ARTIGO
É com os homens que precisamos conversar
Edegar Pretto* | PT - 09:14 - 25/11/2015
Foi com um misto de medo e indignação que recebemos os dados do recém lançado Mapa da Violência 2015, que revelam uma realidade assustadora. O Brasil piorou no ranking dos países com maior índice de assassinato de mulheres passando da sétima posição, em 2010, para a quinta, em 2013, com uma taxa de 4,8 mulheres mortas a cada 100 mil. É um aumento de 21% na década.
 
Segundo os registros do Ministério da Saúde, entre 1980 e 2013, o País contabilizou 106.093 feminicídios. Para se ter ideia, é como se tivessem sido exterminadas todas as mulheres e meninas de uma cidade do porte de Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, por exemplo.
 
O estudo traçou o perfil preferencial das mulheres vítimas de homicídio: meninas e mulheres negras com idade de 18 anos. O que demonstra que a conjugação de discriminações torna as mulheres negras jovens ainda mais expostas à violência.
 
As informações do Mapa não são muito diferentes do que já mostrou o Relatório Lilás, documento lançado em maio deste ano no RS: a cada 20 minutos uma mulher sofre agressão no estado. Muitas vezes as mulheres são mortas onde deveriam se sentir protegidas, no seu lar. E os assassinos são pessoas próximas que elas escolheram para amar, como maridos, companheiros, namorados ou ex.
 
Espantosamente, a reincidência acontece em praticamente 50% dos casos, o que nos permite concluir que a violência contra as mulheres se baseia na impunidade. Causa revolta saber que apenas 7,4% dos agressores foram condenados ou estão aguardando julgamento.
 
Desde 2011, temos feito um esforço de sensibilizar os homens gaúchos através das ações da Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres da Assembleia Legislativa. Entendemos que é com os homens que precisamos conversar. Se são os homens, os agentes desta barbárie, a solução passa pela mudança dos nossos hábitos e fim machismo.
 
Precisamos de homens de coragem para transformar este assunto em papo de boteco, de fila de banco, de campo de futebol. Mas além disso, precisamos sensibilizar o conjunto de atores públicos e sociais a efetivar de fato a Lei Maria da Penha, considerada pela ONU uma das três melhores leis do mundo.
 
O movimento mundial ElesPorElas, da ONU Mulheres - HeForShe Brasil - do qual participamos através do Comitê Impulsor, também tem este objetivo. É por essa causa que estamos lutando.
 
*Deputado Edegar Pretto, Coordenador da Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher
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