ARTIGO
Narrativa sobre o golpe de 2016, a dependência tecnológica e o entreguismo atrai interesse europeu
Adão Villaverde* | PT - 14:00 - 16/03/2018

Convidado de honra de credenciadas entidades portuguesas recebi o chamamento para lançar, nas cidades de Lisboa e Coimbra, a publicação “Resistência, Utopia e Construção da Hegemonia” e apresentar o capítulo 3 do livro “É Golpe, Sim!”, que aborda especificamente a “Crítica ao Entreguismo e ao Modelo Tecnologicamente Dependente”. Como professor, deputado e testemunha desta era que nos foi dado viver, sinto-me, de certa maneira, compensado pela repercussão da narrativa que atrai interesses na Europa, agora em Portugal, como já ocorreu na França e na Espanha.

Comprova-se, assim, que o conteúdo do nosso registro não resultou em uma caracterização gratuita, para consumo interno partidário. Mas, acima da recompensa ao esforço pessoal, está a importância da dimensão que esta exposição alcançará através da reverberação acadêmica do seminário “Brasil: a questão democrática e a soberania”, programado para o dia 4 de abril em Lisboa e dia 5 em Coimbra, com o objetivo “dar ciência aos graves retrocessos ocorridos com o Estado Democrático de Direito em solo brasileiro”. No convite assinado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Lisboa, pelo Coletivo Andorinha e pela Associação Pró Vítimas, estes organizadores do seminário lembram que “vários movimentos sociais denunciam o ataque à democracia no Brasil”.

O comitê organizador frisa: “A presença do deputado Adão Villaverde, com sua reconhecida trajetória e larga experiência, certamente vai contribuir para elucidar os participantes deste evento”. E consideram a participação deste parlamentar gaúcho como de “grande interesse para portugueses e para os brasileiros residentes em Portugal”. No livro “É Golpe, Sim! – Terceiro turno sem urnas, o ataque aos direitos sociais e o entreguismo”, elaborado em meados de 2016, enfatizávamos o caráter essencialmente golpista do impeachment de Dilma Rousseff que, naquela época, era contestado com a falácia difundida, junto à opinião publicada, pela aliança oposicionista parlamentar, empresarial e judicial, e sobretudo midiática, que condenava a presidenta legitima pelos supostos equívocos enlaçados em certo “conjunto da obra’, do pecado das pedaladas fiscais à invocadas irregularidades em suplementações orçamentárias. Sem crime algum de responsabilidade, portanto. Contra a versão de falsa legalidade das classes dominantes, era imprescindível afirmar e reafirmar que houve um golpe.

O livro foi uma denúncia desta brutalidade, mas também oferecia subsídios para a necessária reflexão para o enfrentamento da situação de ilegitimidade e exceção que passamos a viver. Na realidade, foi um golpe sem armas, prática já usada na América Latina por evidente inspiração externa e que foi articulado no país por essa aliança de forças conservadoras e as elites da Casa Grande. Não tínhamos dúvida que o golpe foi contra Dilma, o PT, a esquerda, o resultado das urnas, a democracia e os projetos sociais que vinham mudando o país e visava, ao final, eliminar Lula politicamente, impedindo sua reeleição. Evidentemente só assim, sem a legitimidade do voto, a direita e o conservadorismo imaginavam construir um atalho para o poder. Nosso livro serviu, desde o início, como um registro histórico obrigatório acerca do atentado ao Estado Democrático de Direito e a violação da Carta Magna do país que consubstanciaram a usurpação do poder por um interino ilegítimo, cercado de asseclas investigados por corrupção.

Mas é, entretanto, o seu terceiro capítulo, com a condenação do entreguismo, que tem obtido maior repercussão fora do país, origem dos mercados internacionais que globalizam o neoliberalismo. O capitulo investe em ressaltar os danos da dependência tecnológica do país (notabilizada principalmente com a extinção do Ministério de Ciência e Tecnologia) como uma evidência da lógica de diminuição da soberania e da entrega da exploração de nossas enormes riquezas naturais, como a Amazônia e o pré- sal, aos exploradores transnacionais. Já “Resistência, Utopia e Construção da Hegemonia”, lançada na Feira do Livro de Porto Alegre no final do ano passado, é uma publicação composta por um texto principal que desenvolve a ideia do título e mais 15 artigos nossos publicados em jornais no final de 2016 e ao longo de 2017 e que fazem uma reflexão sobre os acontecimentos da era neoliberal que se seguiu ao golpe contra a democracia, e repercute nas políticas aplicadas no Rio Grande do Sul e em sua capital, Porto Alegre.

Na contracapa, o sociólogo gaúcho Rodrigo Azevedo instiga uma definição essencial: “Seguir adiante passa por nos amarrarmos aos mastros da institucionalidade democrática, pela recomposição dos espaços de participação popular e pela revalorização da política parlamentar feita com ética e com compromisso com os de baixo. Esta é a trajetória, e este o compromisso do Deputado Adão Villaverde, que nos brinda aqui com importantes reflexões sobre a conjuntura e os desafios para o novo período que se abre, no Brasil e no mundo”.

No prefácio o professor José Vicente Tavares propõe uma ponderação elogiosa, que me honra muito : “A lição de Adão Villaverde, retomando os clássicos da ação histórica, é nos estimular a exercitar a Política e a pensar a Política. Nesse passo, readquirimos nossa capacidade coletiva de imaginar um futuro de solidariedade, de respeito à diferença e de busca da equidade para as novas gerações de brasileiros e de brasileiras. Adão Villaverde nos convida ao trabalho, árduo e necessário, de “reinventar nossos sonhos de História e de Humanidade”. Sim, não podemos jamais desistir das utopias que nos fazem avançar, apesar dos obstáculos e dos tropeços na nossa jornada contra o ódio, a barbárie e o fascismo.

* Professor, engenheiro, deputado estadual (PT/RS)

© Agência de Notícias
Reprodução autorizada mediante citação da Agência de Notícias ALRS.
© Agência de Notícias
As matérias assinadas pelos partidos políticos são de inteira responsabilidade dos coordenadores de imprensa das bancadas da Assembleia Legislativa. A Agência de Notícias não responde pelo conteúdo das mesmas.
Versão de Impressão
PESQUISA DE NOTÍCIAS
Termo
Período
   


TV Assembleia

Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
Praça Marechal Deodoro, 101 - Porto Alegre/RS - Cep 90010-300 - PABX (51) 3210.2000

Horário de atendimento: das 08:30 às 18:30