CPI DAS SEGURADORAS
Depoimentos reforçam irregularidades por parte das seguradoras veiculares
Celso Luiz Bender - MTE 5771 | Agência de Notícias - 20:36 - 12/03/2018 - Foto: Marcelo Bertani
Diretor-geral da Abraese, Eduardo Quevedo, fala aos deputados da CPI das Seguradoras
Diretor-geral da Abraese, Eduardo Quevedo, fala aos deputados da CPI das Seguradoras
Na continuidade da CPI das Seguradoras, os deputados ouviram o diretor-regional da Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços para Excelência de Reparação Automotiva (Abraesa), Eduardo Quevedo. Igualmente, ex-peritos trouxeram esclarecimentos quanto a práticas irregulares cometidas por integrantes da categoria.
 
Eduardo Quevedo apresentou à CPI vídeos, áudios e matérias veiculadas em noticiários de TV onde ficaram demonstradas irregularidades nos consertos de carros por parte das reparadoras, por pressão das seguradoras, e a forma que estas empresas utilizam para direcionar o consumidor a que encaminhe o veículo acidentado a determinadas oficinas.
 
“São vários os caminhos utilizados por estas organizações na manipulação do mercado. Primeiro, se apropriam dos consumidores, em relação à necessidade de conserto do seu veículo sinistrado, sua angústia em ter seu carro logo de volta. Na sequência, utilizam desta situação para pressionar as oficinas no trabalho a ser realizado, que peças devem usar e prazos a serem cumpridos. Definem, inclusive, como que em um cartel, o valor da hora-conserto, que chega a 10% daquilo que é cobrado por parte das grandes redes de autorizadas”, informou.
 
De outra parte afirmou que as seguradoras se utilizam de pessoal não capacitado para realizar as perícias. “Peritos, sem formação correta para vistorias, não poderiam arbitrar em relação aos orçamentos. Só engenheiros, segundo resolução do CREA, deveriam realizar a tarefa. Este pessoal é instruído a falsificar ou alterar o laudo de monta de danos, se foi um sinistro de pequena, média ou grande monta. São inúmeros os casos nos quais o dano foi de grande monta, mas o laudo aponta para dano médio. A seguradora, assim, vende aquele veículo para um leiloeiro, que por sua vez vai negociar com alguém não interessado no que sobrou, mas sim no documento que legaliza o processo, incrementando a criminalidade, na medida em que o criminoso roubará ou furtará um carro semelhante para montar um similar com o que havia sobrado, esquentando-o para comércio com o documento legal”, discorreu.
 
Para ele, nova legislação e fiscalização severa devem ser direcionadas para inibir o processo, “que gera um lucro absurdo às seguradoras – não por novos clientes mas por economia em peças – colocando em risco a vida de milhares de pessoas, que desconhecem as irregularidades que permeiam o processo”. Infelizmente, agregou, “estas empresas mandam no mercado, determinando tudo, toda a corrente de situações, lesando o consumidor desde o início até o final”.
 
A seguir, a CPI ouviu o ex-perito Maurício Ricardo Ferreira. Disse que tomou a decisão de depôr em razão de tudo o que havia visto ao longo da sua trajetória como perito trabalhando para seguradoras. “De fato, o objetivo é reduzir o custo em favor da companhia”, iniciou, narrando aos deputados, na sequência, como se dá todo o processo. 
 
Reiterou que as oficinas recebem pressão das empresas para utilização de “peças desclassificadas, uma vez que as genuínas, ou originais seriam muito caras”, acrescentou. Comunicou que construiu relatórios informando aquilo com o qual não concordava, mas que nunca foi atendido. “Cheguei a ir ao exterior, à sede de uma empresa, mas sequer fui recebido”, lamentou, sintetizando que cansou de “conviver com a sujeira deste tipo de negócio”. Disse que este modus operandi não é privilégio deste ou aquele Estado, é nacional.
 
Outro ex-perito, Marcelo Vítor Rodrigues de Amorin, igualmente falou à CPI, mesmo não constando como convocado a depôr. O deputado Enio Bacci disse que abriria exceção tendo em vista que se não poderia desperdiçar a boa-vontade do depoente. “Como se apresenta de forma voluntária, e diante do que pode nos trazer, devemos ouvi-lo”, ponderou.
 
O ex-perito, então, confirmou as irregularidades trazidas por Maurício Ferreira. “Realmente, os peritos são instruídos a baratear os consertos ao máximo, pressionando as reparadoras, gerando grande lucro às seguradoras. O objetivo é a colocação de material não qualificado”, reiterou.
 
Confirmou que é prática das companhias induzirem o cliente à determinada oficina, inclusive sem a necessidade de elaboração de BO (boletim de ocorrência) e informação às autoridades, e concordou que os vistoriadores não têm a instrução adequada à realização dos levantamentos. “Meu relato é voluntário porque não concordo que vidas sejam coladas em tamanho risco”, sublinhou.
 
Participaram das oitivas, além do presidente Enio Bacci, os deputados Elton Weber (PSB), vice-presidente, Tiago Simon (PMDB), relator, mais Sérgio Peres (PRB) e João Fischer (PP).
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