre somente em Porto Alegre. As cidades têm dimensões e população diferentes, porém problemas comuns. A greve permanece e não discuto o direito e a luta dos trabalhadores, mas a manutenção parcial do serviço. A Brigada Militar deve agir na garantia da prestação de serviço e na segurança dos que querem trabalhar, e não na repressão. A greve precisa causar prejuízos para que haja poder de negociação, com limite. E esse limite chegou.
 
Agindo de forma prática, a Assembleia Legislativa, através de Comissão Especial, propôs quase duas dezenas de medidas para melhorar o Transporte Público, através do Plano Estadual de Mobilidade Urbana, que passam desde metodologia única para aferição do valor da tarifa do transporte coletivo até critérios sustentáveis de isenção de impostos, priorizando o não motorizado e o transporte coletivo. A Comissão fez um diagnóstico junto aos municípios gaúchos e, embora não tenha sido surpresa, não é nada positivo.
 
Dos 497 municípios gaúchos, 108 têm mais de 20 mil habitantes e precisam, por força de lei federal, implantar políticas específicas para a mobilidade urbana até abril de 2015. A dificuldade existente é tanta, que somente 38,8% dos municípios consultados responderam a pesquisa em função da falta de dados e de estrutura técnica. Dos orçamentos municipais, apenas 2% são destinados à secretaria que cuida da área, desses, somente 8% é destinado ao transporte público.
 
Dos municípios consultados, somente 22% têm Planos de Mobilidade e cerca de um terço não possuem o transporte coletivo legalizado. Destacam-se municípios de 18 mil a 100 mil habitantes, cujo número que não tem plano é alto; e nos quais o percentual de aumento da tarifa foi o maior em média 25%. Para manter o serviço, utilizam alto percentual de subsídio municipal – entre 9,5% a 20%.
 
Embora a discussão se atente ao transporte público, a consequência da falta deste serviço mudou a rotina e o horário do comércio, indústria e prestação de serviços. Tudo abre mais tarde e tudo fecha mais cedo. Vivemos o problema do transporte coletivo com consequências na economia e na sustentabilidade de uma cidade. Em tempo: será que buscamos, sinceramente, solucionar este problema, ou nos escondemos nele para não enfrentá-lo?
 
 
*Deputado estadual
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