TRIBUNA
Pronunciamentos na tribuna nesta terça-feira
Francis Maia* - MTE 5130 | Agência de Notícias - 16:45 - 20/03/2018 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Marcelo Bertani
Sérgio Turra ocupou a tribuna por duas vezes durante os pronunciamentos desta tarde
Sérgio Turra ocupou a tribuna por duas vezes durante os pronunciamentos desta tarde

Na sessão plenária desta terça-feira (20), na Assembleia Legislativa, deputados utilizaram a tribuna para comunicações de lideranças. A íntegra das manifestações pode ser ouvida no endereço www.al.rs.gov.br/legislativo , em áudios das sessões.

O deputado Tarcísio Zimmermann (PT) registrou da tribuna a caravana do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva no Rio Grande do Sul, iniciada ontem (19) pelo município de Bagé, na região da Fronteira, onde visitou uma das 18 universidades por ele criada ao longo dos 14 anos de governos do Partido dos Trabalhadores e que “ampliaram a possibilidade de acesso da nossa juventude ao ensino superior”. Relatou o ato patrocinado pelos latifundiários, justificando a ação daqueles que formam “a fotografia mais perene do atraso”, comparando com o desenvolvimento promovido pelos imigrantes na zona de colonização. “O latifúndio do RS é responsável pelo atraso da Metade Sul”, disse ele, ilustrando a afirmação com a leitura de texto do jornalista Moisés Mendes intitulado Os bois e a universidade, onde diz que “É fácil entender a raiva da direita em cidades como Bagé, por onde a caravana de Lula passou ontem. Bagé tem uma das 18 universidades criadas por Lula e Dilma. A universidade pública aterroriza as elites decadentes e a classe média que lhe dá suporte em uma das regiões mais atrasadas do Estado. Descendentes de escravos e de peões terão diploma em Bagé. Filhos de domésticas e carpinteiros fazem faculdade e atormentam arremedos de fazendeiros. A universidade pública tira das elites agrárias (protegidas também pelo entorno pobre e policialesco que a bajula) o brilho da exclusividade do diploma. Além das outras explicações básicas e históricas que o povo da região do latifúndio já sabe sem precisar estudar muito. Teremos reações em outras cidades pelos mesmos motivos. Até os bois sabem que a universidade é o pesadelo de quem explora o atraso”. Disse, ainda, que a partir dessa interpretação “é fácil entender a raiva da direita em cidades como Bagé”, local onde foi construída uma universidade pública e os descendentes de escravos e filhos de peões, domésticas e carpinteiros têm a oportunidade de alcançar o diploma universitário. Ele antecipou que essas reações serão registradas em outras cidades por onde a caravana vai passar nos 1.200 quilômetros que serão percorridos no RS.

O deputado Sérgio Turra (PP) imediatamente respondeu da tribuna que “Lula não é bem-vindo e foi esse o recado que recebeu em Bagé, na primeira cidade que pisou”, dado não por latifundiários, mas “por gaúchos que têm brio, vergonha na cara, num momento em que a política é demonizada justamente porque alguns se serviram da política, lesaram os cofres públicos, como Lula, e não podem ser louvados”. Chamou de “Caravana vergonhosa, de vassalos, de alguém que idolatra um corrupto, condenado em primeira e segunda instância”, afirmando que foi com as elites que “solapou o Brasil”, pois “nunca antes na história do país os banqueiros lucraram tanto como nos governos petistas”. Segundo ele, a “pior elite esteve ao lado de Lula desde o início: Paulo Maluf, Sarney, Calheiros, a família Barbalho, o próprio Temer, Collor de Mello”, apontando ainda para a “outra” elite, “as famílias que deram sítio, triplex e mordomias para Lula - Odebrecht, Leo Pinheiro, Eike Batista, Andrade Gutierrez”. Nessa condição, não aceita a afirmação de que Lula é a salvação do país, “se (Lula) um dia teve um coração puro, sem dúvida na sua caminhada ele se perdeu e foi condenado pela Justiça brasileira em primeira e segunda instância, no primeiro dos sete processos que terá que responder por lesar os cofres públicos”. Foi nessa condição, repetiu, que Bagé disse para Lula “aqui, farroupilha, aqui somos um povo honrado, digno, povo que não quer ser escravizado, que por não ter virtude acaba por ser escravo, como o povo da Venezuela, que é escravo da incompetência, do roubo, da esquerda, é isso que Lula representa”. E da tribuna, afirmou, não permitirá que enxovalhem os produtores rurais para se jactar das benesses da agricultura familiar. “Não foi Lula que fez Pronaf ou o Pronafinho, não foi Lula que construiu o Brasil”, assegurando que algo em oito anos de governo ele deveria fazer, mas “o mal que fez para o país, primeiro presidente da República condenado pela Justiça brasileira, que está sendo achincalhada por esse movimento que quer colocar goela abaixo a todos os brasileiros, Lula acima da lei”. Para o deputado, “ninguém está acima da lei”, pregando respeito às leis e instituições brasileiras. "Por tudo isso, Lula não é bem-vindo", repetiu, prevendo que o ex-presidente “vai sair do Rio Grande do Sul direto para a cadeia”.

