ARTIGO
“Tô nem aí”
Luiz Fernando Mainardi* | PT - 15:40 - 30/11/2015
Mais uma ameaça paira sobre a cabeça dos servidores públicos gaúchos. Depois de atrasar e parcelar salários, aprovar leis orçamentárias que não projetam nenhum reajuste para os próximos quatro anos, entre outras “maldades”, o Governo Sartori, através de seu principal porta-voz, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, sinaliza que não terá dinheiro para pagar o 13º salário ao funcionalismo. E, o que é mais grave, afirma que não dispõe de nenhum “plano b” para contornar o problema. Tipo aquele música “Tô nem aí”.

Questionado pela imprensa, o secretário, que tem se notabilizado pela “habilidade com as palavras”, nas quais às vezes tropeça, jogou para os ombros do servidor a responsabilidade de buscar na rede bancária empréstimo para passar o final do ano com algum dinheiro no bolso.

Ao contrário de outros governos, que criaram com o Banrisul uma linha de crédito especial, responsabilizando-se pelos juros, Sartori, através de seu interlocutor, diz desconhecer, inclusive, se o banco do Estado disporá de dinheiro para esta finalidade. “Este negócio é entre banco e servidor que vai buscar o empréstimo”, declarou, textualmente.

Nossa preocupação, além do impacto negativo que a medida representará para 347 mil famílias, é o ambiente que cria para a prestação de serviços públicos à comunidade. Com que tranquilidade um brigadiano, por exemplo, irá às ruas proteger a sociedade, sabendo que não terá como proporcionar uma festa, por mais modesta que seja, para sua família nas comemorações de final de ano ou, até mesmo, para pagar dívidas ou comprar um presente para seu filho?

É mais um capítulo da novela encenada pelo governo que, diante de sua inoperância em apresentar soluções para governar o Estado, opta por terceirizar suas responsabilidades enquanto cria as condições para implementar a velha política peemedebista gaudéria de reduzir o tamanho do Estado em busca do “déficit 0”, sem se importar com a dívida social que tais ações cria.

Por outro lado, a semana começa com outra notícia ruim para os funcionários do Estado. Depois de aprovar, na semana passada, à toque de caixa e com o apoio de sua base parlamentar, o projeto que assegura deságio à General Motors (GM) para o pagamento de incentivos concedidos no passado através do Fomentar, sob o pretexto de viabilizar o pagamento dos salários de novembro, Sartori vai pagar em doses homeopáticas. Estima-se que a folha só estará integralizada na terça-feira. Até lá, o funcionário terá que monitorar seu extrato bancário de “minuto em minuto” para controlar o que receberá ao longo da segunda e da terça-feira. Na medida em que forem entrando os recursos da GM e de outras fontes de arrecadação, o governo irá transferir para a folha dos funcionários, por faixas salariais.

E, para culminar, a semana que passou também foi marcada por uma desastrada declaração do governador que, anteriormente, já havia sugerido que os professores buscarem o piso salarial na Tumelero. Sartori disse, em pronunciamento no Palácio Piratini, que os funcionários deveriam dar “graças a Deus” por terem estabilidade. Desnecessária e inoportuna a fase do governador, que só serve para azedar, ainda mais, as relações do governo com o quadro de funcionários.

Antes que falem que é “culpa do PT”, lembro que as contas do Estado estão desajustadas há pelo menos 40 anos. Nós tínhamos um projeto de governo que estimulava o desenvolvimento, aumentava a renda pública e a renda privada, ampliava os serviços públicos, valorizava os servidores e fazia o Estado crescer.

* Deputado estadual, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa

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