ARTIGO
Protecionismo com visão estratégica
Adão Villaverde* | PT - 10:59 - 19/03/2018

Olhando ao redor, sobretudo às economias e a industrialização nos países centrais, vemos que algumas nações só chegaram ao que chamam de “livre comércio”, recorrendo ao protecionismo como instrumento de preservação de sua capacidade e inteligência local e às suas empresas públicas, como papel indutor e mediador do desenvolvimento, articuladas com o setor privado. Basta ver o que fazem Japão, Alemanha, Estados Unidos, Suécia, Coréia do Sul nos últimos 40 anos e muitos outros países.

Todos usam medidas protetivas, subsídio estatal, controle sobre investimentos estrangeiros, fiscalização do capital volátil e o apoio às empresas privadas locais, como estratégias de crescimento, desenvolvimento e inserção soberana no processo de mundialização.

No nosso país, em nome de um pseudo-liberalismo, condena-se a proteção das empresas locais. O que é falso e ao mesmo tempo entreguista e, por decorrência, leva à maior dependência e à mais pura subordinação. E, infelizmente, o Brasil vem apresentando, de forma acelerada, no último período, um processo brutal de desindustrialização, que parece não ter precedentes históricos.

Isto deve-se menos às razões conjunturais de nossas crises econômicas cíclicas e muito mais ao modelo perseguido desde a última década do século XX. Ainda que a “era Lula” tenha sido uma tentativa de interrupção deste processo, predominam os conceitos do chamado Consenso de Washington.

O mais triste é que tudo isto tem rebatimento local, no RS. É o que denuncia, por exemplo, o presidente demissionário da extinta Cientec, sobre a renúncia da nossa inteligência e a “desgauchização” do estado: “isto trará prejuízos enormes às nossas empresas, pois existem serviços que apenas a Fundação oferece, como laboratórios credenciados, e em alguns casos únicos no Brasil”.

Enquanto aqui acenam com a cantilena do economicismo entreguista tecnocrático do rentismo neoliberal, que só amplia nossa dependência, para tristeza brasileira, os chamados países centrais fazem exatamente o inverso.


*Deputado estadual

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