ARTIGO
Eu tenho um sonho...
Pedro Westphalen* | PP - 14:07 - 07/03/2014
O dia 8 de março, que representa o Dia Internacional da Mulher, não é apenas mais uma data com objetivo comercial. É muito mais. Representa a luta das mulheres por igualdade, dignidade e respeito, iniciada em 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque fizeram uma grande greve, reivindicando melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

O reconhecimento da data, entretanto, só aconteceu em 1910, durante uma conferência na Dinamarca. Mas a oficialização se deu apenas em 1975, através de decreto da ONU. A partir daí a maioria dos países passaram a realizar conferências, debates e reuniões com o objetivo de discutir o papel da mulher na sociedade. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. No Brasil, o marco principal desta conquista se deu em 1932 quando foi instituído o voto feminino, permitindo, de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Passado 157 anos desde a greve das tecelãs americanas, mesmo com todos os avanços, a luta das mulheres continua. Muitas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. E este é um compromisso onde ninguém pode se isentar. A mulher representa o início, o meio e o fim da vida, e como tal deve ser reconhecida, admirada e respeitada.

A exemplo de Martin Luther King eu também tenho um sonho. De um dia termos uma sociedade igualitária onde não exista distinção de raça, sexo, cor, idade e qualquer outra forma de discriminação. E ponho fé nessa esperança pelo fato de que acredito no ser humano e porque, como disse Raul Seixas, na canção intitulada Prelúdio, “um sonho sonhado sozinho é apenas um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade”.

Façamos, pois, deste 8 de março um grande sonho conjunto.

 

* Deputado estadual

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