ARTIGO
Hoje, eu só temo a morte da democracia!
Juliano Roso* | PC do B - 15:29 - 06/09/2016
O dia 29 de agosto de 2016 deve ficar na história do Brasil. Nesse dia, a presidenta Dilma Rousseff foi até o Senado Federal, voluntariamente, para se defender das acusações que podem culminar com a perda de seu mandato. De cabeça erguida, Dilma respondeu serenamente ao questionamento de senadores que ali figuravam como coadjuvantes de um golpe parlamentar que abre precedentes graves para a democracia brasileira.
 
Digo coadjuvantes pois muitos deles não conseguiam nem justificar o voto pelo impedimento da presidenta. Faltava argumentação. Isso ocorre pela falta de crime. Como Dilma disse em seu pronunciamento, "desde a proclamação dos resultados eleitorais, os partidos que apoiavam o candidato derrotado nas eleições fizeram de tudo para impedir a minha posse e a estabilidade do meu governo. Disseram que as eleições haviam sido fraudadas, pediram auditoria nas urnas, impugnaram minhas contas eleitorais, e após a minha posse, buscaram de forma desmedida quaisquer fatos que pudessem justificar retoricamente um processo de impeachment".
 
Nós já vimos esse filme. Em 1964, muitos setores da sociedade — com representantes vivos e atuantes na política atual — negavam o golpe. O que vivemos foram décadas de repressão, crimes e perda de direitos. Mesmo tendo provado do gosto amargo da ditadura, parece que temos dificuldades em lidar com a democracia. Vale lembrar que diferentemente do que muitos esbravejam, Dilma é apontada nesse julgamento pela assinatura de decretos complementares para o custeio de programas de crédito, como o Plano Safra. É bom registrar que outros presidentes assinaram decretos semelhantes e nunca foram questionados pelo Tribunal de Contas da União. Isso sem falar em governadores.
 
Sem crime, sem enriquecimento ilícito, sem contas no Exterior, a presidenta eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros se mantém firme no desfecho de um golpe que se iniciou antes da eleição passada. E dessa maneira entra para a história como a primeira mulher a presidir o Brasil. E, apropriando-me de um trecho do discurso de Dilma, destaco minha preocupação com os rumos do país: Hoje, eu só temo a morte da democracia!
 
*Deputado estadual
© Agência de Notícias
Reprodução autorizada mediante citação da Agência de Notícias ALRS.
© Agência de Notícias
As matérias assinadas pelos partidos políticos são de inteira responsabilidade dos coordenadores de imprensa das bancadas da Assembleia Legislativa. A Agência de Notícias não responde pelo conteúdo das mesmas.
Versão de Impressão
PESQUISA DE NOTÍCIAS
Termo
Período
   


TV Assembleia

Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
Praça Marechal Deodoro, 101 - Porto Alegre/RS - Cep 90010-300 - PABX (51) 3210.2000

Horário de atendimento: das 08:30 às 18:30