GRANDE EXPEDIENTE
Miriam Marroni trata de abuso e violência sexual no Grande Expediente
Francis Maia - MTE 5130 | Agência de Notícias - 16:17 - 01/03/2018 - Edição: Letícia Mallmann - MTE 11897 - Foto: Marcelo Bertani
A deputada Miriam Marroni (PT) utilizou o espaço do Grande Expediente na sessão plenária desta quinta-feira (1º) para abordar o tema do abuso e assédio sexual de mulheres, crianças e adolescentes. As denúncias de atrizes americanas, das ginastas olímpicas abusadas pelo médico, também nos Estados Unidos, e a ficção televisiva brasileira sobre a prática delituosa do delegado com a enteada como vítima nortearam a abordagem da parlamentar. Miriam, que é psicóloga, destacou vários sintomas comportamentais provocados pelas agressões para estimular as denúncias dessa violência, geralmente praticada no âmbito familiar. Também destacou a importância dessa discussão para avaliar a eficácia das políticas públicas direcionadas para esse tema.
 
Conforme a parlamentar, os argumentos para o pronunciamento surgiram das denúncias recentes, nos Estados Unidos, de grupo de artistas durante entrega de premiação, acusando a prática recorrente de abuso sexual de renomados diretores de cinema, “evidenciando a hierarquia de poder para a conduta criminosa”. Outra revelação surpreendente veio das jovens ginastas olímpicas americanas, vítimas de abuso sexual de reconhecido médico, levado a julgamento e condenado. "Num ato coletivo de sofrimento, elas revelaram ao mundo os atos praticados pelo médico desde quando tinham 12 ou 13 anos”, destacou Miriam Marroni, se referindo à difícil transição vivenciada pelas meninas para superar a autoridade do profissional e identificar os abusos praticados durante os rotineiros exames de saúde.
 
Superioridade sobre a vítima
Orientou também a deputada o caso da novela Paraíso, transmitida em rede nacional de televisão, que retrata a prática de abuso sexual do delegado da cidade contra sua enteada. Na trama, depois de anos de abuso dentro de casa, o fato é revelado pela cuidadora da menina. Situação idêntica aconteceu em Pelotas, na semana passada, contou Miriam Marroni. “Como a menina Laura, da novela, em Pelotas uma vizinha, ao cuidar de três crianças por solicitação da mãe, diante do choro de uma das crianças no banho, descobriu os sinais da violência na região genital e denunciou”, revelou a parlamentar.
 
Ao registrar que a cada 11 minutos uma criança é violentada, a parlamentar discorreu sobre o perfil dos abusadores, em sua maioria estimulados pela cultura que promove o domínio masculino através da sexualidade. “São homens patologicamente comprometidos, têm uma doença cultural. O machismo desencadeia e desenvolve comportamento na área da sexualidade, que exacerba seus hormônios e são condicionados ao exercer a sexualidade, cobrados pela sociedade a provar a masculinidade”, explicou. Nessa condição, muitas vezes praticam o crime contra filhas, sobrinhas e amigas e não consideram como crueldade. Na avaliação da deputada, “trata-se de um comportamento sociológico primitivo”.
 
Mas é a posição hierárquica do abusador que geralmente determina o silêncio, alertou a deputada, “homens com posição de comando, pelo poder ou pela idade ou parentesco”, mostrando que o assédio também acontece em lares “de homens respeitáveis”. Ela acredita que os casos denunciados recentemente estimulam a discussão no âmbito legislativo desse tema, como forma de avaliar a eficácia das políticas públicas direcionadas às vítimas da violência sexual. "A atitude, ao descobrir um caso de abuso, deve ser a denúncia", orientou.
 
Comportamento sociológico primitivo
Disposta a “provocar a Assembleia para uma revisão dos programas e políticas públicas para que eduquem e alertem os pais e as escolas sobre esse fenômeno”, Miriam Marroni identificou diversos sinais que podem indicar que uma criança sofre violência e exigem atenção: quando a criança demonstra medo de tudo; não quer ficar no escuro; tem medo de estranhos; muda o comportamento radicalmente, de introvertida se torna extrovertida num comportamento observável de bipolaridade; comportamentos agressivos; desconfiança; baixa autoestima; comportamento de sensualidade, exercendo erotismo fora da infância; masturbação compulsiva da criança; enurese (xixi na cama depois dos 10 anos); pequenas práticas delituosas e contravenções quando o ambiente familiar não tem estímulo a esse tipo de atitude.
 
A parlamentar pediu que professores, nas salas de aula, “não tenham medo da desconfiança, sejam uma Sebastiana (personagem da novela) que no final da vida teve coragem de contar o que acompanhou na criação de Laura, a menina abusada”, sugerindo que muitas Lauras podem estar sofrendo abuso sexual de seus parentes na vizinhança, “ao redor de nossas famílias”, encerrou.
 
Apartes
Do plenário, os apartes foram feitos pelos deputados Maurício Dziedricki (PTB); Sérgio Turra (PP); Tarcísio Zimmermann (PT); Pedro Ruas (PSOL); e as deputadas Zilá Breitenbach (PSDB) e Regina Becker Fortunati (REDE).
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