ARTIGO
Não deu samba
Sérgio Turra* | PP - 09:33 - 16/01/2017

A Imperatriz Leopoldinense foi infeliz ao associar, em seu novo samba enredo, a agroindústria nacional à destruição ambiental. Aquecendo os tambores para o desfile de 2017, o grupo carioca apresentou uma ala intitulada "os fazendeiros e seus agrotóxicos". Despertou, é óbvio, a ira de milhares de famílias, produtores e pessoas que fazem a roda da economia girar.

Só em 2016, o valor bruto de produção do setor foi de R$ 523,6 bilhões — resultado muito parecido com o do ano anterior. A balança comercial teve um superávit de US$ 47,692 bilhões, o melhor da história do país. Houve recorde de exportação de carne de frango, suco de laranja, celulose; atingimos o topo no cultivo e exportação de açúcar, café e soja.

O quadro de recessão só não é pior graças ao desempenho no campo — que responde por mais de um terço dos empregos do país, de acordo com a Confederação Nacional de Agricultura (CNA). Milhões de pessoas dependem do agronegócio para garantir a sustentabilidade financeira de suas famílias e de seus negócios.

É no mínimo irresponsável reduzir, classificar e generalizar essas atividades como nocivas ao meio ambiente. Ainda mais em um espetáculo com tamanho poder de difusão como é o Carnaval do Rio de Janeiro.

O Brasil tem 61% de seu território preservado — frente a 9,7% da América Central; 7,8% da África; 5,6% da Ásia e apenas 0,3% da Europa. Nossas leis ambientais estão entre as mais rigorosas do mundo, bem como a regulação, a fiscalização e a normatização de agrotóxicos. O consumidor está cada vez mais exigente.

Existem práticas condenáveis e excessos na agroindústria nacional, claro, como em todos os lugares, infelizmente. Porém, muito foi feito em termos regulatórios nas últimas décadas. Estamos cada vez mais próximos de um horizonte de equilíbrio entre o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental.

Com todo respeito, não deu samba. A cultura popular deveria enaltecer a batalha de quem trabalha de sol a sol para colocar alimento na nossa mesa. O agro é vocação, é identidade nacional, a cara de um Brasil que se renova com mais respeito e valorização a quem produz.

* Deputado Estadual

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