ARTIGO
Afroempreendedorismo, um projeto revolucionário
Adão Villaverde* | PT - 14:43 - 29/04/2014

Definir como absolutamente revolucionário o projeto Brasil Afroemprendedor não é um exagero semântico. Reflete a dimensão, o significado e o alcance da proposta de crescimento e fortalecimento do empreendedorismo afro-brasileiro com qualificação e capacitação de afroempreendedores. Conceitualmente, é uma iniciativa fundamental para promover o próprio desenvolvimento social e econômico do Brasil, junto a microempresas e empreendedores individuais afrobrasileiros.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) um levantamento realizado pelo Sebrae revelou que quase metade das micro e pequenas empresas brasileiras já são comandadas por empreendedores negros. De 2001 a 2011, a quantidade de empreendedores negros cresceu 29% (entre os que se declaram brancos, o crescimento foi de 1%), elevando sua taxa de 43% para 49% no segmento das micro e pequenas empresas – aquelas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano.

Nesse contexto, o projeto Brasil Afroempreendedor se estrutura como uma iniciativa de inclusão das populações afro-brasileiras no desenvolvimento do país, cuja premissa está amparada na reconhecida importância de desenvolver uma política empreendedora, oferecendo informação e conhecimento aos afrodescendentes. É um projeto que se alinha ao formato de políticas públicas afirmativas implantas por Lula e que agora têm continuidade na gestão da presidenta Dilma.

No dia 3 de abril, tive o prazer e a honra de participar do seminário gaúcho do Brasil Afroempreendedor, na sede dos Correios, em Porto Alegre. A atividade, que faz parte da série de seminários previstos em 12 estados, reforçou a característica do projeto de contribuir para enfrentar os desequilíbrios regionais e sociais a partir de iniciativa de organizações não governamentais, agregando-se ao esforço do governo federal, com o apoio da sociedade brasileira democrática.

Tratam-se de iniciativas que fomentam a adoção de políticas públicas de forma mais consistente, através de ações baseadas nos princípios da transversalidade, da descentralização e da gestão democrática. Vão além de ações meramente compensatórias em formato de políticas públicas afirmativas de extrema importância e que o governo federal de Lula e Dilma vem implantando no Brasil cada vez com maior comprometimento.

É, ainda, mais que a justa reparação pela dívida histórica que contraímos a partir da colonização de origem europeia que aprisionou o povo afrodescendente na odiosa escravidão, que perdurou com o modelo econômico e politico norteado pela dominação e segregação de grupos raciais e étnicos, e sobrevive através do preconceito étnico e especialmente da injustiça social que penaliza, ainda hoje, os brasileiros negros e seus descendentes.

É, sobretudo, um projeto de ação que, longe de apadrinhar personagens dos nossos remorsos e tentar minimizar nossas culpas de civilizadores algozes, em primeiro lugar acredita na capacidade e valoriza o potencial empreendedor do afrodescendente que vive no nosso país.

E ajuda a extirpar, de vez, a barbárie da intolerância racial, de nossas relações em sociedade que se pretende avançada e se acredita humanista.

*Engenheiro, professor e deputado estadual

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