ARTIGO
Os policiais e a segurança pública
Marcel van Hattem* | PP - 17:13 - 24/08/2016

O que leva um homem a colocar sua própria vida em sério risco todos os dias? O que leva um homem a despedir-se de sua família no início de mais um dia de trabalho, sem saber se tornará a vê-la no fim desse dia? Com tantas profissões, tantas possibilidade, o que move essas pessoas que nos protegem corajosamente, a despeito de tantos riscos?

Seria uma promessa de imenso retorno financeiro, um salário altíssimo ou grandes ganhos extras?

Sabemos que não. Aliás, lamentavelmente, sabemos que nossos agentes de segurança não são valorizados, que seus ganhos estão muito abaixo do razoável.

Considerando suas atividades, considerando o preparo físico e psicológico que devem ter, considerando os riscos a que estão submetidos, policiais militares, agentes civis, bombeiros, enfim, todos que protegem as propriedades, os bens e a vida dos cidadãos deveriam receber muito mais do que recebem.

Mas não recebem. Porque desde há muito tempo as prioridades do Estado brasileiro estão erradas. O Governo Federal e os governos estaduais, HISTORICAMENTE, fazem de tudo.

Constróem aviões, prestam serviços gráficos, armazenam grãos, administram estradas, dão dinheiro para cinema, para outros países, perdoam dívidas... Enquanto o Estado não for capaz de garantir SEGURANÇA a seus cidadãos, não deveria meter-se em mais nada!

Segurança é o básico do básico, é o mínimo de que um município, um estado, um país necessitam para existir e fazer todo o resto. Sem segurança não há locomoção, não há produção, não há comercialização, não há trabalho, não há lazer, não há nada.

Mas, se não fosse suficiente o fato de nossos agentes de segurança serem pessimamente remunerados, há ainda o fato de não terem condições para trabalhar.

É por isso que faço questão de homenagear o Sargento Arilson Silveira dos Santos.

Com efetivo muito abaixo do necessário, acontece o que aconteceu com o Sargento Silveira: é obrigado a trabalhar em dia de folga. O sargento teve coragem, teve preparo, teve sangue frio – mas não teve cobertura. Sozinho, exposto, acabou assassinado covardemente, pelas costas.

É assim que trabalham nossos policiais: com parceria insuficiente, com armamento em qualidade e quantidade inferior ao da bandidagem, com deficiências nos veículos, nos equipamentos... São muitos os problemas!

Mas, se não é por retorno financeiro, por ganhos pecuniários, o que, então, leva um homem a expor-se na condição de policial, submetido a tantos riscos? Seria por fama, por reconhecimento da opinião pública?

De modo algum!

Muitos dos ditos intelectuais e boa parte dos políticos e jornalistas, formados nos bancos da “escola do ressentimento” marxista, em universidades tomadas por doutrinação revolucionária, insistem em tratar os bandidos como vítimas da sociedade. Insistem em colocar sob suspeita toda e qualquer ação policial.

Enquanto isso, frequentemente vemos em artigos e capas de jornais que os policiais é que são os culpados, até que se prove o contrário – e os criminosos, quase anjos que não tiveram alternativa a não ser comprar armas que custam milhares de reais, porque passam fome e são oprimidos...

Sabemos que isso tudo é falácia. Sabemos que é mentira e, sobretudo, é desconsideração para com homens da estirpe do Sargento Silveira – que merecem todas as honras, continências, condecorações e valorizações.

Por isso tudo que uma condecoração dessas é tão importante, tão valiosa. Todo reconhecimento a nossos policiais é POUCO! Por isso tudo que, como deputado, vali-me do direito de oferecer a medalha da 54ª Legislatura ao Sargento Silveira – in memoriam – e à sua família.

Por isso tudo que saúdo com muita esperança as ações que o Governo Sartori tem feito para enxugar a máquina pública, para diminuir o tamanho do Estado, para que o Governo possa honrar com seus compromissos e – esperemos – valorizar financeiramente essa categoria historicamente tão maltratada.

Mas o fato é que Sargento Silveira, num dia de folga, desarmado, desprevenido, respondeu à pergunta que fiz várias vezes na minha fala: O QUE LEVA UM HOMEM A COLOCAR SUA VIDA EM SÉRIO RISCO TODOS – TODOS! – OS DIAS?

É A VOCAÇÃO, É A MISSÃO!

É isso que leva homens como o Sargento Silveira a se sacrificarem. É algo que não se controla, a que não se pode dizer não. Só isso, só a vocação, pode ser mais forte do que um homem como o Sargento Silveira. Foi ela, creio, que o fez enfrentar três bandidos covardes, desarmá-los e expulsá-los do recinto que tentavam assaltar.

Foi a vocação ao heroísmo, à bondade, que o fez ter piedade de um dos marginais que fugiu – podendo abatê-lo pelas costas, Sargento Silveira apenas atirou para cima, para afugentar os criminosos.

Mas nosso herói, um dos tantos heróis que nos protegem, tombou. Os covardes que se aproveitam de uma população desarmada e apavorada se aproveitaram da situação e atiraram no Sargento pelas costas.

Mas eles não atiraram apenas no Sargento Silveira; atiraram em todos nós. Todos sentimos, todos lamentamos, todos choramos quando um de nossos homens mais bravos é abatido por um dos tantos criminosos covardes que andam impunes por aí.

Mas a atuação do Sargento Silveira não foi em vão. Onde ele atuou, os homens que comandou, não há quem não se renda a sua eficiência, a sua capacidade de liderança, a sua tranquilidade e bondade no trato com o próximo, a sua inegociável necessidade de cumprir sua missão.

É com o exemplo do Sargento Silveira que ficamos. Exemplo de uma vida honrada, com dedicação ao bem comum, ao cuidado para com a sua família e as nossas famílias. Um herói de carne e osso, que deixa, sobretudo, memórias inspiradoras, alegres e de esperança.

Deste momento em diante, rendamos nossas homenagens ao Sargento Silveira todos os dias, seguindo seu exemplo de dedicação, de coragem, de cumprimento das missões que surgem, de combate do mal, de defesa do bem e da verdade.

* Cientista político e deputado estadual

Artigo em homenagem ao Sargento Arilson Silveira dos Santos da Brigada Militar, morto por um bandido no dia 23 de janeiro de 2016. O deputado Marcel van Hattem prestou homenagem a ele e à família em maio deste ano.

© Agência de Notícias
Reprodução autorizada mediante citação da Agência de Notícias ALRS.
© Agência de Notícias
As matérias assinadas pelos partidos políticos são de inteira responsabilidade dos coordenadores de imprensa das bancadas da Assembleia Legislativa. A Agência de Notícias não responde pelo conteúdo das mesmas.
Versão de Impressão
PESQUISA DE NOTÍCIAS
Termo
Período
   


TV Assembleia

Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
Praça Marechal Deodoro, 101 - Porto Alegre/RS - Cep 90010-300 - PABX (51) 3210.2000

Horário de atendimento: das 08:30 às 18:30