ARTIGO
Pepe Mujica, doutor honoris causa do RS
Adão Villaverde* | PT - 12:34 - 17/08/2016

Ao levar a Montevidéu, junto com o colega deputado Luiz Fernando Mainardi, o convite da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) para que o ex-presidente uruguaio José Mujica venha ao estado receber o título doutor honoris causa da universidade pública gaúcha me senti imensamente honrado e gratificado.

Não é por acaso que este galardão é o primeiro que o Conselho Universitário da instituição decide conceder em seus 10 anos de atividades.

De fato, aos 81 anos, Pepe Mujica é merecedor da ilustre distinção por vários motivos consistentes.

Autodidata que estudou muito em seus 14 anos de prisão, a maior parte em celas solitárias, a que foi condenado pela ditadura do Uruguai (1975/1983), o ex-guerrilheiro tupamaro é um cúmplice nato dos educadores diplomados.

Enquanto foi chefe do executivo do país vizinho (2010/2015 ), ele abdicou de 90% de seu salário para destiná-lo a instituições de caridade e às escolas rurais das vizinhanças de sua chácara, a 30 quilômetros da capital, onde mora na companhia da esposa, senadora Lucía Topolansky e da  vieja cadela de três patas, chamada Manuela. Para ele, a educação dos jovens desempregados e sem ofício das redondezas pode ser o atestado para a alforria social, em um país  agropastoril de maioria idosa que sufoca crescentemente as contas da previdência pública.

Pepe Mujica governou com coragem inovadora, editou a medida de liberação da maconha para combater o tráfico organizado de drogas; apoiou o casamento de pessoas do mesmo sexo e o posicionou-se favorável ao recebimento dos detentos da prisão norte-americana na Baía de Guantánamo em Cuba, enfrentando todas as contrariedades e preconceitos, dentro e fora do seu país.

Foi um dos artífices da construção do encontro de Barak Obama com Raul Castro, contribuindo para o fim do bloqueio norte-americano a Cuba, após mais de meio século. Pepe disse a Obama que os norte-americanos deveriam fumar menos e aprender mais idiomas. Em um salão repleto da Câmara do Comércio dos EUA discorreu sobre os benefícios na redistribuição de riqueza e aumento do salário para a classe trabalhadora. Falou aos estudantes da American University que não existem guerras justas. “Todas são injustas”.

Quando o taxaram de “o presidente mais pobre do mundo”, Pepe também rejeitou o rótulo: “Uma pessoa pobre não é aquela que tem pouco, mas a que precisa sempre de mais e mais e mais. Eu não vivo na pobreza, vivo com simplicidade. Necessito de poucas coisas para viver”.

Quem seria mais indicado para ser agraciado com o título destinado a homenagear homens eminentes que, pela dimensão de sua obra, enriquecem a vida cultural, social e política de todos nós e que ainda por cima nos ensina lições de vida?

* Professor, engenheiro e deputado estadual (PT/RS)

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