SERVIÇOS PÚBLICOS
Comissão debate segurança na Copa e Nelsinho apresenta projeto para coibir a violência nos estádios
Cristiane Vianna Amaral - MTE 8685 | Agência de Notícias - 10:01 - 06/06/2014 - Edição: Marinella Peruzzo - MTE 8764 - Foto: Marcio Stefani

Integração é a palavra-chave quando se fala em segurança na Copa do Mundo. Esse trabalho conjunto das forças públicas e a utilização das empresas privadas deve garantir um evento tranquilo para torcedores de todo o mundo no país. Esse tema foi debatido no seminário O Legado da Copa para a Política de Segurança dos Eventos Esportivos, realizado na noite dessa quinta-feira (5), no Plenarinho da Assembleia, promovido pela Comissão de Segurança e Serviços Públicos, presidida pelo deputado Nelsinho Metalúrgico (PT). 

Secretários estaduais abrem os debates

O secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Marcelo Danéris, trouxe um tema polêmico para a mesa: a saída da Brigada Militar da segurança dos estádios. “É uma opinião do conselho, por se tratar de um evento privado.” Há um estudo mostrando que o custo das operações ao longo de um ano nos jogos pode chegar a R$ 6 milhões. “Queremos uma transição que pode durar talvez mais de quatro anos, tempo necessário para o treinamento de empresas particulares.”

“É um momento extremamente positivo para o Brasil”, comemorou o secretário da Segurança Pública, Airton Michels. Ele criticou a postura da imprensa em relação às obras da Copa e comemorou a implantação do Centro Integrado de Comando e Controle, que vai efetivar o trabalho conjunto entre as polícias e qualificar o atendimento para o cidadão. Ele garantiu que a estrutura será mantida após a realização do evento.

Órgãos têm estratégia para combater a violência nos estádios

O deputado Nelsinho coordenou a primeira mesa de debates, que tratou de alternativas para coibir a violência nos estádios. “Eventos esportivos devem ser um momento de festa, que possa ser apreciados por todos”, declarou o parlamentar.

Para o juiz titular do Juizado do Torcedor, Marco Aurélio Xavier, o futebol não é para o brasileiro apenas um entretenimento: é uma instituição social, um patrimônio cultural. “É algo que deu certo, sucesso no cenário internacional.” Por outro lado, ele criticou as torcidas organizadas, que ele considera um fator de fomento à violência. Para enfrentar essa situação, ele acredita que seja necessário o envolvimento de dirigentes e do poder público, com ações de cidadania e fiscalização e a responsabilização pelos desvios de conduta e ainda que as torcidas efetivamente se organizem.

“A prevenção à violência é reponsabilidade de todos os envolvidos”, manifestou o representante da Promotoria do Torcedor do Ministério Público, José Francisco Seabra. Ele defendeu a obrigação do poder público estar dentro e fora dos estádios, de acordo com o Estatuto do Torcedor. Entre as atribuições da Brigada, estão o laudo de segurança, o controle da capacidade de público e termos circunstanciados. “O Rio Grande do Sul está na contramão.” Para o promotor, a segurança privada seria responsável pela organização e atendimento de quem está frequentando os jogos. Ele também ressaltou a integração de órgãos e entidades para garantir a segurança na Copa e exemplificou com o trabalho do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) da capital, que deve recolher paus e pedras das ruas.

O comandante do Batalhão da Copa, coronel João Diniz Godoi, detalhou o esquema de segurança para os jogos. Cada batalhão terá um trabalho específico: proteger a área do estádio Beira-Rio, autoridades, festas, hotéis e pontos turísticos, delegações, Aeroporto Salgado Filho, entre outros.  Ele elencou também os principais legados: os equipamentos tecnológicos, a capacitação (em especial em idiomas estrangeiros), a integração, que vai possibilitar uma salto de gestão para grandes eventos, e a qualificação de dois mil policiais do interior que estão em Porto Alegre. “Eles vão levar essa experiência para suas cidades.”

