ARTIGO
Meu partido é o Rio Grande?
Jeferson Fernandes* | PT - 14:35 - 28/01/2015
O atual governador José Ivo Sartori ganhou a eleição utilizando esse slogan, sem o ponto de interrogação acrescentado no título. Uma afirmação simpática ao senso comum, conformado com a idéia de que partido é uma instituição não merecedora de crédito. Irremediavelmente embutida no slogan, estava a premissa de que, uma vez eleito, não utilizaria o espaço público para acomodar partidos em detrimento do interesse do conjunto da população.

O próprio Sartori alegava não ser conhecido do grande público. Daí que ao trocar PMDB, seu partido de fato, por “Rio Grande”, o referido slogan criou condições ao então candidato de se apresentar como alguém não submetido a interesses partidários, mas disposto a governar com uma equipe técnica e não política.
Já na campanha eleitoral, alertávamos que era contraditório a alguém que milita politicamente desde a juventude depor contra partidos. Nossa denúncia, contudo, soou como mera reclamação de opositores. Mas analisando, agora, a montagem do novo governo há condições de afirmar que a tal frase de efeito não passava de um embuste semântico eleitoral.

Aos fatos: 1- o governador assume que seu partido é o PMDB porque é essa sigla que ocupa oito secretarias; 2- ao descartar um secretário técnico até para a Secretaria da Fazenda, Sartori demonstra que não está nem aí para o não político; 3- as pastas estaduais estão divididas entre seis partidos da coalizão governista e o perfil de boa parte dos novos secretários pouco ou nada tem a ver com as áreas específicas que assumiram; 4- a diminuição de 10 secretarias é pura fachada. Exceto os cargos dos secretários, nenhum outro CC ou FG foi extinto.

O constatado não é nenhum absurdo, não fosse o fato de há tão pouco tempo o candidato Sartori falar o contrário do que faz agora. Paradoxalmente, a falácia do marketing usado contribui para aumentar ainda mais o descrédito nos líderes e nos partidos.
 
Então, mais do que reafirmar o logro do povo gaúcho _ que terceiro turno não há _ , nossa tarefa é encontrar formas de fortalecer a democracia, melhorando nossos partidos e apresentando bons programas de governo (ao invés de omití-los), sem o medo de dizer que, sim, uma administração se faz com gestores políticos que não menosprezam o conhecimento técnico.
 
O contrário é engodo ou ditadura. Aliás, essa também é um engodo porque geralmente os ditadores estão sob a égide de um partido, mesmo que seja o único.
Mesmo correndo o risco de romper com aquele entendimento tácito tradicional de que não se deve criticar um governo antes dos seus primeiros cem dias, torna-se imperioso alertar o povo gaúcho de que o seu novo governador é, sim, um político. E dos mais tradicionais. Daqueles que não se enrubescem mesmo quando confrontados com a maior das contradições. Sartori despolitizou a campanha para partidarizar o governo.

*Deputado estadual
© Agência de Notícias
Reprodução autorizada mediante citação da Agência de Notícias ALRS.
© Agência de Notícias
As matérias assinadas pelos partidos políticos são de inteira responsabilidade dos coordenadores de imprensa das bancadas da Assembleia Legislativa. A Agência de Notícias não responde pelo conteúdo das mesmas.
Versão de Impressão
PESQUISA DE NOTÍCIAS
Termo
Período
   


TV Assembleia

Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
Praça Marechal Deodoro, 101 - Porto Alegre/RS - Cep 90010-300 - PABX (51) 3210.2000

Horário de atendimento: das 08:30 às 18:30