COMISSÃO DE SAÚDE E MEIO AMBIENTE
Vigilância em Saúde afasta risco de surto de febre amarela mas amplia vacinação para todo RS
Francis Maia - MTE 5130 | Agência de Notícias - 15:15 - 07/03/2018 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Guerreiro
Diretora do CEVS, Marilina Bercini (ao centro), explicou medidas adotadas no RS
Diretora do CEVS, Marilina Bercini (ao centro), explicou medidas adotadas no RS
Mesmo sem nenhum registro de óbito por febre amarela neste ano, o Sistema de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul ampliou para todos os municípios a vacinação, medida preventiva à possibilidade de migração do vírus que na região Sudeste do país já provocou 237 mortes. Não há previsão de campanha de vacinação, uma vez que a cobertura atual alcança em torno de 60% da população, disse hoje (7) a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Marilina Bercini, durante audiência pública da Comissão de Saúde e Meio Ambiente. O tema foi proposição dos deputados Valdeci Oliveira (PT) e Gilmar Sossella (PDT).
 
Conforme a especialista, o surto de febre amarela no Sudeste desde o ano passado é silvestre, afastando qualquer possibilidade do perfil urbano da doença, registrado pela última vez no país em 1942. O Ministério da Saúde acompanha a sazonalidade da doença, que registra 720 casos e 237 óbitos. No Rio Grande do Sul, os dois casos registrados foram importados de Minas Gerais, “não temos casos em humanos e nem em macacos”, afirmou Bercini, que mesmo assim vem dando atenção especial ao monitoramento da morte de macacos e bugios no território gaúcho, “são os nossos sentinelas”, explicou. As mortes desses animais sinalizam os locais onde a doença pode estar “caminhando”. Essa identificação é feita por biólogos, universidades, órgãos do meio ambiente e as regionais de saúde, mediante notificações da morte suspeita de bugios e macacos prego, é coletado material e encaminhado para laboratórios. Além disso, a Secretaria Estadual da Saúde reativou as capacitações nos municípios.
 
Corredor ecológico de matas
Uma das explicações para a presença da doença é o avanço de aglomerados urbanos em direção às matas e a circulação de pessoas em locais silvestres sem proteção vacinal. Segundo Marilina Bercini, a doença segue um roteiro regional previsível, “não costuma saltar estados, não vai vir de São Paulo para cá, segue o corredor ecológico de matas”, mostrando que a chance de chegar aqui depende de variáveis, “isso nos dá tempo de fazer ações preventivas”, assegurou. Isso porque há dez anos a região Noroeste do Estado registrou 21 casos de febre amarela e nove óbitos. Naquele período, 52 municípios fizeram a vacinação, que atingiu quase 70% das áreas mais atingidas na região.
 
Outras regiões, como a Metropolitana, têm registro menor de vacinas mas Marilina descartou a realização de campanha específica para a febre amarela, “não estamos com surto, o esforço é para intensificar a vacinação”, assegurou. Disse que em todos os municípios gaúchos existem doses da vacina, que serão disponibilizadas nos postos de saúde mediante agendamento. Voltou a reafirmar que uma dose da vacina é necessária, dispensando nova dose no período de dez anos, como vinha sendo praticado. Essa é uma orientação da Organização Mundial da Saúde e a Anvisa já encaminhou notificação às embaixadas que exigem certificado da vacina para ingresso em seus países.
 
A ampliação da cobertura vacinal vai utilizar não só as estruturas da secretaria da Saúde, mas outros setores, como a educação, através de cartilhas direcionadas às escolas e outras entidades. Mas como a transmissão da febre amarela acontece através da picada do mosquito, a recomendação do setor de vigilância sanitária é no sentido de a população manter as ações de prevenção aos focos de mosquito aedes egytpi. “Por enquanto é silvestre, mas pode ter urbanização e o mosquito é o elo da cadeia”, reforçou.
 
Proteção aos bugios
A deputada Regina Becker Fortunati (REDE) fez um alerta durante a audiência pública, em relação às mortes de macacos e bugios provocadas por agressões “em nome da prevenção da doença”, com registro de 530 animais abatidos em São Paulo, 55 em Salvador e 90 no Rio de Janeiro. “Eles constam na lista de animais em processo de extinção, os bugios ruivos, macaco prego de crista e bugios pretos”, referiu a parlamentar, “são os anjos dos seres humanos pois quando morrem em escala anormal é indicativo da presença do vírus”, explicou. Na Zona Sul de Porto Alegre, no último sábado, foi registrada a morte de uma família inteira de bugios, referindo que a pretexto da febre amarela estão matando esses animais. Ela pediu campanha de esclarecimento a respeito dos macacos, “são sentinelas da doença”, afirmou. Além da vacinação, pediu proteção aos bugios.
 
O deputado Valdeci Oliveira solicitou o empenho da Secretaria na distribuição de cartilhas com orientação à população. Ele também fez alerta a respeito dos animais que também em Santa Maria, sua região, sofreram agressões.
 
Pela Superintendência de Vigilância de Saúde de Santa Maria, Alexandre Strebe fez um alerta sobre o aumento de casos de lashmaniose. Lá, foram confirmados mais de 100 casos em testes rápidos e 18 através do Lacen, “são casos apenas representativos, a estimativa é de que existem mais”, disse ele, solicitando auxílio para orientar a população sobre os cuidados necessários.
 
Presenças
Também acompanharam a audiência pública o ex-secretário estadual da Saúde, deputado Ciro Simoni (PDT); Luis Henrique nascimento, da SEMA; Fernando Pigatto, do Conselho Nacional de Saúde; Michele Menezes, da Superintendência de Vigilância de Saúde em Rio Grande; Rosa H. Mendes, do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre; o biólogo Marco Antonio, da SEMA; Lisiane Becker, do Instituto Mira-Serra; e Lotário Schlindewin, do Conselho Estadual de Saúde.
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