ARTIGO
Simplificações regressivas e verdades embrutecedoras
Adão Villaverde* | PT - 10:55 - 21/03/2018
Ao longo da História da humanidade, vertentes regressivas e embrutecedoras das relações em sociedade, sempre estiveram presentes, de forma congênita, em todas as disputas de rumo do processo civilizatório. Na ciência, por exemplo, foi necessário que a bomba de Hiroshima e outros episódios dramáticos se precipitassem, revelando a trágica perpetuação de suas sequelas sobre gerações e gerações, para que se percebesse, amargamente, que mesmo as novas tecnologias podem produzir barbáries.
 
Hoje não acalentamos mais a ideia ingênua de que o conhecimento é sinônimo de belas intenções: quando embalado por naturais virtudes aéticas impulsiona espontaneamente propósitos nada humanistas. Assim agem os que não sabem conviver com diferenças, que deveriam de ser entendidas como algo tão natural como o ato de respirar. Preferem a regressividade e o embrutecimento, naturalizando o espírito conservador que domina nosso tempo. Cedem, assim, ao coro dos que não admitem o humanismo, pois este sempre implica no processo da razão.
 
Entretanto, o mundo regressivo é quase tão velho quanto o mundo humano. Aliás, ambos se produziram antes e se reproduzem ainda hoje mutuamente. As cidades, fenômeno humano por excelência, foram engendradas no mesmo movimento em que se arquitetaram os sistemas de violência urbana, de instáveis equilíbrios nas inseguras relações em sociedade. As inaceitáveis execuções no RJ, da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, são expressões cabais disto.
 
É possível, pois, ler a história das sociedades modernas como este frágil equilíbrio entre a regressão e o progressismo, de tensionamento entre o processo da razão e o mundo da irracionalidade. No singular momento em que vivemos, efetivou-se uma ruptura neste equilíbrio: um dos pratos da balança desceu sob o peso maior da irracionalidade, em detrimento das determinações da razão, por excelência, humanas.
 
Não há o que estranhar quando palavras como segurança ou estabilidade adquirem o tom de idílicas promessas para quem a insegurança e instabilidade constituam apenas outros nomes para as formas precárias com que vivem seu pertencimento à sociedade humana. Sobretudo enquanto as grávidas cinturas de nossas cada vez mais perigosas cidades, tornam-se, um pouco mais, estes gelatinosos territórios de incertezas, tragédias e violências.
 
*Deputado estadual
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