ARTIGO
A modernização conservadora
Adão Villaverde* | PT - 13:33 - 04/09/2015
Quando o debate acerca das dificuldades das contas públicas gaúchas se dá em bases racionais e fundamentado em conteúdo, temos a unanimidade de que estamos diante de um problema que remonta a quase 40 anos em solo gaúcho. Mas se inflexão é de mera disputa política, faz-se circular recorrentemente a ideia de que a situação financeira só se agravou nos últimos quatro anos. De duas, uma: ou é uma enorme injustiça com o gestor passado ou impõe-se uma lógica de interesses reproduzindo a caracterização.

Como o governador Tarso Genro não era nenhum mágico nem tinha uma maquininha de fabricar dinheiro, e, alertado pelas dificuldades, usou os depósitos judiciais, garantiu os 12% da Saúde, pagou em dia os servidores, recuperou salários e propôs reajustes dignos, lutou arduamente para diminuir a dívida pública e ainda abriu novo espaço fiscal para não paralisar o estado, é evidente que, por trás das dificuldades das contas públicas há, sim, uma estratégia, portanto, interesses em jogo.

Como forma de questionarmos este aforismo irrefutável, é necessário avaliarmos a prática do atual governo, e não só seu discurso. Primeiro foram os cortes de pagamentos aos fornecedores, iniciando a paralisar os serviços públicos; depois a Lei de Diretrizes Orçamentárias retirando reajustes dos servidores já aprovados na Assembleia; na sequência, equivocados projetos de extinção das fundações. Ainda não contentes com isto tudo, promovem o parcelamento de salários e, finalmente, o projeto de aumento de impostos, ou seja o tarifaço, penalizando toda sociedade.

Em síntese, caos para os servidores e o serviço público, resistência na ampliação do uso dos depósitos judiciais, para exacerbar o quadro de dificuldades; e envio ao parlamento de bloco de projetos com repercussão de longuíssimo prazo sem nenhuma eficácia imediata (como o caso da Previdência). Instituindo a inércia, a falta de iniciativas e inaptidão de gestão como seu modo de governar, para, por fim, como num passe de mágica, num truque surrado e conhecido, apresentar uma espécie de modernização conservadora como única saída: aumento de impostos e privatizações.

* Professor, engenheiro e deputado estadual PT/RS

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