ARTIGO
Estado paralisado, produção prejudicada
Luiz Fernando Mainardi* | PT - 08:22 - 16/11/2015

Com a aproximação do final do ano, as pessoas começam a olhar para o novo período que se abrirá em 1º de janeiro. Momento para projetar o que nos espera em 2016. Fui demandado, na semana que passou, a escrever um artigo para a revista de final de ano da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) falando de minhas expectativas para o agronegócio, setor que, na média, mantém um desempenho superior aos demais segmentos da economia gaúcha e brasileira, e que é um dos grandes responsáveis pela geração de riquezas, especialmente no Rio Grande do Sul, onde ocupa mais de 1,5 milhão da força de trabalho e responde por quase um terço do nosso PIB. Pautado por aquela solicitação, resolvi abordar o tema na coluna desta semana do Jornal Minuano.

Não é de hoje que o bom desempenho das cadeias produtivas do setor primário assume o protagonismo impulsionador da economia nacional. O que devemos creditar às políticas governamentais, como Plano Safra Nacional que a cada ano injeta um volume maior de recursos para fomentar as produções agrícola e pecuária. À qualidade dos empreendedores rurais que se esmeram na modernização e qualificação dos processos produtivos. Às boas condições climáticas. Cenários que encontram reciprocidade no mercado, tanto interno, aquecido pelo aumento da renda do povo brasileiro na última década, como o externo, cada vez mais carente de alimentos de qualidade.

Entendo, a partir das projeções de especialistas, que a safra agrícola do próximo ano agrícola deve se manter estável, em torno de 210 milhões de toneladas de grãos, e que, apesar da queda dos preços internacionais para alguns produtos que lideram nossa lista de exportações, a desvalorização do real deverá manter a renda dos produtores que tem no mercado internacional o destino da produção. Para a pecuária, com a retomada do mercado da Arábia Saudita para a carne bovina, que também abre as portas dos outros países da Liga Árabe, o cenário futuro também é positivo. As perspectivas, portanto, são favoráveis.

Imperativo, por outro lado, é a necessidade urgente da agenda política nacional colocar um ponto final no “terceiro turno” das eleições presidenciais do ano passado, primeiro passo para que possamos estabilizar politicamente o País e, desta forma, retomar as condições fundamentais para que o Brasil enfrente, num outro patamar, as dificuldades econômicas, em muito alimentadas pela crise política.

Apesar de tudo isso, há espaço para potencializar a atividade primária, especialmente no âmbito do governo gaúcho que, como se diz, tem que “fazer o dever de casa”. Infelizmente, o primeiro ano do governo Sartori e até mesmo os sinais que a atual gestão emite para o próximo ano, consolidados nas leis orçamentárias, nos induz ao pessimismo, já que deveremos continuar com o Estado omisso no processo de estímulo ao desenvolvimento.

Tomo por base, por exemplo, o desmonte das funções públicas do Estado, as quais começaram a ser resgatadas na gestão de Tarso Genro. Deveremos fechar este ano de 2015 com a Secretaria da Agricultura e a SDR executando em torno de 50% de sua dotação orçamentária, ou seja, não devem ir além de custear a folha de pagamento. Programas que criamos, e que contribuíam para potencializar o desenvolvimento da atividade primária, foram paralisados ou desacelerados. Na Emater, importante instrumento de execução de assistência técnica e extensão rural junto aos pequenos e médios produtores, estima-se a demissão de até 600 funcionários – 200 já foram neste 2015.

Em razão desta omissão, que acaba com o Plano Safra Estadual, reduz, ainda mais, o orçamentos das pastas que lidam com a produção primária, é possível que, no Estado, venhamos a ter um desempenho pior do que seria possível. Como já disse em outro artigo, quem não planta, não colhe. E o governo Sartori, preocupado apenas em reduzir despesa, sem praticar nenhuma ação voltada para o crescimento da receita, através do desenvolvimento, dificilmente colherá. E a “safra frustrada” da atual administração impedirá que venhamos a ter boas colheitas em consonância com o potencial do Rio Grande.

* Deputado Estadual

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