SEGURANÇA E SERVIÇOS PÚBLICOS
Diretor da CEEE desmente, em audiência pública, boatos de demissões em massa
Olga Arnt - MTE 14323 | Agência de Notícias - 14:32 - 17/12/2015 - Edição: Marinella Peruzzo - MTE 8764 - Foto: Luiz Morem

O diretor administrativo do Grupo CEEE, Leonardo Hoff, desmentiu, hoje (17) pela manhã na Assembleia Legislativa, boatos de que exista uma lista com o nome de futuros demitidos da companhia. “Nenhum servidor foi demitido e não existe qualquer lista. O que há, de fato, é a elaboração de um plano de ajuste estrutural, que envolve várias áreas da empresa, inclusive, a de recursos humanos. No entanto, nenhuma medida será adotada sem antes conversarmos com o sindicato”, afirmou o dirigente durante a audiência pública da Comissão de Segurança e Serviços Públicos, que tratou de desligamentos de pessoal da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e da CEEE. O encontro foi coordenado pelo presidente da Comissão, deputado Nelsinho Metalúrgico (PT).

O temor de demissões em massa, entretanto, tem assombrado tanto os eletricitários quanto os mineiros e servidores da CRM. A vice-presidente do Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul, Ana Maria Spadari, afirmou que as informações que circulam na empresa dão conta da existência de uma lista com cerca de 300 nomes. Ela alertou que um processo de desligamento em massa acarretará prejuízos técnicos e econômicos para a companhia, além de produzir impacto no setor energético de todo o Estado. “Não somos contra os desligamentos, mas a forma com que o processo está sendo conduzido. Queremos discutir um Plano de Demissões Voluntárias”, reivindicou.

Mercado em crise
O balanço de 2014 da CEEE aponta um déficit de R$ 800 milhões que, segundo Hoff, obriga a companhia a promover mudanças estruturais. O montante é resultado de um passivo trabalhista, que consome cerca de R$ 140 milhões por ano, de R$ 100 milhões destinados ao pagamento da folha dos servidores ex-autárquicos e de um custeio alto. Com a renovação da concessão, a empresa se comprometeu a equacionar o passivo a médio prazo e, ao final do primeiro ano do novo contrato, zerar o deficit orçamentário. “Do contrário, o Estado, que detém 70% das ações da CEEE, terá que aportar recursos financeiros”, frisou.

Na CRM, já ocorreram sete demissões neste ano – três engenheiros e quatro mineiros. O presidente do Sindicato dos Engenheiros, Alexandre Mendes Wollmann, revelou que os trabalhadores dispensados não tiveram a oportunidade de acessar o Plano de Demissões Incentivada da empresa. A situação, segundo ele, poderá gerar novos passivos trabalhistas.

O presidente da CRM, Edivilson Brum, reconheceu que a empresa enfrenta dificuldades, em função da retração do mercado, e que está se adequando ao novo momento da economia. “Nem todos os projetos previstos quando o mercado estava aquecido se concretizaram, obrigando a CRM a se adequar à nova realidade do mercado. As atividades realizadas pelos trabalhadores desligados estão sendo supridas por outros servidores da mesma categoria”, ressaltou.

Brum afirmou, ainda, que grande parte dos problemas da CRM se deve ao fato de ter seu faturamento dependente, quase que exclusivamente, da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE). “Mais de 90% do faturamento da CRM vem da CGTEE, que está há quase quatro meses com os repasses atrasados. São R$ 41 milhões que ainda não foram pagos”, apontou.

Ele revelou também que a redução das aquisições de carvão de 275 mil toneladas por mês para 208 mil toneladas por mês pela Usina de Candiota produzirá um impacto negativo relevante no desempenho financeiro da companhia. Por outro lado, ele anunciou que a CRM trabalha para estancar o prejuízo de Minas do Leão, que chegou a R$ 20 milhões nos últimos dois anos, e para retomar a Usina do Leão II, arrendada por uma empresa de Santa Catarina desde 2002, que não produziu nada.

O presidente da Comissão de Segurança e Serviços Públicos, deputado Nelsinho Metalúrgico fez um apelo aos diretores das duas estatais para que construam alternativas com a participação dos trabalhadores. Ele sugeriu que representantes do Ministério Público do Trabalho, que acompanharam as discussões, também participem da elaboração de propostas para contornar o problema.

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