ARTIGO
Golpe de 2016 de novo contra a legalidade 55 anos depois
Adão Villaverde* | PT - 11:44 - 24/08/2016

Em meio ao golpismo sem armas e sem urnas que viceja no nosso país neste ano fatídico de 2016, devemos evocar a mais honrosa inspiração para a defesa da democracia e do Estado de Direito pertencente à memória coletiva dos gaúchos, marcados como protagonistas na história recente do país.

Refiro-me ao épico Movimento da Legalidade, amálgama do espírito libertário, da reverência à Constituição e da coragem dos gaúchos, manifestados há 55 anos, nas ruas do RS.

Em 2011, na presidência do Parlamento gaúcho, no marco do cinquentenário, resgatamos e homenageamos a heroica campanha, com a instituição da Sessão Solene anual alusiva à data, criamos a medalha rememorativa e, com uma série densa de eventos, palestras e publicações, recuperamos o exemplo da bravura dos cidadãos indignados com a afronta à Carta Magna e com o desrespeito ao escrutínio das urnas, liderados pelo governador Leonel Brizola em 1961.

A epopeia deve ser obrigatoriamente referenciada pelos democratas e progressistas em solo gaúcho e brasileiro, estarrecidos com o ataque violento não só à democracia, mas também aos direitos sociais e trabalhistas.

Agem as mesmas forças e interesses dos grandes grupos econômicos, certo tipo de parlamentares, parte do Judiciário e a mídia das famílias mais ricas do Brasil que tentaram o golpe contra João Goulart para que não assumisse a presidência na renúncia de Jânio Quadros e que antes, em agosto de 1954, contribuíram, decisivamente, para a morte do presidente Getúlio Vargas.

Hoje, os mesmos, igualmente mancomunados, promovem ataques desesperados e ilegais ao mandato da presidenta Dilma e aos 54 milhões de cidadãos que a elegeram nas urnas.

Por isso, nesta data tão emblemática, na Casa do Povo, tomo a liberdade de conclamar os gaúchos, os democratas, os trabalhistas, os progressistas e os constitucionalistas para que assumamos, por inteiro, nossa herança das melhores tradições cívicas do solo rio-grandense.

Impõe-se intensificar um amplo movimento por Eleições Diretas Já, contrapondo-se à alternativa golpista que, se fragilizada, vai propor novo presidente, via Congresso, ou realizar uma eleição tutelada em 2018.

Todo esforço de retomada da consciência democrática nas ruas não pode ficar desamparado, à mercê do conformismo com o ilegítimo interino, que será levado por força inercial a concluir seu ilegal mandato.

Devemos potencializar a muito provável crescente perda de legitimidade e, principalmente, o aumento do desgaste que se desenha num horizonte muito próximo. Vide as recentes denúncias contra Temer, Padilha e Serra, associadas às conhecidas, dos chamados “notáveis ministros corruptos” do governo golpista.

Este é o rumo para a solução da crise do ponto de vista democrático e popular; de um lado, apostando na unificação de uma plataforma de lutas nacional, que evite dispersão dos movimentos sociais e unifique sua potência; de outro, repelindo o acomodamento e as simplificações paralisantes frente ao ilegítimo governo.

Do contrário a derrota da democracia e os avanços da regressão e do conservadorismo, caminharão, a passos largos, tutelados pelo mercado e pela batuta implacável do rentismo.

Vamos reafirmar que nossa gente sempre está na linha de frente da defesa e da garantia dos direitos de nossa Carta Magna.

Aqui, agora, estamos vivendo a História e não serão tolerados os que falsearem a defesa da democracia, assim como não se aceitam os traidores, de Judas aos dias de hoje.

Sejamos leais à memória de Vargas, à trajetória de Brizola, à coragem dos cidadãos entrincheirados na barricadas em volta do Piratini e ao passado ilustre dos parlamentares que nos antecederam em sessão permanente da Assembleia da época, que resistiram honradamente e não permitiram que se desrespeitasse a Democracia e se apequenasse o Rio Grande e o Brasil.

* Deputado estadual

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