O deputado Nelsinho Metalúrgico (PT) também referiu o texto do jornalista Moisés Mendes, e solicitou a inserção do documento nos Anais da Assembleia. Sobre a manifestação em Bagé, onde estava presente, disse que foi um grupo de 50 pessoas, “com seus tratores, alguns caminhões, suas caminhonetes Hilux lá estacionadas, fazendo protesto contra a presença de Lula”, mas foram superados pelos milhares de alunos da Unipampa que recepcionaram Lula “com brilho nos olhos, com alegria e satisfação de ter recebido lá na universidade o presidente que implementou o projeto”. Conforme o deputado, “Lula não fez mais que a obrigação, um bom presidente, um bom dirigente, um sábio dirigente tem que investir na educação”, pois antes dele, em 502 anos do país, as universidades sempre foram espaço “para meia dúzia, universidade federal era para filho de elite, quem fazia medicina, porque o bisavô, o avô, o pai eram médicos”, como também nos cursos de direito. “O Lula foi o presidente que teve a sensibilidade de levar para os mais distantes rincões do país 18 novas universidades”, justificando a festiva recepção pelos jovens em Bagé. E os 50 que protestaram, concluiu, lá estavam porque “a possibilidade de o filho do agricultor, do trabalhador, do metalúrgico, do carpinteiro, da doméstica, acessar o ensino superior ofende a elite que mandou no país por 502 anos”. De Bagé Lula foi a Livramento para se encontrar com o ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, com o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, a ex-presidente Dilma Rousseff, os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra, onde “deram aula de como se deve conduzir um processo de discussão democrática aqui no país”. Relatou a agenda de hoje de Lula, em Santa Maria, onde tem encontro na UFSM com diretores e reitores, o corpo de professores e alunos, deslocando-se depois para a periferia. “Anda de cabeça erguida porque não cometeu crime, é acusado por conluio do judiciário que o condena sem provas”, assegurou, o que é de conhecimento de 60% dos brasileiros que o apoiam neste momento.

Sérgio Turra (PP) retornou à tribuna e encerrou os pronunciamentos da tarde. “Não poderia deixar de me manifestar diante do que trouxe o deputado Nelsinho que, como um mantra, insiste - assim como a maioria dos petistas - em afirmar que Lula é inocente, e que foi condenado sem provas. Como assim? Foi condenado em primeira e segunda instâncias, tendo sua pena ampliada pelo TRF4. Sobraram provas, com testemunhas e confissões”, destacou. Ainda de acordo com Turra, Lula debochou daqueles mais humildes que o elegeram, como na questão do triplex, por exemplo. "Aliás, conforme disse um desembargador, Lula logrou o próprio PT, utilizando-se de recursos que seriam destinados ao partido, sendo beneficiário direto. Ora, é preciso mais respeito com o Judiciário”, observou o deputado do PP. Conforme Turra, Lula não pode, e não deverá ser, absolvido. “Está condenado a 12 anos de reclusão só em um dos sete processos, e não pode ser endeusado desta forma. Lula parece ser a única opção de liderança no PT. Ou é ele ou a sigla acaba. Lula desviou-se, isso sim, da sua rota original e poderá acabar preso assim que sair desta caravana, indo parar no presídio onde estão outros, da elite, que se locupletaram às custas de recursos que deveriam ser canalizados aos que mais precisam”, sublinhou.

* Colaboração de Celso Bender

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