ARTIGO
A materialização do discurso do caos
Stela Farias* | PT - 16:49 - 13/08/2015
O parcelamento de salários dos servidores públicos materializou efetivamente a narrativa do caos estabelecida pelo governo do PMDB assim que assumiu. Para o sucesso de seu projeto político, Sartori tomou três medidas que podem ser resumidas em cortes orçamentários, calote nos fornecedores do Estado e a transferência de responsabilidade pelo endividamento público. Assim, foi pavimentando um caminho para justificar diante da sociedade, a redução do Estado, a privatização de patrimônio público e o aumento de impostos.
 
O receituário é o mesmo de 15 anos atrás. Curiosamente, o fato de Antônio Britto, ter vendido patrimônio público e ao contrário de resolver, acentuar os problemas financeiros do Estado, elevando o percentual de endividamento de 23,5% para 122,3% não parece assustar nem o governo, nem seus aliados na sociedade. A construção de uma imagem de caos diuturnamente repetida para encurralar a opinião pública e agravada por cortes de pagamento, ameaças mensais de atraso de salários, não reposição de postos de trabalho e a consequente falta de atendimento público a população, facilita a recondução do projeto político já fracassado de Estado mínimo.
      
No esforço final do projeto político do PMDB para fazer a máquina pública parar de funcionar, há um ingrediente de irresponsabilidade que certamente já está trazendo prejuízos para o conjunto do Estado. Há meses estamos denunciando a estratégia de estabelecer o caos para justificar uma série de medidas comprometidas com uma agenda que não é da sociedade gaúcha, mas de setores interessados em apropriar-se do patrimônio público e em lucrar com a cobrança de serviços exclusivos do Estado.
     
De fato, é um projeto político diametralmente oposto ao que vinha sendo implementado até dezembro de 2014. Nas duas vezes que o PT governou o Rio Grande, apostou na recuperação das funções públicas do Estado, porque verifica em seu bom desempenho, a alavanca para o desenvolvimento e daí a retomada do crescimento econômico capaz de retirar o Estado da inércia causada pela grave desestruturação financeira que vive há décadas. A opção por contrair empréstimos externos e captar recursos do Governo Federal teve a função de liberar gastos correntes do Estado para poder investir em infraestrutura, atrair investimentos e fazer girar a economia.
      
Não por acaso, a gestão de Tarso Genro fez o ICMS crescer mais que a inflação em todos os quatro anos que administrou. O Estado não é uma empresa privada, que condiciona seus gastos ao lucro. Estagnar todo o setor público em função de um projeto político que mais de uma vez se mostrou ineficiente para as finanças públicas e para a economia gaúcha, ultrapassa os limites da irresponsabilidade. O Rio Grande tem outras saídas, como já foi demonstrado antes, mas é preciso ter coragem, criatividade e principalmente vontade política.
 
* Deputada estadual, vice-líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa
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