ARTIGO
A resistência permanente contra os retrocessos recorrentes
Adão Villaverde* | PT - 12:27 - 12/01/2017

Se uma só imagem pudesse resumir este ano de atuação do nosso mandato parlamentar eu não teria dúvidas em eleger a fotografia obtida no Plenário da Assembleia Legislativa em fevereiro de 2016. Na tarde do dia 23 daquele mês, uma terça-feira, no primeiro Grande Expediente do ano, com o título “Em defesa da democracia”, alertamos, em tom de manifesto pela preservação do Estado Constitucional de Direito, a triste sensação de que havia um golpe brutal sendo gestado por uma aliança espúria com parlamentares de oposição e oportunistas, parte do Judiciário, grandes empresários e certa mídia.

Portanto, antes das votações na Câmara Federal (dia 17 de abril) e no Senado (30 de agosto), que golpearam Dilma Rousseff, trabalhadores e representantes já nos preparávamos para uma imprescindível resistência permanente, redobrada a cada novo açoite contra direitos e conquistas da população que, previa-se, dariam continuidade ao duro golpe – que vai se estender em 2017 em todo o país.

O retrato que resume a solenidade, com os trabalhadores, líderes sindicais, ativistas e deputados unidos segurando a faixa da reafirmação democrática, é um símbolo da persistência que se tornou permanente, e cresceu a cada recorrente retrocesso que os golpistas, de variados cleros, impuseram aos brasileiros.

Houve muitos outros registros visuais bastante expressivos, ao longo do período legislativo destes conturbados últimos 12 meses. Acredito que, somados em um mosaico sem cronologia, dão uma certa ideia da abrangência e do significado de uma representação parlamentar como a nossa, que consolida um mandato de opinião, vinculado aos interesses prioritários das comunidades gaúchas e dos cidadãos que constroem esta delegação.

Recebemos, com deputados petistas, na sala da presidência do Parlamento, em 2 de maio, a visita honrosa do Prêmio Nobel da Paz 1980, o argentino Adolfo Perez Esquivel, após sua ida ao Senado, em Brasília, onde definiu o ataque institucional à Constituição sem armas, “como um golpe de Estado brando de novo tipo”, já aplicado em Honduras e no Paraguai.

Estivemos com o importante ativista Guilherme Boulos no Rio de Janeiro em 2 de dezembro em um debate sobre as distintas experiências de governo de partidos de esquerda e progressistas na América Latina.

Levamos, o deputado Luiz Fernando Mainardi e eu, ao ex-presidente José Pepe Mujica no Senado do Uruguai o convite da Unipampa para laureá-lo com o primeiro título de doutor honoris causa daquela universidade federal.

Em Paris, também debatemos com os senadores Thierry Foucaud, vice-presidente do Senado, e Laurence Cohen, sobre o orçamento público como instrumento de planejamento.

Nas capitais carioca e francesa lançamos o livro “É Golpe, sim! Terceiro turno sem urnas, o ataque aos direitos sociais e o entreguismo” que resgata a anatomia da traição às urnas que elegeram a presidenta Dilma Rousseff e denuncia a continuidade da devastação golpista.

O livro, aliás, foi lançado em cidades do interior do RS. Em Cacique Doble, após um encontro com agricultores familiares em assembleia de cooperativas de crédito rural, os kainkangues Josimar Silveira e Nestor Antonio pediram exemplares autografados pelo autor.

Esta fotografia se insere na galeria dos lançamentos da publicação da Editora Sulina, apresentada oficialmente na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 9 de novembro, mas antes teve duas sessões prévias. Na primeira delas, no Plenarinho, em 21 de setembro, os colaboradores do livro, cientistas políticos Céli Pinto, Benedito Tadeu César, Ilton Freitas e o autor detalharam aspectos da coletânea, que só foi possível com a parceria dos companheiros.

Depois, no Sindbancários também em Porto Alegre, “É Golpe, sim!” foi pré lançado com a presença o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
É gratificante, também, a fixação digital do momento de nossa participação na colorida e irreverente Parada do Orgulho Louco, que invadiu, em sua sexta edição, as ruas e instituições de Alegrete, renovando as esperanças no tratamento de saúde mental digno para as pessoas com sofrimento psíquico. Com a deputada Stela Farias, elaboramos a lei que inclui o ato no Calendário de Eventos Oficiais do RS.

Representando a Assembleia Legislativa, participei, em 24 de outubro, da abertura do 39º Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, realizado pela primeira vez no Brasil, em Bento Gonçalves, reforçando a nossa histórica vinculação com o setor e os produtores de uva. A presença continua na Avaliação Nacional de Vinhos da safra sempre rende cenas curiosas de degustação que, alguns sabem, são regadas à água mineral e bolacha salgada, para não contaminar o paladar.

O mandato coleciona imagens da presença em eventos de grande representatividade social que emblematizam os conflitos de 2016.

Inúmeros retratos foram captados na Esquina Democrática, nas ruas, em praças, em escolas públicas, em universidades apoiando protestos, reivindicações e manifestações de estudantes, professores, representantes comunitários e de minorias, expressando o descontentamento com a visão política que castiga o país, o estado e agora capitais – como Porto Alegre onde se inicia um desmonte das funções e do patrimônio público.

São especialmente caros, para nós, até pela proximidade temporal, os testemunhos fotográficos da resistência ao pacote de desmanche do RS em dezembro passado.

Nas longas e intermináveis sessões de votação no Parlamento gaúcho, agimos com a obrigatória resistência para tentar impedir os prejuízos da aprovação dos projetos de lei do executivo. Desafiando a exaustão física e o estresse mental, nos revezamos, por tardes, noites e madrugadas, na tribuna e no microfone de apartes.

Também fomos à Praça da Matriz, palco de guerra bombardeado pela polícia militar de Sartori e sob vigilância de militar armado em um helicóptero, conversar e apoiar os trabalhadores ameaçados com o desemprego oriundo da extinção de fundações e ameaças de privatizações de empresas públicas. Mesmo depois da votação, ainda acompanhamos os atos dos servidores que recorrem a todas as instâncias possíveis para evitar o desemprego e a precarização da cultura, da produção do conhecimento, da pesquisa, da inovação e da comunicação públicas do estado.

Na imagem, já antiga, de fevereiro do ano passado, há nos rostos de todos, sorrisos escassos adequados à apreensão daquele momento. Não escondem a grave preocupação com o que então se antevia para o nosso país. Mas também se pode vislumbrar, em cada olhar, a firme determinação de todos de jamais desistir de lutar pelo mundo melhor com que sonhamos.

*Deputado estadual (PT)

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