COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CULTURA, DESPORTO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Deputados querem a manutenção do espanhol nas escolas gaúchas
Vicente Romano - MTE 4932 | Agência de Notícias - 11:25 - 27/03/2018 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Guerreiro

A Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa vai enviar ao Ministério da Educação e à Secretaria Estadual de Educação ofício mostrando preocupação com recentes mudanças na legislação federal que revogaram a obrigatoriedade da oferta de espanhol no ensino médio e a efetivação do monolinguismo na educação do país e suas consequências para o Rio Grande do Sul.

O expediente a ser enviado estará acompanhado por manifesto pela manutenção obrigatória da língua espanhola nas escolas, assinado por docentes da área de espanhol de universidades e institutos federais atuantes no RS.

A decisão do colegiado foi tomada na reunião ordinária do colegiado realizada na manhã desta terça-feira (27), após ouvirem os depoimentos dos educadores Marcus Fontana (UFSM) e Natalia Labella-Sánchez (UFRGS), representantes do movimento Fica Espanhol.

Depoimentos
Ao defender a importância da manutenção da língua espanhola e de uma política que promova o plurilinguismo nas escolas públicas, os professores apresentaram o histórico de leis aprovadas recentemente, em âmbito federal, que promovem um esvaziamento do espaço das línguas em geral e do espanhol de maneira específica na escola públicas. Conforme Natalia Labella-Sánchez as mudanças começaram com a aprovação da Lei 13.415/2017, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), no que dispunha sobre a obrigatoriedade do ensino da língua espanhola na educação básica e impôs o ensino de inglês como a única língua estrangeira a ser ensinada obrigatoriamente nas escolas. Natalia explicou que com a antiga legislação que obrigava a oferta de espanhol houve, desde 2005, um intenso investimento governamental na criação de novas licenciaturas de língua espanhola pelo Brasil e, especificamente no RS, com a criação de cursos de letras, com ênfase no espanhol, em Universidades como Unipampa e UFFS, ambas em região de fronteira, e nos Institutos Federais.

O educador Marcus Fontana alertou para a redução, nas escolas, da carga horária da língua em favor do inglês, apesar de terem professores de espanhol em seus quadros. Ele relatou que, no norte do estado, uma professora de língua espanhola foi surpreendida ao chegar à escola em que trabalhava e ver toda a carga substituída pelo inglês e que seria ela, sem qualquer formação na língua inglesa, que deveria ministrar as aulas. Fontana afirmou que nas regiões de fronteira do RS, a retirada do ensino de espanhol é um retrocesso, criando constrangimento. O professor lembrou que naquela região, o espanhol é a língua do comércio.

Parlamentares
A deputada Miriam Marroni (PT) criticou as mudanças curriculares e o “processo reducionista e engessador da formação da juventude brasileira. Para ela, as medidas adotadas tiram as condições de integração com os países do Mercosul. “É lamentável restringir conhecimento”, disse.

O deputado Gerson Burmann (PDT) se solidarizou com o movimento Fica Espanhol. Para ele, a retirada da língua espanhola dos currículos escolares do RS restringe a convivência e distancia das populações de fronteira.

Já a deputada Zilá Breitenbach (PSDB) quer maiores informações sobre o que está acontecendo nas escolas gaúchas sobre o tema. Ela defendeu a educação de qualidade para todos. Ele destacou que prefeituras da região da Fronteira Oeste estão mantendo o ensino de espanhol.

O deputado Tiago Simon (PMDB) afirmou que o ensino de espanhol tem uma vocação integradora latino-americana. “A língua é fundamental para catalizar os interesses legítimos dos povos, inseridos na educação pública. A língua é um bem cultural”, registrou.

Participação
Participaram da reunião os deputados Gilberto Capoani (PMDB), presidente, Tiago Simon (PMDB), Gerson Burmann (PDT), Álvaro Boessio (PMDB) e as deputadas Zilá Breitenbach PSDB e Miriam Marroni (PT).

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