ARTIGO
Sem justiça na tragédia da Kiss, o luto perdura
Adão Villaverde* | PT - 15:38 - 26/01/2016
Um jovem amigo, alertado sobre o marco de três anos do incêndio da Boate Kiss neste dia 27, me questionou: este luto já não devia ter acabado, tanto tempo depois do acontecido? Respondi que desconheço parâmetros definidos para dimensionar o tempo de duração da dor imensurável da perda de 242 jovens e do padecimento de outros 600, sobreviventes de uma tragédia inaceitável que perdura na memória coletiva de Santa Maria e do Rio Grande do Sul, de famílias espalhadas pelo Estado e de ocupantes de leitos de hospitais que, até na Capital, convivem com sequelas duradouras no corpo e na alma.
 
Creio, entretanto, que o luto do vazio deixado pelo ente amado, tragado pelas chamas e intoxicado pela fumaça, é alongado, pelo menos, por duas situações que desrespeitam as vítimas, seus parentes e todas as pessoas preocupadas com a segurança nos prédios, especialmente nos destinados a eventos de celebração e alegria. Uma delas é a impunidade que envolve os responsáveis pelo crime ainda que sem dolo; a outra é a recorrente tentativa de flexibilizar a nova legislação de segurança, proteção e prevenção de incêndios, tristemente apelidada de Lei Kiss.
 
A própria legislação criou um Conselho que pode atualizá-la e adaptá-la quando necessário, mas que seguramente não autoriza qualquer flexibilização irresponsável. Em diferentes medidas, as duas posições desafiam a Justiça e desprezam o regramento objetivo para se evitar novas tragédias, gerando, assim, uma sensação de impotência, descrença em providências e prolongamento da desesperança.
 
Como esquecer uma tragédia que não tem todos os culpados responsabilizados e que, pior ainda, pode se repetir, se a lei retroceder como querem os que se importam menos com as vidas humanas e mais com os custos financeiros da prevenção ou os metros quadrados de construção? Digo, então, ao jovem amigo: enquanto não houver justiça nem esperanças de que jamais se repita tanto horror, o luto se estenderá, reproduzindo uma dor que não termina só com o passar do tempo, mas que infelizmente se eternizou nos corações e nas mentes de todos nós.
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