A violência nos estádios é uma das principais preocupações da Federação Gaúcha de Futebol. Em recente pesquisa, realizada pela entidade, foi constatado que esse é o principal fator de afastamento dos torcedores dos estádios. “Falta efetividade no cumprimento das punições”, lamentou o vice-presidente da federação, Luciano Hocsman. Ele defendeu a presença da Brigada nos jogos, garantida em lei. “Seria necessário mudar a legislação”, alegou. Ele espera que o maior legado da Copa seja a conscientização de que “o futebol é uma festa”.

Tecnologia e inteligência para garantir a segurança

O segundo painel tratou da aplicação da tecnologia e da inteligência para a segurança em eventos, especialmente da Copa. A mesa foi coordenada pelo chefe de gabinete do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Zelmute Marten, que deve assumir a pasta na próxima semana. “O Brasil está se consolidando uma potência no turismo, serviços e entretenimento.”

O primeiro painelista foi o gerente-geral de segurança do Comitê de Organização Local da Copa do Mundo, Hilário Medeiros. Ele ressaltou que foram acompanhados mais de 40 eventos, entre eles, os jogos da Copa das Confederações, e que em nenhum houve incidentes graves. Foram detectadas falhas no treinamento da segurança privada, a falta de integração dos planos de emergência e de uma centralidade na gestão operacional, fatores que devem estar corrigidos para a Copa do Mundo.

Medeiros enfocou o trabalho de inteligência que está sendo desenvolvido, inclusive com o Ministério da Defesa, Agência Brasileira de Inteligência e Polícia Federal. Entre as estratégias de atuação, está a neutralização de torcedores e a utilização de agentes infiltrados, bem como o monitoramento e segurança dos sistemas de informação. Ele destacou ainda a disciplina dos espaços de atuação das seguranças públicas e privada. Uma polícia qualificada nos estádios, um relacionamento melhor com os torcedores e mudanças no fluxo de pessoas, devem ser, na sua opinião, os principais legados.

A inovação em termos de segurança privada dever ser o “steward”. O assistente de torcedor é um agente de segurança interna, que vê o torcedor como cliente e não atua como polícia. “É um modelo de não confronto”, explicou o supervisor de segurança da Gocil, empresa de segurança que vai atuar na Copa, Paulo Afonso de Oliveira Lucas. Com essas medidas, ele espera a volta das famílias aos estádios.

O diretor-adjunto do Centro Integrado de Comando e Controle do RS, Antônio Scussel, detalhou o funcionamento do novo equipamento de segurança pública, que está conectado a um sistema nacional. “A grande inovação é integração efetiva, permanente.” O centro vai deixar de atuar só em Porto Alegre, passando a cobrir todo o estado. Segundo o coronel, a central telefônica passará de nove para 31 posições, atendendo não só a Brigada Militar (Disque 190), mas também os Bombeiros (Disque 193) e Polícia Civil (Disque 197), qualificando o atendimento. Haverá ainda o monitoramento das mídias.

O jornalista Maurício Saraiva deu o depoimento de quem já participou de três Copas do Mundo. Ele criticou a síndrome de vira-lata do brasileiro, que valoriza mais o que é estrangeiro. “O estágio constrange você a ser civilizado”, observou, elogiando o Beira-Rio e a Arena. Sobre a polêmica na atuação da Brigada Militar, ele acredita que é mais importante sua atuação fora dos estádios, para que a família volte ao campo. “Se a Copa deu certo em outros países, vai dar certo aqui.”

Nelsinho vai protocolar a Lei Geral dos Estádios

O assessor da Comissão de Segurança e Serviços Públicos, Evandro Horn, apresentou o anteprojeto da Lei Geral dos Estádios, que será protocolado pelo deputado Nelsinho, com o objetivo de coibir a violência nos jogos. A proposição está dividida em três eixos principais: o equipamento dos estádios, o controle das torcidas e a competência da segurança interna e externa dos estádios. “Com o projeto, queremos iniciar um debate sobre o tema”, declarou o parlamentar.

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