ARTIGO
A Grécia e a LDO
Marcel van Hattem * | PP - 14:38 - 14/07/2015

Em 2010, a Grécia estava endividada e deficitária – como o RS está hoje, dadas as proporções. A renegociação da dívida trouxe um socorro de 240 bilhões de euros para o governo grego e o dever de cortar despesas para reduzir o déficit. As despesas não foram cortadas, o déficit não foi sanado, e a dívida, por fim, não foi paga – daí a crise que a Grécia enfrenta. Acumulada por anos, a dívida consome o orçamento público em juros. O remédio teria sido reduzir as despesas para não endividar mais o Estado.

Os gregos negaram-se a tomar o remédio, por julgá-lo muito amargo. Não aceitaram abrir mão de reajustes, diminuir o tamanho do Estado, adequar a previdência. Não reduziram despesas para caber na receita. A inação só aumentou o amargor da medicação – agora, só uma cirurgia geral tira o paciente da UTI.

A situação do RS não é tão grave, mas é quase. Vivemos um dilema que os gregos viveram há anos: podemos tomar o remédio amargo, atacar as despesas e recuperar, em alguns anos, nossa capacidade pagadora. Não fazê-lo é ceder a visões populistas que acham que austeridade fiscal é só uma política “neoliberal”. Nada melhor que o exemplo grego para mostrar onde termina essa escolha.

Diversos governos gaúchos gastaram mais do que arrecadaram. Tarso Genro (PT), que adiou o problema e ampliou o déficit, deixou a conta não para Sartori, mas para os gaúchos. As famílias empobrecem quando o Estado se agiganta, pagando mais e mais impostos para cobrir déficits. Ou seja, toda a sociedade terá de trabalhar mais para cobrir o rombo herdado.

Seremos a Grécia se não agirmos já. Reduzir despesas e pagar as contas é muito melhor do que prometer e não honrar os pagamentos no futuro. O déficit é uma das mais graves doenças que podem acometer um Estado. Espero que o amargor do remédio não faça com que deixemos de tomá-lo. Hoje é a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias na Assembleia, que prevê medidas consideradas duras - mas necessárias. Eu votarei por tomar o remédio.

* Deputado estadual

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