PROCURADORIA ESPECIAL DA MULHER
Políticas públicas e experiências são discutidas no seminário Educação sem Preconceitos
Letícia Rodrigues - MTE 9373 | Agência de Notícias - 11:45 - 23/03/2018 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Marcelo Bertani
Manuela d Ávila e Vanessa Grazziotin
Manuela d Ávila e Vanessa Grazziotin
A segunda mesa do seminário “Educação sem preconceitos” reuniu, no Teatro Dante Barone, na tarde desta quinta-feira (22), as procuradoras especiais da Mulher da AL, deputada Manuela d’Ávila (PCdoB), e do Senado, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM); a pedagoga Jaqueline Moll e a gerente de Gênero e Incidência Política na Plan International Brasil, Viviana Santiago. A mediação do debate, que teve como tema Políticas Públicas e Experiências, foi da vice-presidente Sul UBES, Gerusa Pena.
 
Viviana Santiago, que também é ativista dos Movimentos de Mulheres Negras, falou da experiência com as Escolas de Lideranças para Meninas. Destacou que é preciso reconectar as meninas com seu poder. Ela explicou que a premissa das Escolas de Lideranças para Meninas é de que o conhecimento não está só com o professor ou só com o aluno, mas na relação entre eles. "O principal desafio é pautar a violência de gênero a partir de um recorte geracional", disse, ressaltando a violência adultocêntrica.  
 
Jaqueline Moll apresentou considerações sobre educação, democracia e projeto de nação. "A crise da educação brasileira não é uma crise, é um projeto", disse, citando frase do antropólogo e educador Darcy Ribeiro. Segundo a professora, a educação básica no Brasil é tardia, excludente, discriminatória, silenciosa e vertical. "Nossas escolas ainda estão no século 18 ou 19", comparou. Lamentou que o sistema educacional é uma pirâmide, pois, quando mais se avança nas séries, menos alunos conseguem chegar. "Isso reflete a visão escravista da sociedade brasileira", explicou. Para modificar a situação, segundo ela, é preciso, no âmbito das políticas governamentais, investimentos contínuos em infraestrutura física e pedagógica, na carreira e salário dos profissionais de educação, articulações intersetoriais e a retomada dos planos nacional, estaduais e municipais de educação. No âmbito das escolas, apontou que são necessárias novas práticas pedagógicas, escuta e participação dos estudantes, despatologização da pobreza e desnaturalização do fracasso.    
 
Para Vanessa Grazziotin, o problema que vive o país não é de falta de conhecimento, mas de opção de classe. "Não somos formados para sermos cidadãs e cidadãos. Somos formados para sermos máquinas que reproduzem capital para alguns", opinou. A senadora confidenciou que ser parlamentar neste momento no Brasil é a coisa mais difícil do mundo. Criticou a forma como a reforma da educação foi feita, por medida provisória, e denunciou que o governo federal está entregando a Petrobras e privatizando a Eletrobrás, além de já ter rasgado a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com a reforma trabalhista.  
 
Manuela encerrou a mesa e o evento agradecendo a todas as participantes e deixando uma provocação final. Contou que, desde o ano passado, com o seminário "Escola sem machismo", promovido pela Procuradoria Especial da Mulher da AL, tem visitado vários lugares do RS e que surgiram alguns dilemas. Um deles é o questionamento de como incluir o debate sobre machismo na escola se ela mal consegue ensinar Português e Matemática para os estudantes. "Que pacto a gente está fazendo enquanto nação quando a gente diz que ensinar o uso de uma crase é mais importante que dizer que não se espanca alguém até a morte por ser gay?", questionou.
 
O seminário “Educação sem preconceitos” foi promovido pela Procuradoria Especial da Mulher da AL e integrou a programação do Mês da Mulher 2018.
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Seminário Educação Sem Preconceito

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